migalhas filosófias

Um pouco de filosofia e reflexão

Hugo Honorato

Mundo sustentável requer mudança de atitudes

Estamos acostumados com toda a tecnologia criada para nos proporcionar uma vida mais longa e confortável. Todavia, urge agora repensarmos este estilo de vida, de consumo exagerado, de desperdício irresponsável, de falta de consciência com nossa casa-mãe.


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Outro dia, folheando uma revista de uma grande empresa em nosso país, li uma reportagem que tinha o seguinte título: “Por uma vida mais saudável e um mundo mais sustentável. Empregados de várias regiões contam como trocaram o carro pela bicicleta na hora de ir ao trabalho”. Veio-me o questionamento se esta prática era apenas um modismo ou iria prevalecer ao longo dos tempos. Pergunto, porque a sociedade moderna caminha a passos largos para minimizar o esforço do homem e dar-lhe um conforto maior, fabricando utensílios que o levam a ter uma vida que exija menos esforço físico, mas, por outro lado, esta mesma sociedade exige atitudes que chamamos de “ecologicamente correto”.

Neste sentido, algo me chama atenção quando me deparo com este tipo de “mudança de atitude”. Percebamos que há um véu que encobre uma contradição subliminar nestas mudanças, quando se pensa em um mundo “sustentável” e “ecologicamente correto”. É notório o apelo por uma vida que busque a sustentabilidade da terra com menos poluição (sonora, visual e física), menos desmatamentos, reaproveitamento da água, ou seja, um uso equilibrado dos recursos naturais, mas a questão é: estamos dispostos a abrirmos mão de uma vida mais confortável?

Senão vejamos: queremos diminuir as sacolas plásticas e fazemos até lei proibindo seu uso, mas levamos para casa os produtos do supermercado que são embalados, na sua grande maioria, em invólucros de plástico. Queremos ir ao trabalho de bicicleta e incentivar seu uso nas grandes cidades, mas não abrimos mão de nosso carro cada vez mais potente e luxuoso.

Queremos barrar a construção de hidrelétricas, porque elas cobrirão com suas águas uma grande área de mata verde, além de mudar o ecossistema na região, mas não abrimos mão de um bom banho quente nos dias de frio e dormir ao som do ar condicionado nos dias quentes. Queremos o fim do desmatamento de áreas para criação de gado, mas não abrimos mão de uma boa picanha em uma churrascaria.

Queremos morar no melhor bairro da cidade, mesmo que este bairro esteja superpovoado por grandes edificações que habitam, em um pequeno espaço deste bairro, várias famílias em seus apartamentos verticais que possuem ,cada, no mínimo dois carros na garagem, mas ficamos chateados e estressados com o problema dos engarrafamentos.

Queremos que diminua o uso das reservas naturais de petróleo e gás, mas não abrimos mão de viajar para conhecer mundos distantes, com a certeza de ir e voltar em poucos dias a bordo de um avião que consome centenas de litros de querosene e gasolina.

Algumas horas de apagão, devido a sobrecarga nos geradores elétricos, causam um caos nas cidades e as pessoas se desesperam até que a luz volte para retornarmos à vida que construímos, altamente dependentes da energia elétrica.

Nossa sociedade, ao longo de vários séculos, conquistou todas essas regalias (infelizmente não para a maioria) que nos dá uma vida mais confortável e mais prazerosa, embora pareça que não temos a consciência que há um custo para tudo isso. Neste século o grande debate é saber como conciliar esta vida que levamos com a necessidade de um mundo mais sustentável economicamente e ecologicamente.

Estamos acostumados com toda a tecnologia criada para nos proporcionar uma vida mais longa e confortável. Todavia, urge agora repensarmos este estilo de vida, de consumo exagerado, de desperdício irresponsável, de falta de consciência com nossa casa-mãe. Percebo que nos encontramos em um verdadeiro dilema: queremos o melhor para a terra e a preservação da natureza, mas não abrimos mão do nosso conforto pessoal. Enquanto não mudarmos verdadeiramente nossas atitudes, digo meio melancólico: “e assim caminha a humanidade”.


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