Tainá Viana Alves

Indecisa, comunicativa e amante da vida, sou aspirante a tentar tudo que me encanta, mesmo sem conhecer. Intensa em tudo que faço, desejo poder chegar à velhice dizendo: eu vivi tudo que poderia viver.

ME APAIXONEI POR UM FANTASMA

“Quando uma pessoa te mostra como ela é, acredite” Oprah.


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Fui cega. Completamente cega. Perdia a razão quando se tratava de você. Agia impulsivamente, naquele desespero de tentar te manter perto de mim. Acontece que isso me impossibilitou de ver com quem eu estava me envolvendo, quem era você de verdade. Já dizia Oprah, “Quando uma pessoa te mostra como ela é, acredite”. Você me mostrou, eu ignorei e me machuquei. Logo eu, que sempre dizia que não me apegava fácil. Me apeguei em um estalar de dedos.

Eu acreditei em um aglomerado de expectativas que eu mesma criei. Me apaixonei pela versão imaginária que desenvolvi de você em minha mente. Acreditei fielmente que era recíproco. E o pior é que eu nem estava preparada para isso, eu não queria me envolver. No início, tentei evitar, afinal, no fundo, no fundo, eu sabia que se mergulhasse nesse oceano de ondas fortes e misteriosas, eu iria me afogar, sabia que sairia lesionada. E sai.

A impressão que tenho é que não foi real. Que você não existiu, que não passa de um fantasma, uma expectativa criada. Que todos os beijos trocados foram em vão. E provavelmente, foram para você, mas saiba que para mim foram intensos e, quiçá, cheios de paixão. Até porque, querendo ou não, eu acabei tendo sentimentos fortes por você.

O que mais machucou foi sua partida, sem sequer dizer adeus. Foi isso que me fez perceber o quão cega eu estava. As lágrimas que escorreram quando vi que tinhas partido limparam o que estava me cegando e eu finalmente pude ver que não era real. Você não era quem eu achava e queria que fosse e, logo, eu não me apaixonei por você, me apaixonei por um fantasma, por uma idealização.

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Apesar disso, tudo passa. E é isso que me acalma. O tempo cicatriza as feridas que marcam a alma. Quando a gente menos espera, elas param de doer, mas esquecidas... Eu sei que não serão. As cicatrizes permanecem para sempre e, por um bom tempo, por mais que você não permeie meus pensamentos durante todo o dia, é em você que irei pensar quando me deitar, é teu rosto que verei quando fechar os olhos.

Doeu. Muito. Mais do que eu estava preparada para sentir. Mas a vida é assim. Qual seria a graça de viver sempre feliz, de não passar por sentimentos de angústia, dúvida, ansiedade? Se fosse tudo normal e pacífico, nós não iríamos viver com intensidade, dúvida, mistério... É como disse Guimarães Rosa: "O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem!".

Leia mais em: http://www.memoriasdeoutrora.com.br/


Tainá Viana Alves

Indecisa, comunicativa e amante da vida, sou aspirante a tentar tudo que me encanta, mesmo sem conhecer. Intensa em tudo que faço, desejo poder chegar à velhice dizendo: eu vivi tudo que poderia viver..
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