minha alma tem fome

Tomai e comei, eis aqui a palavra que entrego a vós.

Anderson Henriques

Catador da poesia cotidiana, adicto da solidão e do silêncio. Perdulário no ouvir, econômico no falar. Escrever é a estratégia para tentar me equilibrar.

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    Minha pele, meu cais.

    Através da pele que nos comunicamos com o mundo exterior, da forma mais involuntária e instintiva. A gente sente mesmo sem ver, sem ouvir, sem sentir cheiro. A pele nos faz sentir frio ou calor. A pele nos faz arrepiar de medo ou de emoção. Através da pele sentimos o outro. Na pele carregamos todas as nossas marcas, cicatrizes, rugas, sinais da infância e da velhice. Enfim, é ela a nossa fronteira com o mundo, nosso limite mais extremo, nosso cais. Há, porém, aqueles que lutam contra essa natureza e passam a vida inteira tentando reprimir essa comunicação com o mundo através da pele, através das emoções. O medo de machucar, de sangrar, pode nos afastar da alegria de sentir na pele o frescor de novos ventos. É sempre um risco.

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    Maria Bethânia, a arte que pode fazer de nós pessoas vitoriosas.

    A arte tem esse papel de nos libertar, de nos fazer conhecer melhor os nossos limites, ela promove em nós esta mágica e misteriosa força que nos impulsiona e nos faz buscar o que de melhor há em nós. Viva a arte, a arte de Bethânia. Viva a cultura popular do Brasil, que a gente ama. Esse Brasil, brasileirinho, de Bethânia.

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    Pessoas brancas tem lugar de fala quando o assunto é racismo?

    A imprescindível temática que se impôs nos ambientes de discussão em função do assassinato de um homem negro por um policial branco nos Estados Unidos, nos leva a refletir, sobre muitos aspectos, o racismo também no Brasil. A primeira questão que se me apresentou, após o incômodo e a indignação diante daquela cena, foi: “sendo eu um homem branco, posso me meter nisso? posso falar sobre este assunto?”. Posso. Mas não da perspectiva daquele que sofre, de fato, o preconceito racial. Neste sentido, não tenho, nem nunca terei a capacidade e o direito de discorrer sobre o sentir dessa dor. Não obstante, é preciso que saiamos da ignorância e da inércia, comuns aos privilegiados, reconheçamos nosso lugar de coadjuvantes nesta história de luta, tendo em mente que a indiferença é a face mais cruel e destruidora do racismo.

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    O lixo do Natal

    Após uma noite de tantos desejos de coisas boas, de tantos presentes, o que efetivamente ainda nos resta e o que já está devidamente empacotado e jogado no lixo?

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    Sobre o nascimento do menino que vai morrer

    “Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura” (Lc 2, 12)
    Não faz sentido celebrar o nascimento do Menino Jesus, sem associar e colocar em prática os ensinamentos do adulto que ele se tornou. Não se pode celebrar o nascimento sem ter em mente o motivo que o levou à morte. E, para os que creem, à Ressurreição.

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    Porque toda razão, toda palavra, vale nada quando chega o amor

    "Mas e se o amor pra nós chegar, de nós, de algum lugar, com todo o seu tenebroso esplendor? Mas e se o amor já está, se há muito tempo que chegou e só nos enganou? Então não fale nada, apague a estrada, que seu caminhar já desenhou. Porque toda razão, toda palavra, vale nada quando chega o amor..." (Caetano Veloso)

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    Almas gêmeas - se cremos, podemos fazê-las existir

    Um sonho, um devaneio, uma história sobre almas gêmeas, sobre a busca do amor, e a felicidade de encontrar alguém que intensifique a nossa capacidade de ser feliz e fazer feliz.

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    O silêncio confortável dos que se amam profundamente

    Uma relação entre duas pessoas – seja ela qual for – atinge a perfeição quando o silêncio não causa desconforto ou constrangimento. Ter com quem falar é, às vezes, imprescindível, no entanto, ter alguém que consegue se calar ao teu lado é vital. Pois é na escassez da palavra falada que os pensamentos dialogam e as almas se tornam íntimas, conversam.

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    Quando a técnica deseja ser poesia. Mas tenha cuidado! Tem muita química

    Numa época em que parece que estamos desaprendendo a conviver com o diferente, a respeitar a individualidade de cada um. Surge a pergunta: é possível que haja interface entre a técnica e o humano, entre o exato e o poético? Como engenheiro por formação e poeta por ousadia, deixei que a técnica e a poesia, que convivem tão respeitosamente em mim, fluíssem na tentativa de mostrar que mesmo a química e a física são capazes de nos ensinar muito sobre como podemos ser pessoas melhores e sobre qual o caminho para buscarmos o equilíbrio nesse mundo tão perturbado e complexo de compreender.

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    Maria Rita redescobre Elis, e os aplausos vão para o tempo!

    No espetáculo "Viva Elis - Redescobrir" em que a cantora Maria Rita fez em homenagem a sua mãe, a inesquecível Elis Regina, o Tempo foi quem subiu ao palco e nos deu um show. Ao fim do espetáculo todos aplaudíamos o tempo, "compositor de destinos, tambor de todos os ritmos". Aplaudimos o senhor da razão, que cicatriza feridas, cura dores, ameniza saudades, adormece paixões. O tempo que pode tornar banal a maior das complexidades. O tempo, este senhor tão bonito, que com uma mão tanto nos tira – juventude, beleza, pele fresca –, mas que com a outra nos dá com tamanha generosidade: equilíbrio, parcimônia, sabedoria, liberdade.

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    Felicidade de vida real tem que ser para além do "fim"

    A felicidade da gente é de vida real, precisa continuar além do momento em que a palavra “fim” surge na tela. Precisa continuar na rotina, no dia-a-dia, nos momentos que não dão ibope, nos momentos em que ninguém correria pra casa pra acompanhar a nossa novela.

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    Uma tarde no museu da língua portuguesa

    Uma experiência transcendental no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo.

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    A pele que habito - uma metáfora de uma relação de dominação

    Quem de nós não poderia citar uma relação de sequestro psicológico, emocional? Relação em que uma pessoa, mesmo não estando presa fisicamente, vê-se completamente dominada por outra. Como se sua alma tivesse sido furtada, raptada. No entanto, uma relação amorosa que aprisiona é em sua gênese uma incoerência, uma mentira patética. Quem corta asas, quem impede o voo, definitivamente não ama. Afinal o amor é, por essência, libertador.

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    A sorte de um amor que lhe faça gargalhar

    Se eu pudesse dar um único conselho que fosse, para aqueles que me são caros, eu diria: mais do que um amor tranquilo, queira a sorte de um amor que lhes faça gargalhar. Escolha para ter para sempre ao seu lado, alguém que, acima de tudo, lhe faça rir. Alguém que desperte em você a alegria. A santa e essencial alegria de viver.

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    Precisamos de um mundo mais estranho

    Existem muitas formas de encarar a vida. Ao poeta é negada a chance de escolher dentre estas muitas formas. Sua sina é ver poesia em tudo. O poeta é esse um que quer nos fazer enxergar um mundo mais belo, onde o simples, o cotidiano, o corriqueiro, e até mesmo a dor e o sofrimento, querem ser enlevados.