megafone vermelho

Um pouco de cinema com um bocado de detalhes.

Pedro Lacerda

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha - MG

Quando o Videoclipe vai pro Cinema

Repetindo a mesma fórmula do primeiro A Escolha Perfeita, Elizabeth Banks estréia na direção com um filme previsível e demasiadamente comercial. Após serem três vezes campeãs universitárias de canto a cappella, as Bellas vão para a Dinamarca disputar o campeonato mundial do gênero.


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A Escolha Perfeita 2 [Pitch Perfect 2]. Dirigido por Elizabeth Banks. Roteiro de Kay Cannon. Com Anna Kendrick, Rebel Wilson, Hailee Steinfeld, Brittany Snow, Skylar Astin, Adam DeVine, Katey Sagal, Anna Camp, Ben Platt, Alexis Knapp, Hana Mae Lee, Ester Dean, Chrissie Fit, Brigitte Hjort Sørensen e Flula Borg.

Quando vi o primeiro A Escolha Perfeita, o fiz pela presença de Anna Kendrick no elenco, atriz que observo desde Amor sem Escalas e admiro desde Um Brinde à Amizade. O fato de ser um filme musical me fez querer ainda mais vê-lo. Alternando entre momentos bons e ruins, o filme foi satisfatório. Na segunda incursão pela história, o roteirista Kay Cannon escolheu seguir o manual. Introduziu uma personagem, fez o elenco viajar e reproduziu os conflitos do primeiro filme só que com uma nova roupagem.

Durante uma apresentação na qual o presidente Barack Obama e a primeira dama Michelle Obama estavam na plateia, as Bellas tem um problema que deixa Fat Amy (Wilson) seminua e pendurada em um laço no meio do palco. Após o fato, em uma sucessão de imagens que soa como uma tentativa boba de criticar a imprensa alarmista americana, o ato é cogitado como um atentado terrorista. Não precisa dizer que isso transforma as três vezes campeãs universitárias de canto a cappella em párias que precisam de alguma forma restaurar o prestígio. Para isso devem reencontrar o seu som e vencer o campeonato mundial disputado entre os músicos e musicistas do estilo que ocorrerá na Dinamarca. O filme é basicamente isso, não há nenhum outro grande conflito que valha a pena se atentar.

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O que se segue é uma repetição de clichês que a diretora estreante Elizabeth Banks (que também atua no filme) parece não ter pudor em lançar mão. A latina sofria em seu país subdesenvolvido, a personagem acima do peso tem uma autoconfiança exacerbada pois apesar de não ser “gostosa” detém uma sapiência que a transforma em uma espécie de guru das personagens centrais, a personagem negra tem personalidade forte, os integrantes da mídia são “promíscuos” e/ou iletrados e a novata é excêntrica. Não bastando todo esse amontoado de clichês, as piadas ainda são repetitivas e só despertam gargalhadas no público quando Banks se arrisca em inserir uma piada nova no longa, o que infelizmente não ocorre com frequência.

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E em meio a tantos estereótipos, qual falta? Um rival estrangeiro, e pra completar, alemão. O grupo DSM (Das Sound Machine, uma mistura trôpega de Kraftwerk com Britney Spears) são os atuais campeões mundiais que defendem o título e não perdem a chance de humilhar os rivais numa falta de corporativismo difícil de acreditar se esse não fosse um típico filme hollywoodiano. Hollywoodiano inclusive na linguagem já que o longa não hesita em mostrar a mesma coisa diversas vezes, através de imagem, diálogo e música em alguns casos. Para completar a lista de clichês dispensados ainda há a sexualização exagerada das atrizes que, sim, são muito bonitas, mas não precisavam vestir pijamas minúsculos e se meterem em uma briga de travesseiros que não serve para nada no filme, exceto ouriçar a libido dos adolescentes, público alvo do longa.

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No entanto o filme tem um mérito, como não poderia deixar de ser, que reside na qualidade do seu som. As cenas que envolvem apresentações são acompanhadas de uma trilha sonora perfeita. E esse, que poderia ser a melhor parte do filme, peca em um detalhe, o som acaba por ser demasiadamente perfeito. É inteligível que quando elas cantem o som seja impecável, afinal trata-se de algo que elas fazem com grande devoção, logo, é algo maravilhoso para elas e assim deve ser para nós que as acompanhamos na tela. No entanto, mesmo nos momentos onde elas ainda estão procurando por uma identidade sonora perdida, ou quando se sentem pressionadas por cantarem para um produtor musical, por exemplo, o som soa perfeito. Logo esse recurso se torna meramente comercial e não estilístico do filme. O som que ouvimos devia seguir o estado de espírito da personagem que acompanhamos, se ela não está bem, tem o direito de errar uma nota ou falhar a voz, o fato é que o filme não se utiliza dessa dinâmica sonora e nos entrega um áudio que lembra o de um CD de música pop, de sons retilíneos e perfeitos, que, acompanhado de uma montagem que lembra os vídeoclipes da MTV, nos tira do filme e nos coloca como telespectadores de um mero produto.


Pedro Lacerda

Pedro Lacerda, filho de Robson Lopes e Marivalda Lacerda, do Vale do Jequitinhonha - MG.
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