marcos félix

Vamos contar mais histórias!

Marcos Félix

Paulistano, canhoto, vegetariano, observador – do mundo e de si mesmo. Um contador de histórias experimentando a vida um dia de cada vez. Descobriu que a felicidade tem olhos castanhos e faz usar as teclas pretas do piano. Está sempre seguindo em frente porque a vida não tem outro sentido

quando penso em ter um filho é do teu nome que me lembro

Quando penso em ter um filho é do teu nome que me lembro. E penso também em nós. Me pergunto se vai ser menino ou menina, se terá o teu sorriso ou a cor dos teus lindos olhos castanhos. Terá a tua beleza, a nossa inteligência ou um pouco de tudo isso?


Daqui a alguns anos (que passarão tão rápido) posso até prever uma conversa de pai para filha, de pai para filho ou ambos... Eu contarei a ela ou ele que o teu sorriso me fez enxergar o que eu já não via no mundo, muito menos em mim. Suspirarei várias vezes ao dizer que mesmo antes de ser um bom pai, eu fiz de tudo para ser um bom filho para meus velhinhos, e também um bom homem para você. E posso até imaginar tua maneira única de me olhar confirmando mais uma vez com os olhos: 'eu sei, meu bem'.

Derramarei algumas lágrimas - nenhuma de tristeza - ao mencionar que nem tudo aconteceu como deveria mas que todas as conquistas superaram, antes de tudo, o dever de minhas próprias expectativas. Talvez serei questionado sobre as escolhas cotidianas, sobre conhecimentos abstratos ou empíricos, sobre o mundo, sobre a sociedade ou nossa família. Não sei se estarei a par de todas as novas tecnologias ou modismos da vez, mas meu esforço será sempre inovador. Teremos finais de semana em família, todos juntos em frente à mesa, em frente às mesmas telas, compartilhando o mesmo espaço físico ou virtual. Ensinarei a diferença entre preço e valor, talento e dom, religião e fé. Contarei minhas histórias para fazer dormir, compartilharei minhas experiências para fazer acordar.

Outro dia alguém me disse que colocar filho no mundo, vestir, alimentar, dar carinho e amor... Ah, isso é nada diante da necessidade de preparar uma criança para a vida muito mais do que para a escola, para a igreja ou para si mesmo. Ensinar a viver é difícil porque viver é mais caro que existir. Viver é raro. Mas que vida não faz mais sentido quando compartilhada com outras vidas? Pais e filhos, eles e nós...

Quando penso em ter um filho é do teu nome que me lembro. E penso também em nós. Me pergunto se vai ser menino ou menina, se terá o teu sorriso ou a cor dos teus lindos olhos castanhos. Terá a tua beleza, a nossa inteligência ou um pouco de tudo isso?

É melhor que seja saudável - físico, mental, espiritualmente. Melhor ainda se aprender a viver - por si mesmo, com suas próprias experiências, com a vida. E já que chegamos ao mundo chorando e partimos fazendo outros chorarem, é melhor que viva sorrindo. Porque as palmadas no bumbum não machucam como os tapas da vida.

Quando penso em ter um filho, é do teu nome que me lembro. Nunca esqueço nosso riso quando estamos juntos, nossa coragem de enfrentar a vida, nossos sonhos e propósitos. Nunca esqueço o café da manhã, o beijo de bom dia ou de boa noite, o olhar sincero e sempre demorado, as rosas, as fotos, os vídeos, você e eu juntos. E penso também nas viagens que fizemos e nas que faremos, para perto ou para longe. Resgato as horas em que ficamos acordados preenchendo o silêncio da madrugada com longas conversas, carinho e cumplicidade.

E há também os finais de semana, os almoços em família, as nossas celebrações. Penso nos momentos em que você precisa de lenços e pode ter o meu ombro, dos momentos em que deseja se perder nos meus braços, na alegria só de pensar que somos raros um pro outro mesmo em meio aos problemas comuns da vida. Penso nas travessuras, nas conquistas, nas lutas e desafios, nas dores, na afinidade e respeito mútuo. Penso no amor e suas subjetividades. Penso em nós e nossos laços, traduzidos nos traços de uma criança nossa.

Quando penso em ter um filho, eu desejo imediatamente ser pai. E quando penso nisso, lembro mais do que teu nome... Eu desejo irrefutavelmente que seja com você.


Marcos Félix

Paulistano, canhoto, vegetariano, observador – do mundo e de si mesmo. Um contador de histórias experimentando a vida um dia de cada vez. Descobriu que a felicidade tem olhos castanhos e faz usar as teclas pretas do piano. Está sempre seguindo em frente porque a vida não tem outro sentido.
Saiba como escrever na obvious.
version 5/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Marcos Félix
Site Meter