Mariana Staudt

Jornalista, ariana, apaixonada por sol, verão e praia, por viajar, por fotografar e por escrever. Sou a pessoa mais curiosa que eu conheço e tenho os pensamentos a mil quilômetros por hora.

Tradição e Doutrina

O orientalismo é conhecido por seu estilo leve, formas marcantes e inovações conceituais. Que tal uma verdadeira viagem por nações como Japão, China, Índia e Cingapura, lembradas por seus traços e formas estonteantes, para conhecer um pouco sobre a cultura do design e da arquitetura que rege os países do outro lado do meridiano de Greenwich?


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Entre a península arábica e os confins da Oceania, diversas civilizações milenares se espalham no lado direito do mapa – a popular “terra do sol nascente”. O oriente engloba países de vários continentes, apesar de ter sua imagem comumente remetida à Ásia. Com características muito marcantes, o orientalismo preza por suas culturas, religiões e história.

Há algum tempo o orientalismo aparece como tendência e referência de design, arquitetura e moda nos principais eventos do segmento no mundo. A presença destes traços revela, de forma implícita, um anseio por tranquilidade e conforto, conceito ideal para equilibrar o estilo de vida agitado da sociedade ocidental. A tradicional filosofia de paz e harmonia com a natureza pode ser percebida desde a elaboração de peças que exigem cuidadoso manuseio até as linhas arquitetônicas de grandes empreendimentos.

Não por acaso, as artes manuais são ensinadas já na infância, a partir a escola primária, em países como o Japão. Muito desse equilíbrio provém da valorização do natural, do rústico, da noção de que apenas o que é verdadeiro é bonito, sintetizada pela expressão “wasi sabi”. Espaços retangulares, telhados encurvados e cores expressivas são algumas das características comuns no design oriental, ao mesmo tempo em que também são aplicadas formas minimalistas, límpidas e retas. Exaltando a profundidade do universo, todos os detalhes, dos acabamentos às grandes edificações, são um espetáculo para os olhos e clamam pelo bem-estar e momentos de reflexão.

Os orientais têm muitos hábitos peculiares, inclusive no que dita as escolhas dentro de casa. A sala de jantar é o ambiente mais privilegiado, o quarto do casal será aquele com a melhor energia e a preferência pela cor, muitas vezes, segue o padrão estabelecido pela "cor do ano". A decoração é prática e valoriza o essencial, sem excessos. Seguindo a filosofia de vida simples, os ambientes são sóbrios e organizados, contendo apenas o mobiliário extremamente necessário. Cores neutras e materiais naturais, como bambu, algodão, madeira e papel de arroz, são predominantes.

Berço de talentos

Muitos profissionais de “olhos puxados” já tiveram seus trabalhos reconhecidos no Prêmio Pritzker, mais importante premiação internacional de arquitetura. Foram dois chineses e sete japoneses, sendo Shigeru Ban o mais recente deles, em 2014. Já o design vem se mostrando uma fábrica de inovação, além de ser um setor que recebe investimentos e auxilia no desenvolvimento dos países. Nomes como Oki Sato, do Nendo Studio, e a dupla Neri & Hu são referência mundial.

País com maior número de arquitetos per capita em todo o mundo, o Japão é conhecido por construções inovadoras e design excêntrico e criativo. Apesar de não revelar grande área territorial, Tóquio é uma das mais importantes cidades do mundo. Com a enorme concentração de edificações contemporâneas de alta qualidade técnica e tecnológica, os edifícios históricos se tornam coadjuvantes na paisagem urbana. Outro fator de destaque é a engenharia civil bastante desenvolvida em relação a minimizar os prejuízos causados por desastres naturais, como terremotos e tsunamis frequentes.

Alguns nomes japoneses merecem destaque, como Arata Isozaki, considerado o sucessor de Kenzo Tange; Toyo Ito, que recebeu o Prêmio Pritzker de Arquitetura em 2013, conhecido por espaços flexíveis que aguçam os sentidos humanos, busca inspiração nas formas orgânicas da natureza, priorizando a fluidez entre o natural e as formas construídas; e Fumihiko Maki, vencedor do Pritzker em 1993, que assina o projeto dos novos prédios do World Trade Center, em Nova York, Estados Unidos. Conhecido por seu olhar meticuloso, inteligente e artístico, foi um dos fundadores do grupo de jovens arquitetos japoneses Metabolists, que teve início em 1959, com objetivos de mudança e flexibilidade nos projetos.

*Texto publicado na Revista Decor.


Mariana Staudt

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