mesa na varanda

Puxa uma cadeira, pega uma taça e vamos inventar o mundo

Diego Brígido

Outras paixões: vinhos, jazz e plantas. Aromas de vinhos, sopros de sax e cheiros de plantas.
Há lugar melhor para vivenciar tudo isso do que em uma Mesa Na Varanda? Puxa uma cadeira, chega mais.

Menos glamour, mais vinho

Mania essa que a gente tem de glamourizar aquilo que pode ser simples. As boas coisas da vida estão nos momentos mais despretensiosos e menos protocolares. O que nos afasta destas experiências de deleite é a barreira que nós mesmos criamos inventando cerimônia onde deveria haver apenas entrega.

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Mania essa que a gente tem de glamourizar aquilo que pode ser simples. As boas coisas da vida estão nos momentos mais despretensiosos e menos protocolares. O que nos afasta destas experiências de deleite é a barreira que nós mesmos criamos inventando cerimônia onde deveria haver apenas entrega.

O vinho é destas experiências que adoramos burocratizar. A taça, a rolha, a uva, a harmonização e a safra são obstáculos que a sociedade coloca entre nós e a bebida de Baco, como se nos dissesse: ‘ei, se você não entender disso tudo, sua experiência com o vinho será traumática’. E, na maioria das vezes, é.

Assim como acontece com quase todo adolescente, minha vivência com as uvas começou com os vinhos de garrafão. O abridor era improvisado, as taças eram copos descartáveis, a harmonização era com salgadinho de pacote e ninguém imaginava que havia mais de uma espécie de uva e, muito menos, o que significava safra. E era bom. Porque mantinha os amigos reunidos, contando histórias, despertava paixões e, sobretudo, nos fazia dormir como anjos.

Muitos anos depois me permiti experimentar os tais vinhos secos, acreditando que era chique ter algo para servir às visitas. Foi difícil acostumar com aquele gosto ‘amargo’ na boca, até finalmente passar a apreciar a tal tanicidade. Então, vieram as aulas na faculdade, o interesse por este apaixonante universo, o curso de vinhos, os amigos que entendem do assunto e as deliciosas conversas sobre uvas, terroir, regiões vinícolas e harmonizações.

O gosto pela gastronomia foi apurando com os anos e trouxe junto oportunidades de provar vinhos em restaurantes, adegas, empórios e vinícolas. O prazer de ter uma taça na mão aumentou no mesmo ritmo em que aprendi que na vida tudo é questão de costume. Meu paladar se acostumou com as cabernets, malbecs, chardonays, tempranillos e tantas outras. Tem espaço para todas elas nas minhas experiências, desde que eu me permita.

O prazer que o vinho me proporciona é muito maior que o glamour do ambiente onde eu vou desfruta-lo, porque o próprio vinho é a experiência. E não importa a safra, a uva, se a rolha é de cortiça ou sintética, desde que eu goste, porque o vinho, como todas as coisas boas da vida, é bom quando te dá prazer.

Eu tenho um ritual. Às sextas à noite me permito desfrutar de uma garrafa, sentado numa cadeira de praia, no quintal, com meus três pets. Preciso cuidar para que eles não derrubem a garrafa, para que não caia pelo na taça e dividir minha atenção com eles. Puro glamour, hein! E quer saber? Nenhuma experiência com o vinho é tão prazerosa, para mim, como esta.

Este artigo também foi publicado na Revista Nove Cidades


Diego Brígido

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