Tainá Viana Alves

Indecisa, comunicativa e amante da vida, sou aspirante a tentar tudo que me encanta, mesmo sem conhecer. Intensa em tudo que faço, desejo poder chegar à velhice dizendo: eu vivi tudo que poderia viver.

EU SOU UMA VICIADA...

Em você. E você é uma droga lícita.


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Eu era cética quanto ao amor. Não acreditava que seria possível amar uma pessoa a ponto de desejar estar apenas com ela, em todos os sentidos possíveis, tanto como companhia, quanto como parceiro carnal. Descobri da pior forma possível que eu estava completamente equivocada: amei. Amei muito. Amei tanto que doeu. Estou escrevendo no passado, mas arrisco dizer que talvez eu ainda ame.

Foi algo muito intenso e eu não estava preparada para nada do que viria a seguir. Não sei como, não sei quando e não sei o porquê me apaixonei por você. Sabe aquela frase clichê do filme “Um Amor Para Recordar”, a qual diz que “o amor é como o vento, não posso ver, mas posso sentir”? Então, acho que ela é bem útil para descrever o modo como me senti.

Quando me dei conta de que era real, de que eu realmente estava apaixonada, já era tarde demais. Todas as forças que eu tentava arrancar de mim para neutralizar o amor que sentia foram em vão. Eu estava completamente dominada pelo efeito da dopamina liberada no meu corpo ao me apaixonar. Antes estar viciada em alguma droga ilícita do que estar viciada em você, que acabou se tornando minha droga. Está aqui uma ótima definição de você: uma droga.

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Depois de muito esforço para conseguir viver sem essa droga, na luta para resistir, depois de meses de sobriedade... Eu tive uma recaída. E é preciso apenas uma recaída para que todo o processo de cura tenha se tornado inútil. Eu achava que já tinha domínio total sobre meu corpo e mente e que, se eu usasse dessa droga novamente, eu não iria voltar a ser uma dependente. Que cilada! Não só tornei-me dependente, como usuária ativa, que não procura sequer afastar-se da droga.

Mas como tudo na vida têm suas consequências, não tardou para que o uso não controlado dessa droga afetasse ativamente minha mente, corpo e até alma. O alívio que antes senti ao me afastar desta, agora tornou-se ansiedade para tê-la novamente sob meu domínio. Eu a quero a todo momento, sob qualquer circunstância. Sei que já sofri muito por esse mesmo motivo, que me deixou muitas cicatrizes, mas... Eu sou uma viciada. A paixão que sentia se tornou amor.

O pior de tudo é que eu costumava ser extremamente consciente dos riscos que tomava, mas quando se trata dessa droga, tudo se desencaixa. O que outrora parecia certo, se mostra errado. E não é como se essa droga estivesse disponível para mim sempre que eu quisesse usá-la, é um desafio tê-la. E eu quero aproveitá-la ao máximo, porque eu a amo.

Eu amo tudo que essa droga me proporciona. Eu amo o prazer físico e psíquico, assim como amo a dor. Eu amo o enlaço, o modo como ela faz com que eu me sinta. Quando meu corpo tem acesso à essa droga, sinto como se fosse uma viagem. Uma viagem tão prazerosa que eu não quero que acabe, quero que seja eterna. Quero que me leve de plutão ao sol, passando pela lua e pelas estrelas. Quero ir além do arco íris. Quero conhecer as milhares de galáxias além da Via Láctea. Quero viver como se fosse imortal, porque é assim que me sinto ao usar essa droga: infinita.


Tainá Viana Alves

Indecisa, comunicativa e amante da vida, sou aspirante a tentar tudo que me encanta, mesmo sem conhecer. Intensa em tudo que faço, desejo poder chegar à velhice dizendo: eu vivi tudo que poderia viver..
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