mariana matutino

Não gostaria de entrar e tomar uma xícara de café?

Mariana Matutino

Geminiana, impulsiva, viciada em café e sorrisos.
Gosto de ler e às vezes escrever.

narcisos digitais

As redes sociais ultrapassaram a sua função original de entreter e formar relações pessoais. Agora são uma forma de cobranças à empresas e até mesmo o próprio governo, além do principal modo de exibicionismo gratuito para alimentar os nossos egos.


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As mídias sociais são muito mais que um simples espaço de interação entre conhecidos que podem vir a ser “amigos” ou velhos amigos da vida “real”. São também um lugar de autoafirmação, de construção de identidade, de exibição, de voyeurismo e, também disputa de egos, com fotografias, mensagens, vídeos, música... Utilizadas para facilitar as relações entre as pessoas, ao mesmo tempo em que potencializam egos, as diferenças, o encontro entre os iguais, um olhar mais para si, ou pelo menos para as próprias fotos. Alguns mais narcisistas que os outros, apaixonados pela sua imagem ou por aquilo que querem projetar ou simplesmente “compartilhar” com os “amigos”, postando ou não, o que lhe convém.

O narcisismo de certa forma ganhou cada vez mais espaço nas atuais mídias sociais, com postagens do tipo: “#lookdodia”, “#instafood”, “#makedodia”, com seus “likes” voltados totalmente para alimentar o ego de quem postou. Provavelmente incentivando postagens de mais conteúdo desse tipo e fazendo com que as pessoas passem mais tempo se autopromovendo.

Narcisismo faz alusão a Narciso, personagem da mitologia grega que se afoga ao admirar sua beleza no lago. As redes sociais também “afogam” muitos apaixonados por si; narcisistas podem se tornar cada vez mais repudiados, perpetuando assim suas inseguranças pela falta de habilidade em lidar com suas questões pessoais. Vale lembrar que o narcisismo, nada mais é do que um mecanismo de compensação psicológica, onde indivíduos com baixa autoestima necessitam de maior aprovação, pois ela neutralizaria os sentimentos de insegurança. Porém, quanto mais inadequada essa pessoa se torna perante o grupo, por exigir afeto demasiado, mais evitada ela se torna, gerando assim um efeito rebote de maior rejeição social. Onde o ego nos levou?

Em meio a tantas manifestações de exibicionismo e inveja, será que as redes sociais são apenas um reflexo – concentrado – de nossos piores instintos? Em defesa das redes sociais, é preciso enfatizar que a tendência para se gabar não apareceu com a tecnologia. Com ou sem internet, estima-se que o objetivo de 40% de nossas falas diárias é fornecer informações para os outros sobre nós mesmos e expressar nossas opiniões sobre o mundo. Por meio de uma pesquisa, realizada em Harvard, nos EUA, descobriu-se a razão disso, quando as pessoas respondiam perguntas sobre elas mesmas e sobre outras personalidades, famosos. Quando as respostas eram pessoais, uma das áreas cerebrais associadas à sensação de recompensa era ativada. Isso não acontecia quando as questões versavam sobre outras pessoas. Em etapas posteriores do estudo, os voluntários chegaram a recusar dinheiro para falar sobre celebridades. Preferiam falar sobre eles mesmos, de graça. “Falar sobre nós mesmos desperta um tipo de recompensa primitiva, semelhante à sensação de comer e fazer sexo”, escreveram os autores da pesquisa, liderada pelo neurocientista Jason Mitchell.

Em contrapartida, se por um lado as redes e mídias sociais nos levam ao individualismo, expondo nossos “feitos heroicos” em troca de likes, há outra parcela delas que são voltadas para a vida em comunidade, são as famosas mobilizações sociais.

De fato, as redes sociais ultrapassaram a sua função original de entreter e formar relações pessoais para se tornarem o principal instrumento de cobrança de posturas éticas do poder público e de empresas privadas, de organização de manifestações de cunho político, cultural e social, ou simplesmente de divulgação e/ou posicionamento contra determinadas práticas como, por exemplo, maus-tratos aos animais, o hábito de dirigir embriagado, projetos de lei que não atendem aos interesses da sociedade como um todo, entre outras.

As causas políticas talvez sejam a melhor forma de exemplificar os sucessos e os desafios que as mídias sociais enfrentam e vão enfrentar. A internet inegavelmente se tornou a nova praça pública da sociedade, e tem se constituído em um espaço democrático de discussão. Todos os que têm acesso a um computador com internet podem expressar suas opiniões acerca de um fato, independentemente de suas condições sociais, posições políticas ou grau de escolaridade. E a constante mobilização das pessoas na rede tem mostrado uma realidade inquestionável: as pessoas querem debater política, querem ser agentes ativos nos projetos políticos de suas cidades. Como os espaços originalmente criados para este fim – os órgãos legislativos, como as câmaras municipais e as assembleias legislativas – não têm cumprido suas funções, as pessoas tem encontrado na internet, em especial nas redes sociais, a possibilidade de terem suas vozes ouvidas.

Tudo isso nos leva à reflexão sobre as atuais facilidades que temos em comunicação de forma geral. As mídias sociais atualmente são utilizadas tanto como autopromoção como a “luta” pelas nossas ideologias, podemos nos “ligar” à tudo que é de nosso interesse com grande velocidade e facilidade. Nossos interesses sociais, políticos e culturais estão a um click de distância, grupos com os mesmos interesses são descobertos a todo o momento e, a mobilização social, que já existia com movimentos estudantis contra a ditadura, por exemplo, ganham força com as facilidades das mídias. Quanto aos caminhos que a nossa atual realidade irá nos levar, só o futuro dirá. Será que o exibicionismo exagerado do nosso dia a dia ainda será moda daqui à dez anos? Será que nos arrependeremos de postar nossas opiniões na rede sem muitos filtros? Será que seremos punidos pelo Universo pelas “mentirinhas” contadas e “invejinhas’ causadas? No momento só nos resta pensar em bom senso sempre, não nos distanciando da essência de que somos feitos, humanidade acima de tudo.


Mariana Matutino

Geminiana, impulsiva, viciada em café e sorrisos. Gosto de ler e às vezes escrever..
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