minha mente

Minha mente é uma árvore e minha arte são seus frutos.

Gustavo Galli

Nada além de um pensador

Libertem Barrabás!

Somos considerados seres pensantes. Entretanto, em muitas vezes, apenas adotamos a ideia alheia e, como gado, somos guiados por um ideal importado – e, portanto, desleal ao nosso próprio ser. Tal comportamento é mais comum do que imaginamos, e evitá-lo é mais fácil ainda.


Barabbas - James Tissot.jpg Barabbas - James Tissot

Escrevi há pouco tempo um artigo chamado “Sorria! Você está sendo manipulado!”, onde abordei alguns pontos que permitem que a manipulação de pessoas – e, consequentemente, de atitudes – aconteça. Agora, focando no pensamento humano, tratarei em específico da nossa enorme habilidade de simplesmente “irmos com a maré” – ou seja, de sermos conduzidos pela opinião e comportamento de outrem.

Primeiramente, devemos nos lembrar que nenhum ser humano é igual ao outro. Sendo o corpo apenas uma ferramenta aqui na Terra, esqueçamos a genética. As pessoas são diferentes porque as experiências, as preferências, as ambições, as influências etc. não são as mesmas. Tendo isso em mente, prossigamos.

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Quantas de suas ações seriam consideradas por você como “ilegítimas” de seu próprio Eu? Num primeiro momento, é provável que achemos que absolutamente nenhuma delas de fato o é, naturalmente. Mas analisando um pouco mais a fundo, podemos reconhecer algumas como efetivamente “adotadas”. Como exemplos de possíveis comportamentos adotados em uma sociedade contemporânea, podemos citar diversos: os políticos em quem você vota, as músicas que você ouve, os lugares que você frequenta e até as roupas que você veste. Uma infinidade de ações, atitudes e formas de pensar que, se analisarmos friamente, não passou por um processo de “digestão mental”.

Mas o que seria a “digestão mental”? Assim como o aparelho digestor do corpo humano – onde há entrada, processamento e saída –, a “digestão mental” tem o comportamento exatamente idêntico. Qualquer que seja o alimento consumido, ele passará pela ingestão, pela digestão e pela expulsão.

Para esclarecer um pouco mais, vamos dar nomes aos bois. O “alimento” seria, por exemplo, uma ideia ou comportamento. As pessoas ingerem ideias e comportamentos e não os digerem! Esse é um dos maiores problemas do mundo, e sempre foi. É uma característica dos seres humanos não digerirem informações! Eles a ingerem e a expelem, antes de seu organismo (no caso, a mente) poder realmente avaliar o que foi ingerido, retirar o que acha que é desnecessário e só então expelir. Já nos que digerem e processam as informações que recebem, a diferença está na forma de expelir o que foi consumido. Eles não expelem o que acham desnecessário, absorvendo somente para si o que foi ingerido. Eles expelem justamente o que encontraram de melhor em seu processo digestório-mental.

libertem barrabás.jpg "Libertem Barrabás!"

Aos que ainda não conseguiram entender a mensagem que estou passando, vamos citar nomes corretos, para, só então, seguirmos com um exemplo. A ingestão de ideias e comportamentos é chamada de Aprendizado. A expulsão de ideias e comportamentos pode ser chamada de Ensinamento, ou simplesmente Propagação. Já o processo mais importante – que é o digestório – tem um nome um pouco mais bonito. Inventado na Grécia Antiga – só podia ser! –, é conhecido simplesmente como Filosofia.

E quantos entre nós, efetivamente, praticam a Filosofia? O próprio ato de filosofar é difícil de ser definido. Somente quem sabe filosofar sabe que está filosofando. Ponto final. O máximo que podemos definir de filosofia é que se trata de reflexão. Refletir é a chave. Aprenda a fazer isso sozinho, e então você será um verdadeiro filósofo.

Agora, o exemplo. Suponhamos que uma pessoa te diga que é falta de educação colocar os cotovelos em cima da mesa. Ou que comer de chapéu é pecado. Ou então que se não for às missas ao domingo, irá queimar no fogo do inferno. O que você faz? Obedece. E, mais do que isso, você ainda propaga essa informação como verdade absoluta, sem ao menos ter se perguntado se há algum embasamento no que você vai repetir como um papagaio aos quatro ventos. A falta de filosofia é a maior doença da humanidade, e se você não a pratica, saiba que você é a escória de nossa espécie.

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Quantos erros já não foram cometidos por aqueles que estavam cegos de uma certeza não-processada filosoficamente? Quantas insanidades já não foram efetivadas por gados que não conseguiam refletir sobre o que lhes enfiavam cérebro adentro? E quantas mais atrocidades ainda não serão realizadas ao redor do mundo, seja nos tempos atuais ou no futuro – se é que nos restará um –? Não há dúvida – e nunca houve – de que a chave para a ascensão da humanidade reside aí, no simples ato de filosofar.

Esse vídeo ilustra bem o que eu quis dizer:


Gustavo Galli

Nada além de um pensador.
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