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Mari Mor

Aprendiz da natureza! Uma observadora e pensadora do Universo, consciente de que em tudo há o bem e o mal, o certo e o errado, tudo muda, o tempo todo.

A Teoria de Tudo

É impossível não encarar o filme como comercial ao invés de biográfico, pois é muito superficial no tema principal, que seria um aprofundamento sobre sua luta contra a doença detectada aos 21 anos, em contrapartida a genialidade e de que forma isso o trouxe até aqui. O médico lhe deu dois anos de vida depois do diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), que paralisa os músculos do corpo sem, no entanto, atingir o cérebro e Stephen Hawking está aí, com 73 anos.


“A Teoria de Tudo", filme de James Marsh é baseado no livro “Travelling to Infinity: My Life with Stephen”, sem tradução para o Português, escrito por Jane Wild, com quem Hawking foi casado por 20 anos.

O drama retrata a vida do físico britânico Stephen Hawking (Eddie Redmayne) e relembra as primeiras descobertas do futuro cientista, na Inglaterra dos anos 1960, mostrando uma história de amor cercada de paciência e determinação, que ele teve com sua primeira esposa, Jane (Felicity Jones).

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O filme, no entanto, mostra de forma muito breve sua trajetória como grande físico, ele que sem dúvida é o cientista mais famoso do mundo na atualidade. Ao assisti-lo é impossível não encarar o filme como “comercial” ao invés de “biográfico”, pois é extremamente superficial no tema que mais interessa, que seria um aprofundamento sobre sua luta contra a doença detectada aos 21 anos, em contrapartida a sua genialidade e de que forma isso o trouxe até aqui. O médico lhe deu dois anos de vida depois do diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), que paralisa os músculos do corpo sem, no entanto, atingir o cérebro e Stephen Hawking está aí, com 73 anos.

A atuação maravilhosa de Eddie Redmayne nos mostra um Hawking engraçado, charmoso e obstinado, que tem o grande sonho de encontrar uma única equação, capaz de explicar o funcionamento do tempo. Porém o grande impacto da descoberta da doença e o prognóstico de que teria pouco tempo de vida o fazem entrar em conflito com o próprio tempo, seu maior fascínio, ele então resolve acelerar seus estudos para completar a tese de Doutorado, como se soubesse que por meio dela ofereceria à humanidade algum conhecimento único e imprescindível.

Hamking, após diagnosticado, tenta afastar-se da jovem Jane, sem sucesso, ela que decide ficar ao seu lado, mesmo sabendo das implicações e dificuldades que a doença dele lhe trariam.

O filme mostra rapidamente como Hawking tornou-se referência nos estudos sobre o tempo e o universo, levando suas questões sobre o Big Bang e o buraco negro para muito além do meio acadêmico e popularizando suas teorias. Seu livro “'Uma breve história do tempo' (1988), virou autor best-seller, chegando a venda de 10 milhões de exemplares, sendo esse o primeiro de vários outros.

A grande questão de 'A teoria de tudo' é que o filme se mantém superficial, fazendo com que nenhum dos dramas dos personagens se aprofunde. É superficial quando se trata das crises de Hawking devido à doença (apenas uma cena na ópera); a crise conjugal é aparentemente desenhada pela presença do professor de música e sua constância junto a família e de forma devotada ao Físico, já em estado avançado da doença. É um belo retrato de um homem fascinante e admirável, mas não sai da superfície, transparecendo um certo “medo” de mergulhar mais fundo e não ser compreendido pelo público, por tratar de assuntos ininteligíveis pela maioria das pessoas. Nem mesmo a questão da sua genialidade é aprofundada de forma a dar valor ao drama.

Deixa uma sensação de “esperava mais” ao final do longa-metragem, permanecendo pontas soltas, mesmo sendo "baseado em personagens reais", percebe-se claramente que certos fatos foram dramatizados, enquanto outros simplesmente suprimidos, haja vista a pouca profundidade com que trata os conflitos. James Marsh parece incapaz de colocar nas telas o espírito genial de Hawking na questão de investigação científica, talvez pela dificuldade do tema.

Há, no entanto, que destacar a ótima trilha sonora de Johann Johannson, ponto alto no filme, que sem dúvida valoriza a obra, tornando impossível não emocionar-se em algumas cenas de puro enlevo. A ambientação das locações, vestimentas, tudo está de acordo com a época e o local, dando uma sensação de veracidade nas cenas, porém para quem como eu, esperava se enlevar com a história de um gênio da atualidade, não aconteceu. O filme está mais para uma história de amor, marcada pelas dificuldades de uma mãe com seus três filhos e um marido doente.

No final das contas, este é o grande pecado do longa: criar mais interesse pela performance de Eddie Redmayne do que pelo notável homem que a inspirou e dar um “atestado de absolvição” a esposa que, depois de 20 anos, separa-se do marido paraplégico para viver seu amor com o professor de música. Esperava mais desse filme que, não demorará, será esquecido.

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Mari Mor

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