mensagem da garrafa

Reflete o pensamento e o trabalho do Prof. Edgard Falcão

Edgard Falcão

Engenheiro, executivo, professor, palestrante, pesquisador... Amante de viagens fora de estrada, música raiz e da natureza.

Hemingway, a Antítese

Bebeu em bares de muitas cidades do mundo como Paris, Veneza, Havana, Key West, Madrid, Cairo, entre outras..., sobreviveu a dois acidentes aéreos...
A Síndrome do meio, surfar a onda, estar contra...
Aqui Ernest Hemingway nunca bebeu...


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Estava lendo a biografia de Ernest Hemingway, escritor, aventureiro, viajante, bon-vivant.

Bebeu em bares de muitas cidades do mundo como Paris, Veneza, Havana, Key West, Madrid, Cairo, entre outras...

Esteve no Egito e sobreviveu a dois acidentes aéreos, o primeiro em um voo panorâmico que fazia junto com sua esposa, o avião caiu e eles aguardaram o socorro. O outro avião que os resgatou no dia seguinte veio a cair também, novamente sobreviveram, perdidos na savana, com cheiro de sangue salvaram-se de hienas, leões e outros carniceiros. Sinal de que, talvez, muito viveria se não viesse a se suicidar em 1961.

Gostava de Havana, lá escreveu “O velho e mar” que lhe rendeu um Nobel de Literatura.

Gostava de uma conversa o que na verdade era quase um monólogo pois falava muito.

Um sem número de lugares dizem que o Hemingway bebia ali e também por isso se tornaram famosos. Entre eles, “Harry’s Bar” em Veneza, um pequeno bar com vista para o Kilimanjaro, no Parque do Serengueti na Tanzânia, “La Bodeguita del Medio” e “El Floridita” em Havana, “Sloppy Joe’s” em Key West, “Casa Botín” em Madrid, Café Iruña em Pamplona, “Marsella” em Barcelona, “La Rotonde” em Paris e outros inúmeros botecos, bares e similares pelo mundo afora.

Mas o que me chamou a atenção é que há um bar em Madrid, que também se tornou famoso, localizado nos arcos da Plaza Mayor por exibir uma placa com os dizeres “AQUI HEMINGWAY NUNCA BEBEU” ... causa estranheza e também atração.

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É possível ver uma lição interessante quando trazemos esse fato do mundo dos botecos para o mundo corporativo.

Há uma teoria chamada “Síndrome do meio” que faz menção a um ponto nunca observado em uma análise inicial. Esse ponto é o meio.

Vale lembrar que, em sua maioria, as pessoas formam uma opinião ou juízo nos primeiros minutos de análise e depois passam o restante do tempo buscando provar sua tese ou afastá-la com fatos concretos. Essa análise inicial despreza o meio.

Observe, é comum conhecermos o melhor e o pior e desconhecermos os que se encontram posicionados pelo meio. Lembre-se olhando produtos em um supermercado.

Muitas vezes, em uma organização, estarmos associados a onda que ora está sendo surfada nos torna mais um na multidão dos seguidores. Sabedores que somos que nenhuma onda dura para sempre, sejamos nós os autores de nossa própria obsolescência que sempre começará com a construção passiva da antítese.

A Antítese colocada em momento correto chamará a atenção de quem fizer uma análise rápida. O importante é que as análises rápidas são o que presidentes, diretores, investidores, executivos fazem quando algo lhes chama a atenção e o segundo passo é solicitar a alguém que “saiba mais” sobre o tema. Aí está a oportunidade.

Foi a antítese que tornou aquele bar em Madrid famoso pois ele jamais recebeu Hemingway.

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Edgard Falcão

Engenheiro, executivo, professor, palestrante, pesquisador... Amante de viagens fora de estrada, música raiz e da natureza. .
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