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Reflexões da vida cotidiana

Fabio R. Marques

Agrimensor, Projetista e Gamer. Do coração do Brasil para o mundo

Super-heróis no cinema. Os deuses estão entre nós?

Cada vez mais os super-heróis estão nos cinemas. Com roteiro fácil e personagens já conhecidos pela maioria do público, Hollywood aposta neste nicho de filmes, pois o retorno financeiro é garantido. Fórmula repetida e pouca criatividade são argumentos que muitos utilizam para menosprezar esse estilo de filme. Será que todos os filmes desse gênero podem ser considerados apenas como filme pipoca?


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Amados por uns, odiados por outros, filmes de super-heróis causam grande impacto nas pessoas. O teatro que nasceu na Grécia Antiga retratava os deuses como Zeus, Dioníso, Atena e tantos outros interagindo com pessoas comuns. Estas deidades antigas têm muito em comuns com os super-heróis do século XX. Possuem algum super dom (poder) ou representam alguma força da natureza. Interagem com pessoas comuns e são admirados por elas.

Algo que era evidente desde o período helenístico, até em nossos dias, é a paixão das pessoas por essas figuras. Os deuses eram adorados por milhares de pessoas, já os super-heróis possuem fãs. O fã do super-herói trata-o como sendo ficção, mesmo que esse herói seja alguma divindade, a exemplo o super-herói da Marvel, o Thor. A diferença entre o real e o imaginário, entre a adoração e fanboyismo é o que separa deidades adoradas e idolatradas dos personagens de ficção. O desenvolvimento da ciência foi crucial para acabar com o reinado dos deuses.

Antigamente, o mundo não era explicado pela ciência. Normalmente, atribuía fenômenos físicos, ambientais e climáticos a divindades. Com o passar do tempo a ciência foi se desenvolvendo, de forma lenta e progressiva. O homem começou a pesquisar cada fenômeno, cada elemento químico e verificou-se que existe uma explicação cientifica para tudo. Perdeu-se o encanto pelas figuras míticas, perdeu-se a adoração dos deuses e iniciou o caminho para a tecnologia humana.

1024px-Acròpoli_d'Atenes,_temple_d'Atena_Niké.JPGTemplo de Atena Nice - Grécia

Mas qual tipo de indivíduos que ainda poderiam amar algum personagem fictício, mesmo sabendo que ele não é real? Crianças claro! Sim elas foram as responsáveis pela aceitação dos deuses do século XX: os super-heróis. Seja pela fuga da realidade, pela simplificação da figura do bem contra o mal, as crianças amam tais personagens. Através de desenhos, histórias em quadrinhos, games, elas acompanham os seus personagens favoritos bem de perto. Quer um exemplo? Pegue dois cadernos com folhas e tamanhos iguais. Em um deles coloque, na capa, um super-herói que a criança goste. No outro coloque uma gravura qualquer. Qual a criança irá escolher? Sem dúvida, a maioria escolherá a do super-herói.

Mas as crianças crescem, tornam-se adolescentes e depois adultos. Alguns ainda gostam de super-herói, outros nem tanto assim. Mesmo as que não gostam mais de super-herói, em sua maioria, nutre algum sentimento nostálgico por eles. Mas por que não tem filme de tal herói? - raciocinam alguns. Hollywood aproveitando-se deste desejo transformam estas expectativas em filmes. Com isso satisfazem os desejos de tais fãs e conseguem um capital considerável. Quando o filme ou serie tem qualidade, ela ultrapassa a barreira do simples entretenimento e torna quase uma deidade do mundo pop. Mesmo quando a obra não tem qualidade, não é o personagem central que cai no descrédito. São os produtores, atores e diretores de tais filmes que ficam com o resultado negativo de seu trabalho.

Vieilles_Charrues_Super-heros_2012.jpgSuper-heróis atraem crianças, jovens e adultos

Podemos ilustrar este caso nos filmes do Batman. No final dos anos 80 tanto Batman (1989) e Batman Returns (1992) foram um sucesso de público e crítica. Batman foi retratado de forma sóbria e séria. Nem lembrava a serie de Batman do Adam West (1968). Os filmes do Batman que seguiram após estes dois sucessos não atingiu a expectativa dos fãs. Batman Forever (1995) e Batman & Robin (1997) foram uma tentativa de aproximar os super-heróis do público infantil. Porém esses filmes não agradou os fãs mais tradicionais. Eles mais pareciam ser o somatório da serie de TV de 1968, com estes filmes recentes e escola de samba. Boom! Essa mistura era impossível de agradar os fãs e os críticos. O super-herói caia perante o mais terrível super-vilão: Ganância! Foi ela que fez Hollywood produzir um filme onde tentava agradar a todos para obter mais bilheteria.

Passado oitos anos desde o último filme do Batman, eis que surge um reboot do super-herói, que mais tarde tornou-se uma trilogia; Batman Begins (2005), The Dark Knight (2008 com o excelente coringa de Heath Ledger) e The Dark Knight Rises (2012). Essa trilogia foi aclamada com grande sucesso, tanto de público como de crítica. Todos entenderam que o super-herói não era o problema e sim a direção que os antigos filmes tomaram.

1024px-Batsignal_at_Highmark_building.jpgO Bat-sinal exibido na Quinta Avenida em Pittsburgh

Agora vamos analisar o caso de outro super-herói, o Superman. O site norte americano Metacritic, clique aqui, faz avaliação da crítica especializada do cinema, dando notas para os filmes, games e outros. Dentro do site, o melhor filme de super-heróis, o que possui a nota mais alta, é o Superman ll (1981). Ele ocupa a posição 189°, estando na frente de filmes importantes para o cinema como Beleza Americana (1999) e 2001: Uma odisseia no espaço (1968, dirigido pelo fantástico Stanley Kubrick). Apesar de todos os problemas de edição do filme do Superman, isto demonstra o grande apelo que os super-heróis causam nas pessoas.

O que determina o sucesso de um filme de super-herói não é uma produção grandiosa repleta de efeitos especiais. O que é realmente significativo é um roteiro que saiba utilizar o super-herói, trabalhando com as expectativas das pessoas. Quanto mais trabalhado, mais elaborado seja o roteiro, melhor o filme se torna. Mesmo os mais críticos não podem negar um fato: cada vez mais o cinema se rende a esses super-heróis.


Fabio R. Marques

Agrimensor, Projetista e Gamer. Do coração do Brasil para o mundo.
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