meu caderno é meu espelho

Nas profundezas da superfície sob olhos de uma coruja

Domie Lennon

Calmamente ansiosa, desatenta por atenção, lentamente ágil, introvertidamente extrovertida, espontânea e uma velha sagitariana intuitiva

Os refugiados, a guerra, o troco e o estado de natureza do homem

Uma análise misturando conteúdo acadêmico e as notícias que circulam na atualidade, comparadas com a história recente de guerras e atentados contra a humanidade.


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Estima-se que, atualmente, o mundo tenha em torno de 43 milhões de refugiados.

Mas o que são refugiados?

De acordo com a Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948, feita após o fim da brutal segunda guerra mundial, qualquer pessoa que sofra perseguição ou tenha seus direitos cortados, pode gozar de asilo político em outros países. Além disso, em 1950 foi criado o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). "Em 1951, a Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados estabeleceu os fundamentos da obrigação internacional básica de não devolver as pessoas aos países onde suas vidas ou liberdade estejam ameaçadas, uma obrigação à qual os Estados Unidos subscreveu em 1968." (Fonte)

Toda esta movimentação foi em ajuda aos refugiados pelo mundo, porém devido, principalmente, à grande repercussão com a perseguição aos judeus durante a segunda guerra mundial.

O mundo vem passando por diversas mudanças, estamos evoluindo em muitos aspectos, mas às vezes parece que nada mudou.

Esta semana, vimos pela internet uma comparação entre a famosa foto da Guerra do Vietnã, onde crianças corriam nuas - pois tiveram que tirar suas roupas corroídas por napalm, um conjunto de líquidos inflamáveis à base de gasolina gelificada, utilizados como armamento militar - e a foto do menino afogado, refugiado da síria.

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Sim, essas fotos comovem muito. Porém, eu os chamo a atenção para que reflitam sobre situações como essa, ocorrendo em todo o mundo, a todo o momento. Não literalmente desta forma, é claro, mas pessoas morrendo a todo momento por guerras, tentando fugir de seus países, ou sendo vítimas do tráfico, de regimes que extrapolam as liberdades e direitos básicos dos seres humanos.

Já leram sobre a situação do Congo?

Sugiro que assistam ao documentário "Kony 2012", onde há a denúncia sobre o estupro ser uma arma de guerra dentro da República Democrática do Congo, onde estima-se que 48 mulheres sejam estupradas por hora, fazendo do país o local onde mais ocorra este tipo de crime no mundo. Em países deixados à margem do subdesenvolvimento, como na África, situações como essa são comuns. Crianças são escravizadas para virarem guerrilheiros para um sistema o qual nem sequer compreendem, mas sabem que, ao menos, terão um pão por dia para comer.

Atualmente, o que está comovendo o mundo é a situação dos sírios, que cruzam o mar mediterrâneo em busca de ajuda nos países da Europa, pondo suas vidas em risco e, como no caso do menino sírio, morrendo dolorosamente para suas famílias e para o mundo.

Como estudante de Política e Relações Internacionais, estudamos que, infelizmente, a guerra é o instrumento, em última instância, para se obter mais poder. A organização atual dos Estados é uma busca constante para a obtenção de poder e isto significa poder arbitrar sobre os demais estados suas vontades. Quando isto não ocorre internacionalmente, vemos isto acontecendo dentro dos estados, como Uganda, tendo um grande massacre entre as tribos Tutsis e Hutus. Se formos nos aprofundar na questão, vamos voltar aos grandes teóricos, ao estado de natureza do homem, onde somos, na verdade, seres ainda selvagens.

Pensem que, há menos de 100 anos, o mundo matava por territórios e domínios, pensem que, atualmente, o mundo ainda mata por religião, por interesses, por ideologias. Somos, de fato, seres evoluídos?

Cabe a nós julgar o que está acontecendo no Oriente Médio? Não! Não nascemos lá e nem fomos criados com a mentalidade deles. Eles acreditam naquilo tudo...ser um homem bomba é um ato heróico, honrando aquilo que acreditam. O que o atual Estado Islâmico está fazendo é tentar criar o seu Estado. Brutal tudo o que fazem, não? Sim! Desumano. Mas me digam se a Europa também não matou para obter domínios e atender seus interesses? Estados Unidos dizendo que a maior catástrofe da história foi o 11 de setembro. Parece que se esqueceram das duas bombas nucleares que jogaram no Japão. Parece que se esqueceram de todas as guerras que se envolveram, dos golpes de Estado que apoiaram na América Latina.

Onde eu quero chegar com tudo isto? O mundo tenta se educar, mas estamos evoluindo a passos de formiga. O Sistema Internacional mantém alguns Estados deixados de lado para sobreviverem, pois esta é a lógica do capitalismo. Para que o capitalismo ocorra, é necessária a desigualdade. Onde um ganha, o outro perde. Os Estados Unidos e Europa tomaram suas decisões com relação ao mundo. Partilharam continentes entre si de acordo com seus interesses, apoiaram regimes não democráticos em outros países para alcançarem, mais uma vez, seus objetivos e regem uma ordem contraditória, onde nas Nações Unidas, poucos compõem o Conselho de Segurança, onde estes mesmos países que compõem este conselho foram os principais envolvidos em guerras. Aquilo que hoje "tentam" evitar.

A situação síria é apenas uma parte do que vem ocorrendo pelo mundo. Esta guerra tem por trás, interesses norte-americanos, russos, iranianos e demais monarquias do golfo interessados em manter influência na região. O país se encontra em guerra civil desde 2011 e hoje já conta com mais de 130 mil mortos, sob ruínas e com condições sanitárias precárias obviamente. Sem falarmos do acesso aos direitos básicos pela população, como alimentação e água.

Passam-se anos, mas a ordem que o mundo decidiu para dividir seus poderes, acaba sustentando esta desigualdade e este abandono de certos países, disputados entre as grandes potências, interessadas em conquistarem cada vez mais influência e poder. Não precisamos observar de fora. Guerras civis, representando diferentes interesses da população dentro de um mesmo território. Será mesmo que a humanidade está evoluindo?

Vivemos em um país cheio de corrupção, mas nossa diplomacia externa sempre optou pelas resoluções pacíficas. O ser humano é sim altamente corrompível, porém, acho que nós aqui, pobres, subdesenvolvidos da América Latina, talvez estejamos, com todos os nossos problemas, em uma situação melhor do que aqueles que disputam seus interesses por meio de guerras, da força, do conflito.

Não deixo de lado o que ocorre dentro das comunidades brasileiras. Disputas por poder entre facções, estupros, drogas, violência... Precisamos melhorar e evoluir muito ainda dentro de nosso país.

Em conclusão, a humanidade ainda está muito longe de viver em paz. Nosso dever aqui neste planeta deve ser mais do que nos preocuparmos apenas com nosso bem estar. A única solução que vejo neste momento de desespero com a humanidade, é começar a mudança por mim mesma. Digo o mesmo para você, leitor.

Já que não podemos mudar ninguém, comecemos por nós mesmos e tentemos influenciar as pessoas à nossa volta para serem pessoas melhores.

Utópico né? Mas, como viver em um mundo sem esperanças? Se eu perder minha esperança, não sei mais qual será o meu papel aqui.

E isto tudo, sem contar com a possibilidade do renascimento de ondas totalitárias dentro da Europa contra os imigrantes muçulmanos. Sabemos do terror que os Estados Unidos geraram no mundo contra os muçulmanos e sabemos do medo que a Europa tem de ser "muçulmanizada".

É um grande passo na história ver a Alemanha aceitando refugiados. Porém, rezo para que esse preço que a Europa e Estados Unidos estão pagando ao mundo, como se fosse uma volta de uma trama que eles mesmos fizeram parte, não volte com maiores ondas extremistas e violentas, causando um novo caos mundial.


Domie Lennon

Calmamente ansiosa, desatenta por atenção, lentamente ágil, introvertidamente extrovertida, espontânea e uma velha sagitariana intuitiva.
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