mariana matutino

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Mariana Matutino

Geminiana, impulsiva, viciada em café e sorrisos.
Gosto de ler e às vezes escrever.

Intransigência Cibernética

Talvez a razão da banalização da sociedade sejam as redes sociais. Tem-se a internet com dezenas de fontes à nossa disposição, porém compartilhamos e concordamos com o que nossos “amigos” publicam e não conferimos a origem. Assim as redes não ajudam a desenvolver a inteligência necessária para entender o mundo em que vivemos.


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Com a popularização da internet e o maior acesso à informação, houve um crescimento nos casos de intolerância, preconceito e ódio. As redes sociais que foram criadas para conectar pessoas, diminuir distâncias, favorecer trocas de experiências, nem sempre são utilizadas de forma positiva; acabaram se tornando local para a propagação do preconceito. Nesse espaço um comentário pejorativo pode transformar a vida de uma pessoa e até gerar traumas.

Talvez a razão da banalização da sociedade sejam as redes sociais. Tem-se a internet com dezenas de fontes à nossa disposição, porém compartilhamos e concordamos com o que nossos “amigos” publicam e não conferimos a origem. Assim as redes não ajudam a desenvolver a inteligência necessária para entender o mundo em que vivemos.

Historicamente a partir da segunda metade do século 20 a tecnologia teve o seu grande upgrade, o resultado disso foi uma tecnologia elaborada e um ser humano intelectualmente trivial. Atualmente vivemos uma espécie de niilismo, onde as nossas crenças e valores tradicionais tornam-se infundados e perderam o sentido ou utilidade. Com o incentivo ao aumento da violência, nas divergências e discussões online, podemos atingir o caos.

Na internet, onde as pessoas expressam sua opinião acerca de variados temas, inclusive a vida cotidiana, as pessoas têm a falsa proteção do anonimato e, com esse pensamento, propagam o ódio gratuitamente, atingindo pessoas das mais diferentes formas; refletindo o pensamento de uma sociedade que se diz pacífica, porém é cheia de preconceitos. A tolerância até existe, desde que grupos menores não tenham visibilidade.

As redes sociais podem ser utilizadas para a discussão de problemas sociais, econômicos e culturais. Porém a discussão, muitas vezes, acaba tendo um rumo negativo e preconceituoso. Talvez com cidadãos mais instruídos, com maior incentivo e acesso à leitura, informação e uma consciência crítica da realidade, as redes sociais deixem de ser palco para declarações de ódio e preconceito. Talvez aumentando a punição dos crimes cibernéticos, mudando a cultura do respeito na internet, possamos diminuir esses crimes. Nas redes sociais todos podem ser vítimas da cultura do ódio. Lembrando que: a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional são práticas criminosas. Mas, são considerados de pequeno potencial ofensivo, com penas de no máximo dois anos de reclusão, passíveis de serem transformadas em multa ou prestação de serviços comunitários.

Quando as redes sociais são usadas para a discussão da política, há a formação de grupos extremistas e intolerantes. Seus participantes, na maioria das vezes, cegos pelo ódio atacam qualquer opinião divergente. Mas, poucas pessoas tem consciência de que na rede as informações podem ser manipuladas que os filtros automáticos podem ajudar com a formação da opinião sobre determinados fatos. Se a timeline do facebook, por exemplo, é montada conforme os dados do usuário, que vê e compartilha mais de determinado assunto, mais desse determinado assunto é mostrado. O conteúdo é personalizado e previamente filtrado, o algoritmo exclui o que não é “adequado” aos nossos perfis. Os filtros são criados matematicamente, sem nenhuma reflexão a respeito dos gostos ou preferência reais dos usuários. Assim, a divergência de opiniões tende a sumir da nossa timeline.

Unindo filtros “inteligentes” à correria da vida contemporânea, temos a tendência de absorver somente aquilo que é dado como verdadeiro. Viramos consumidores passivos de informação, justamente como é feito com a TV, sem interagir diretamente com os fatos. Acabamos por concordar que tudo o que aparece é verídico, afinal de contas todos têm a mesma opinião, com uma informação repetida inúmeras vezes e, dependendo do grau de polêmica temos uns mais revoltados que outros, aumentando o sentimento de ódio sobre determinado assunto, diminuindo o tempo de reflexão sobre o tema.

Assim, nos tornamos especialistas na nossa própria opinião e, criamos um exército de pessoas que concordam, sem saber exatamente o porquê estão concordando ou estão se envolvendo. A tecnologia em si não é boa ou má, bom ou ruim é o uso que fazemos dela.


Mariana Matutino

Geminiana, impulsiva, viciada em café e sorrisos. Gosto de ler e às vezes escrever..
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