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Não gostaria de entrar e tomar uma xícara de café?

Mariana Matutino

Geminiana, impulsiva, viciada em café e sorrisos.
Gosto de ler e às vezes escrever.

Braços Abertos

Abrimos os braços para os refugiados da Síria, a foto do menino afogado sensibilizou a muitos. Mas, não roubem nossos empregos, não façam riqueza aqui e, assim que possível voltem para a Síria – são os recados velados por trás de muitos comentários nas redes sociais.


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O Brasil, através da declaração via internet da presidenta Dilma do dia 07/09/2015, reafirma sua compaixão perante os outros países. Dilma garantiu que o Brasil tem "braços abertos” para os refugiados e insistiu a disposição do governo de receber aqueles que, expulsos de suas pátrias, para aqui queriam vir, viver, trabalhar e contribuir para a paz e prosperidade do Brasil. Isso gerou um misto de solidariedade e revolta nas redes sociais. Estamos passando por uma crise econômica e o desemprego assola muitos lares brasileiros. Como estrangeiros poderiam poderão viver, trabalhar e contribuir com o país?

O Oriente Médio sempre foi uma região marcada por conflitos de interesses ideológicos e políticos. Os refugiados, que deixaram seus lares, empregos e, em muitos casos, perdem a família estão em busca de paz. Mas, poucos pensam em como seria ter seu país dominado por um grupo ditador, fortemente armado, que coloca a segurança dos civis em risco. Poucos pensam na mãe e pai de família tentando proteger os filhos e a própria vida em meio ao caos. As famílias que conseguem fugir disso muitas vezes acabam enfrentando problemas para entrar em muitos países e, acabam vendo o Brasil como uma única opção.

O Brasil é um país tropical, bonito por natureza. Com muita gente solidária e gente preconceituosa. Possui um passado de muitas raízes e culturas. Terra original de índios, que foram convertidos à força por colonizadores portugueses; lar posterior de mão-de-obra escrava e de muitos imigrantes europeus e orientais. Os brasileiros buscam condições de uma vida melhor e, com esse pensamento muitos migram de um estado para outro; fugindo da fome, da seca e da miséria.

Com êxodo rural, muito comum em nosso país, temos o grande aumento dos problemas sociais e estruturais nas áreas urbanas, como o desemprego, pois o mercado de trabalho não consegue absorver todos os trabalhadores que, muitas vezes, não possuem uma qualificação profissional; o subemprego, onde as pessoas acabam desempenhando atividades sem vínculo empregatício para garantir a sobrevivência; o crescimento das favelas, com a falta de dinheiro as pessoas se submetem a ocupar as áreas periféricas, muitas vezes áreas de risco e, por fim há o aumento da marginalização, com a falta de oportunidades e perspectiva surgem as atividades ilícitas, o tráfico, as quadrilhas...

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Abrimos os braços para os refugiados da Síria, a foto do menino afogado sensibilizou a muitos. Mas, não roubem nossos empregos, não façam riqueza aqui e, assim que possível voltem para a Síria – são os recados velados por trás de muitos comentários nas redes sociais.

Até onde vai a solidariedade e a compaixão do brasileiro? De um lado temos dezenas de igrejas, ONGs, pessoas de bem acolhendo refugiados, que estão se virando como conseguem, vendendo comidas típicas, aprendendo o português aos poucos e, se misturando com a nossa cultura multiétnica. Não estão vivendo, estão sobrevivendo. Como muitos brasileiros que pagam altas taxas de impostos. Brasileiros que não aceitam, egoisticamente ou não, dividir o “pouco” que têm com os OUTROS.

Será excesso de seriedade ou pessimismo? O Brasil, com todos os problemas geográficos, políticos e sociais, continua com seus braços abertos, como na estátua “Cristo Redentor”.


Mariana Matutino

Geminiana, impulsiva, viciada em café e sorrisos. Gosto de ler e às vezes escrever..
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