minha mente

Minha mente é uma árvore e minha arte são seus frutos.

Gustavo Galli

Nada além de um pensador

Por que ler?

Uma prática extremamente antiga. Seja poesias, romances, ensaios, notícias. Seja livro, jornal, revista, e-book. Seja Shakespeare ou Machado de Assis. A variedade é enorme, mas a dúvida é a mesma: por que nós lemos, afinal?


woman reading2.jpg Kenyon Cox - Nude study

Escrevi há algum tempo o artigo “Por que escrever?”, dissertando acerca da necessidade humana intrínseca de se expressar. Tratei da conexão “escritor-leitor”, dando ênfase na figura do escritor. Agora, vou abordar o outro lado da moeda e tentar compreender e fazer compreender o porquê de – além de só emitirmos – recebermos conteúdo.

Primeiramente, não podemos esquecer que existem pessoas que simplesmente não cultuam o hábito da leitura. É comum em conversas informais com conhecidos, parentes e amigos, ouvir-se a frase “Não gosto de ler porque é chato”. Mas você alguma vez já parou para refletir no porquê de algumas pessoas não gostarem de ler? Os motivos são vários...Talvez alguma decepção literária? Ou alguma leitura obrigatória de um livro maçante? Ou ainda o simples desinteresse em realmente nunca ter pego um livro para ler? Seja como for, decerto o que pode ter acontecido foi a pessoa em questão não ter achado um título digno de a cativar, surpreender, ensinar ou inspirar, pois é isso que um bom livro faz. É correto afirmar com quase absoluta certeza que todos que se interessam pela leitura já desfrutaram de um ou mais livros cujo impacto foi marcante. Eu mesmo posso afirmar com orgulho que determinados livros literalmente mudaram minha vida, meu jeito de pensar e consequentemente o jeito de eu me expressar. Assim sendo, tenhamos um pouco mais de paciência com quem afirma não gostar de ler. No fundo, eles nunca leram de verdade. Ainda.

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Eis alguns motivos de a leitura ser especial: ler é basicamente estabelecer uma conexão com alguém que tenha algo a dizer. Mais do que isso, também é beber das palavras e se deixar embriagar. É navegar por águas desconhecidas e desfrutar de tesouros escondidos em ilhotas. É assistir a uma palestra muda, adquirindo valores, formando opinião, desenvolvendo senso crítico e retendo aprendizado – aprendizado esse que pode e, principalmente, deve ser transmitido adiante. A leitura é uma arte solitária, que, entretanto, estabelece esse elo direto e atemporal de dois espíritos com o mesmo objetivo: a transmissão de informação. Chega a ser poético.

Àqueles que já leem e já conhecem os prazeres da leitura: já refletiram friamente de o porquê de cultivarem tal hábito? Já consideraram que, agora que conhecem e praticam essa citada arte, deve haver algo além da simples obtenção desses inúmeros benefícios que ela proporciona? Já tiveram a sensação profunda de que a leitura é um alimento para a alma, sendo mais do que essencial para sua ascensão pessoal, profissional, cultural e principalmente espiritual?

Um literato completo, na verdade, é aquele que lê (ouve o que outras mentes têm a dizer) e escreve (liberta sua mente para pensar sozinha e transmitir isso aos outros). Ambas as atividades devem ser balanceadas. O ciclo é simples: adquira informação, a processe, a estabeleça como verdade pessoal ou não, em seguida, transmita essa ou outras informações. Um fluxo saudável para a mente, que, como Einstein dizia: “uma vez aberta a uma nova ideia, nunca retornará ao seu tamanho original”.

Obrigado por ter lido. Agora vá escrever!


Gustavo Galli

Nada além de um pensador.
Saiba como escrever na obvious.
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