meio canto meio conto

Tudo é música

Thales Mendes

Leitor a caminho de publicar o seu primeiro livro. Discute música, literatura e crônicas do dia-a-dia como se soubesse do que está falando. Mas não sabe.

Fundamental é mesmo o amor, mas é importante ser feliz sozinho

Devaneios sobre o estresse, a correria, o dia a dia e a felicidade.


O que faz você feliz? A frase com cara de jingle devia ser muito mais importante do que aquela propaganda de TV nos leva a acreditar.

Sério, para pra pensar: o que te deixa feliz? Não tô falando daquela felicidade momentânea, tipo uma barrinha de chocolate no meio da tarde. Quero a felicidade que dá orgulho, que a gente sorri só de pensar nela. Sabe?

E, se puder responder, pensa mais um pouco e me diz: ultimamente, você tem feito essas coisas que te deixam feliz? Ou, pelo menos, alguma(s) delas?

Porque, não sei se é só impressão, mas as pessoas não me parecem felizes. Pelo menos, não no sentido ideal da palavra. Também não me parecem particularmente tristes, e pode ser que o problema esteja mais ou menos por aí: não se sentir triste não é, nem de longe, sinônimo de felicidade.

As pessoas me parecem, simplesmente, no piloto automático. Fazendo as mesmas coisas, do mesmo jeito, dia após dia, numa busca contínua por uma novidade maravilhosa que, com sorte, deve vir amanhã.

E ai de você se pensar em interrompê-las. Ninguém tem tempo pra ser interrompido. Afinal, a vida tá uma correria, né?

Para pra observar. Ou, se preferir, faz o teste e pergunta pra alguém:

“E aí, correria?”

Duvido dizerem “não”.

O diálogo acima é facilmente verificável num ambiente corporativo, mas também pode ser visto no nosso cotidiano. A gente passa um tempo considerável do nosso dia correndo atrás de alguma coisa, e tenho cada vez mais me perguntado que coisa é essa.

Sempre penso em ser o chato que para alguém aleatoriamente na rua e pergunta: “Por que você tá correndo agora?” “Pra onde?” “Isso é realmente o que você queria fazer?” “Isso é realmente tão urgente como você me faz crer?” e, por fim, “Isso é realmente importante?”.

Não me leve a mal. Pode ser que você me dê respostas coerentes e interessantíssimas para todas as perguntas acima e, nesse caso, reconhecerei que o problema é só comigo, mesmo.

Mas eu não sei muito bem porque tô correndo.

Talvez pra ganhar mais dinheiro. Porque preciso disso pra garantir meu futuro. Porque preciso disso pra ser feliz.

Eu preciso disso.

Preciso mesmo?

Quer dizer, a vida de homem rico não me parece tão ruim. De verdade. Mas começo a me perguntar o que eu vou fazer enquanto ela não chega. Porque tô ficando cansado de usar a felicidade do futuro pra justificar a barriga empurrando o presente.

Por que eu não posso ser feliz agora? “As coisas vão melhorar”, a gente diz, num misto de conformismo e esperança que nos ajuda a suportar o que tá ruim.“É por isso que eu faço o que faço. Porque ‘as coisas vão melhorar’”.

Como é que isso vai acontecer, contudo, ainda me é uma incógnita. A gente segue acreditando que tudo vai ser diferente, embora siga fazendo tudo da mesma maneira de sempre. Sinceramente, tenho medo de que o futuro chegue e eu perceba todo o tempo que desperdicei pensando nele.

Tá na hora de eu aprender a ser feliz. Não “por algum tempo” ou “até achar alguém legal”, mas independentemente de quando tudo isso acontecer.

Tá na hora de tirar aqueles projetos inacabados da gaveta. Tá na hora de escrever um livro, fazer uma tatuagem, aprender a dançar e passar a madrugada tocando violão.

Isso me faria feliz.

Fico pensando se a felicidade não se resume a uma simples questão de “Falar vs Fazer”. Afinal, quando você pergunta, todo mundo diz que quer ser feliz. Mas, quem tá de fato fazendo por onde, não deve ter tempo nem pra falar sobre isso.

É, eu sei, não deve dar pra ser feliz o tempo todo.

Mas dá pra tentar.

Isso dá. Felicidade.jpg


Thales Mendes

Leitor a caminho de publicar o seu primeiro livro. Discute música, literatura e crônicas do dia-a-dia como se soubesse do que está falando. Mas não sabe..
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