Carol Pereira

Carolina de Jesus Pereira é coautora da coleção Circles (editora FTD), tradutora, revisora, editora e elaboradora de livros didáticos. Tem graduação em Letras (USP), pós em Tradução (UGF) e mestrado em Educação (USP).

@carolinajesper

O que aprendi trabalhando em várias empresas

Ter passado por diversas empresas do mesmo segmento me trouxe algumas percepções ao longo dos anos. Hoje, acredito que pensar a respeito delas pode ajudar a melhorar a convivência e a satisfação no mundo corporativo.


Sempre gostei de mudar de emprego, de ares, de projetos e de colegas de trabalho. Ter passado por diversas empresas do mesmo segmento me trouxe algumas percepções ao longo dos anos. Hoje, acredito que pensar a respeito delas pode ajudar a melhorar a convivência no mundo corporativo.

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Não há diálogo quando não há escuta

Não pode haver um trabalho colaborativo quando tudo é imposto e os funcionários não são convidados a contribuir de fato. Muitas vezes, pessoas com habilidades específicas são subutilizadas porque apenas executam tarefas pré-definidas por alguém que não considerou outras possibilidades. Para um manejo rápido e eficiente dos problemas, nada melhor que ouvir os colegas sem julgamentos prévios, considerar as sugestões e mobilizar o conhecimento do grupo a fim de construir soluções ricas e criativas.

“Diferente” é diferente de “errado”

Existem diversos caminhos para realizar uma mesma atividade de modo satisfatório. Em geral, depois de passarem muitos anos cumprindo um procedimento da mesma maneira, alguns funcionários passam a considerar que aquele é o único jeito correto e desejável de executar as tarefas, reagindo negativamente aos que se valem de outros recursos ou ideias. Ao passarmos por diferentes empresas, notamos que os procedimentos usados com uma mesma finalidade podem variar com base em critérios bastante subjetivos. Em um contexto em que “todos os caminhos levam a Roma”, a imposição de um único caminho precisa ser considerada uma convenção e não a única possibilidade. Como o ajuste a padrões pode tomar algum tempo, não se sinta “errado” só por preferir procedimentos que destoam daqueles usados em sua empresa atual.

O e-mail não é seu inimigo

Já assisti a algumas palestras corporativas motivacionais em que os palestrantes (ou coaches) condenavam o uso dos e-mails. Eles alegam que, além de denotarem frieza, essas mensagens representam nossa desconfiança de que o colega não cumprirá o combinado a menos que haja uma prova contra ele. Certamente um registro formal pode ajudar a esclarecer os fatos em um momento de discórdia, mas ele também pode constituir um importante suporte para a memória que vai ajudar a garantir o cumprimento de acordos. Além disso, muitas pessoas sentem-se prejudicadas ao serem interrompidas enquanto realizam uma atividade. Nesse contexto, o e-mail pode ser o meio mais respeitoso de deixar o interlocutor livre para responder quando estiver disponível.

Funcionário subutilizado se torna um funcionário desmotivado

Por isso é importante valorizar a singularidade humana. Em equipes heterogêneas, em que cada pessoa tem uma bagagem cultural e empírica diferente, pode ser que cada um demande uma quantidade de tempo diferente para realizar as atividades que são designadas. Respeitar o tempo e o repertório dos membros de uma equipe é uma maneira de gerar motivação para que empreguem suas habilidades na realização do trabalho.

O fato de boa parte da desmotivação dos trabalhadores ser proveniente de uma convivência ruim com chefes e colegas de trabalho precisa ser usado como base para replanejarmos a maneira como lidamos com a vida corporativa. Se não estamos em uma empresa para colaborar com ela, então para quê?


Carol Pereira

Carolina de Jesus Pereira é coautora da coleção Circles (editora FTD), tradutora, revisora, editora e elaboradora de livros didáticos. Tem graduação em Letras (USP), pós em Tradução (UGF) e mestrado em Educação (USP). @carolinajesper.
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