mensagem da garrafa

Reflete o pensamento e o trabalho do Prof. Edgard Falcão

Edgard Falcão

Engenheiro, executivo, professor, palestrante, pesquisador na área de pessoas... Amante de viagens fora de estrada, música raiz e da natureza.

Meu Legado

Quero ser lembrado como alguém que lutou para que pessoas estivessem felizes, que comentem o que fiz, do que falei, dos sonhos que sonhei, das aventuras que vivi e, principalmente, da minha luta para ser merecedor de tudo que esse mundo me ofereceu.


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Hoje assisti a um episódio do seriado The Mentalist cujo protagonista é o ator Simon Baker e o enredo desenvolvido me levou a uma reflexão.

Uma pessoa tentou assassinar um famoso jogador de futebol americano, mas acabou por matar seu sósia que, às vezes, o substituía. Na expectativa de achar o assassino, os detetives mantiveram o fato de que ele realmente havia sido morto e o esconderam. A estratégia surtiu efeito e o criminoso foi preso.

O que me chamou a atenção foi que o famoso jogador assistiu a todas as reportagens sobre sua morte, viu pessoas próximas falarem bem dele, outras falarem mal... um privilégio de poucos: conhecer de fato seu legado e, eventualmente, poder voltar e consertar algumas coisas.

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A verdade é que o tangível é efêmero em função de sua própria tangibilidade, associe-se a isso que nascemos anônimos para, então, construirmos nosso legado e, quem sabe, morrermos como uma lenda. Me peguei pensando na possibilidade de olhar, após minha partida, o legado que deixei, saber o que as pessoas pensam de mim, o que entenderam quando me expressei de uma forma ou de outra.

A morte não me assusta pois não há como contorná-la. Meu medo é me tornar indiferente ao contexto onde vivi, sair e não deixar um lugar vazio que será logo ocupado por outra pessoa ou outro tema qualquer. Meu medo é não deixar um legado que sustente minha posição.

A diferença está em pequenas coisas, aquelas que são de difícil aprendizado pois exige sabedoria e o tempo, por vezes, cobra altos valores para sua efetiva aquisição.

Minha pergunta é: o que fiz de memorável?

legado 6A.jpg Legado 5A.jpg Quando meu pai se foi, parei para rever sua vida, aquilo que vi com meus olhos, busquei identificar seu legado e entendi o quanto isso é pessoal. O que ele deixou para mim foi diferente do que o que deixou aos meus quatro irmãos. Todos temos saudades, mas saudades diferentes. Atitudes tecem o que ficou e as atitudes são vistas de maneiras distintas a cada pessoa. O que é tangível está claro e dividido. O mesmo se deu com minha mãe.

A sensação de ouvir falar sobre nós depois de estarmos mortos é uma possibilidade real. Sabemos de nossos méritos e deméritos. Somente nós sabemos se somos merecedores ou não de alguma coisa e isso, uma vez analisado, pode nos permitir saber o que pensam de nós quem nos conhece, quem conosco compartilha um mesmo espaço.

Na verdade, sabemos quase tudo sobre nós e podemos, portanto, decidir como agir. A parte que nos resta conhecer, com certeza, haverá quem nos defenda em algum momento.

Creio que o importante seja termos lucidez suficiente para avaliarmos nossa conduta ainda com tempo de alinharmos com nossos objetivos futuros: o nosso legado.

E por mais elementar que pareça, essa reflexão me levou a uma conclusão tão óbvia que, imagino, deveria ter começado por ela, ou seja, é preciso que tenhamos um propósito na vida. Simples assim. E o propósito diz respeito somente à vida de cada um, o que cada um fará dela.

Na prática, devemos ter um propósito que não é um objetivo ou uma meta porque isso é mecanicista demais, está além. É o momento em que conseguimos fazer, agir, perseverar em coisas que podem permitir a felicidade de outros que, em última análise, é nossa própria felicidade.

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Quero ser lembrado como alguém que lutou para que pessoas estivessem felizes, que comentem o que fiz, do que falei, dos sonhos que sonhei, das aventuras que vivi e, principalmente, da minha luta para ser merecedor de tudo que esse mundo me ofereceu.


Edgard Falcão

Engenheiro, executivo, professor, palestrante, pesquisador na área de pessoas... Amante de viagens fora de estrada, música raiz e da natureza. .
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