maria luisa martins

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Maria Luisa Martins

Professora de Inglês, escritora, tradutora e revisora e apaixonada por linguística.
Adora falar de cinema, música, literatura e temas afins.
Acredita que a escrita pode mudar o mundo e por isso ela o faz

Nova série da Netflix The Crown conta história da rainha Elizabeth

O que dizer da nova série da Netflix "The Crown"? Por que temos tanto prazer em assistir séries das grandes realezas?
O mistério que separa a vida "normal" e a vida "real" é o que nos instiga a refletir sobre tal.


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Em 1994, o teatro da Corte Real em Sloane Square (Um parque em Londres) fez uma peça de teatro baseada no livro de romance de Sue Townsend, The Queen and I (A Rainha e Eu), no qual a Rainha havia sido deposta e estava vivendo com sua família em um apartamento do Conselho Real. No meio de umas performances de matiné uma bomba explodiu e o público e os personagens (ainda em suas fantasias) foram evacuados para o Sloane Square. Passageiros no topo do ônibus circular estavam fascinados, mas ao mesmo tempo desconcertados ao verem a Rainha, o Príncipe Phillip, o Príncipe Charles e a Princesa Diana apenas em pé ali, numa quarta-feira ensolarada, acendendo cigarros desesperadamente. Do ponto de vista de um escritor da Era Dourada ou Victorian Age, Walter Bagehod, ele identificou que o mistério da família real é o elemento-chave para o apelo permanente, para que o antigo credo persista de que se a luz do dia brilhar na elusiva família Real, o etéreo feitiço será quebrado.

Na série "The Crown", uma nova, e meticulosamente pesquisada série de 10 partes (com mais séries planejadas) comissionadas pela Netflix, irá somente incendiar a obsessão alheia. Abrangendo os anos do casamento da Princesa Elizabeth em 1947 até a Crise do Suez em 1956, o escritor Peter Morgan e diretor Stephen Daldry oferece-nos um convite inédito para ficarmos de olho na Realeza e assistir, extasiados a simplicidade dessa extraordinária família. "A família que nós idealizamos e os compromissos que temos que fazer no dia-a-dia nos conectam com o dilema de Elizabeth Windson e Elizabeth Regina," diz Morgan.

Porém, muita realidade, mesmo que seja tentadora, é também perturbadora. Como o distinto, historiador constitucional Vemon Bogdanor explica, “nós projetamos ideais e valores na família real que nós gostaríamos de impor a nós mesmos. Nós precisamos de alguém que esteja acima de nós nessa era secular.”

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A gente dá boas risadas assim como ficamos intrigados e culpados em saber que a Rainha e o Príncipe, quando sozinhos no palácio de Buckingham e sem as vestimentas reais não são mais do que meros cidadãos. Quando tiram uma foto da princesa Margaret em seu banho com sua enorme tiara, sentimos que ela está tão próxima de nós, fazendo algo que todos nós fazemos, porém com um pouquinho de diamante que a separa da gente.


Maria Luisa Martins

Professora de Inglês, escritora, tradutora e revisora e apaixonada por linguística. Adora falar de cinema, música, literatura e temas afins. Acredita que a escrita pode mudar o mundo e por isso ela o faz.
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