mensagem da garrafa

Reflete o pensamento e o trabalho do Prof. Edgard Falcão

Edgard Falcão

Engenheiro, executivo, professor, palestrante, pesquisador... Amante de viagens fora de estrada, música raiz e da natureza.

O Habitat dos Talentos...

Aparentemente é uma tarefa simples, pode ser pensada em um churrasco com os amigos...


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Um dos problemas recorrentes nas empresas é o trato com os talentos. Como descobri-los? Como retê-los?

Muito se investe na busca de uma resposta objetiva a essas perguntas, mas invariavelmente os talentos se vão e com eles muito da expertise operacional das empresas.

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Houve um tempo que atravessávamos a vida em um único emprego, isso era motivo de orgulho e todos eram instruídos para cumprir essa trajetória. Somente os grandes talentos, natos, corriam o risco de migrar para outras estruturas.

Esses tempos ficaram no contar da história.

O mundo corporativo atualmente é pródigo em exigir que aconteça uma constante trocas de cadeiras ou melhor dizendo, dos que nela se sentam, e isso se tornou um símbolo de crescimento, de competência, quando na verdade é fruto de uma recorrente insatisfação pessoal.

Observando uma organização, nos detendo a uma análise de seus bens e direitos, chamados “ativos”, que contribuem na sua operação e crescimento, observamos que os mesmos são inseridos no contexto empresarial pelo seu valor de aquisição (valor máximo) e são desvalorizados (depreciados) com o decorrer do tempo, chegando em um momento a valer “zero”.

A mesma definição vale para pessoas, pois estas contribuem com a operação e crescimento da organização, mas com uma diferença vital, pois são “ativados” pelo seu valor mínimo e crescem com decorrer do tempo podendo atingir valores estratosféricos algum tempo depois. Isso nos leva a afirmar que a maior parte do valor da empresa nos dias de hoje é medido pelo capital humano existente em seu ativo.

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Em 1707, o almirante Shovell, um oficial inglês que atingiu o mais alto cargo da Marinha Real Britânica, calculou mal sua posição e sua embarcação, que era a nau capitã da esquadra, chocou-se contra as pedras das ilhas Scilly, como também outros 4 navios de sua frota.

Embora o conceito de latitude e longitude fosse conhecido desde o século I A.C., ainda não havia uma forma de obter sua medição precisa.

A velocidade do navio era conhecida jogando-se um pedaço de madeira na proa e medindo-se o tempo para chegar à popa, além disso, eram muitos os problemas para descobrir se iam para leste ou oeste em meio a uma manobra.

O que causou o desastre não foi a ignorância do almirante, mas a impossibilidade de se medir algo que ele sabia ser de extrema importância.

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Um drama semelhante está se desenrolando no mundo empresarial atual, pois muitas empresas têm consciência de que sua habilidade em encontrar e manter funcionários talentosos é vital para o sucesso contínuo, mas elas não têm como saber se fazem isso com eficiência ou não.

Voltando às perguntas, como descobrir e reter um talento? Essas perguntas nos levam a uma outra que, uma vez respondida, nos encaminha para a solução: “qual o habitat do talento e do que ele precisa? ” E sem rodeios a resposta é: “o habitat do talento é um ambiente motivador e ele precisa de um gestor”.

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Outro dia observei um grupo que decidiu fazer e estava organizando, em uma sexta-feira, um churrasco que aconteceria no sábado. As tarefas foram distribuídas por adoção, ou seja, cada um informou o que faria e assim todas as ações foram ajustadas. No sábado tudo correu perfeitamente, um cuidou da cerveja, outro do vinagrete, outro da carne, outro da churrasqueira, outro das caipirinhas, violão, etc. A liderança migrava a cada ato importante, a cada momento e todos colaboravam.

Não havia planilhas, cronogramas, atas, recursos, etc. Havia colaboração. Uma estrutura auto organizada em sua essência. Por incrível que pareça, essas estruturas existem nas empresas e os bons gestores enxergam sua aura, as identificam e protegem, pois elas podem acentuar as competências estratégicas da companhia. Uma visão cuidadosa faz com estes enxerguem o valor que esses grupos constituem e proporcionam a infraestrutura necessária para seu desenvolvimento.

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O gestor ouve as histórias dos participantes sistematicamente e busca permitir que eles atinjam seu potencial máximo intervindo sempre nos eventuais obstáculos.

Esses grupos ajudam a orientar a estratégia, tem iniciativa própria para novos negócios, geram soluções inéditas e rápidas, transferem as melhores práticas, desenvolvem habilidades, criam um ambiente inovador e produtivo, mas principalmente, representam o habitat dos talentos, os descobrem e os retém, amantes que são de novas e recorrentes perspectivas do aprender.

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Aparentemente é uma tarefa simples, pode ser pensada em um churrasco com os amigos...


Edgard Falcão

Engenheiro, executivo, professor, palestrante, pesquisador... Amante de viagens fora de estrada, música raiz e da natureza. .
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