minha mente

Minha mente é uma árvore e minha arte são seus frutos.

Gustavo Galli

Nada além de um pensador

Os seres-humanos do futuro

Tendo em vista o estilo de vida que a maior parte da sociedade atual tem aderido, esse artigo tentará visualizar como a espécie humana efetivamente será daqui a um certo tempo. Todavia, tal análise não será focada em comportamento ou costumes, e sim num aspecto um pouco diferente: o físico.


dna shutterstock2.jpg Créditos: Shutterstock

Evolução. A chave para a sobrevivência de uma espécie. A espécie humana como conhecemos é relativamente nova, se comparada à idade do planeta ou até mesmo ao surgimento de outras formas de vida que ainda estão aqui. Todas, sem exceção, estão em um processo natural ininterrupto, que é o único responsável pela perpetuação e continuidade de suas respectivas espécies. A evolução.

O funcionamento da evolução é simples. Basicamente, ela nada mais é do que uma alteração genética que busca adaptações e aprimoramentos em decorrência do meio em que o ser vivo está vivendo. A seleção natural, por exemplo, é um dos tipos evolutivos existentes. Ela altera os genes de todos os seres vivos, e aqueles que têm uma alteração mais favorável têm mais probabilidade de sobrevivência. O urso que tiver o pelo mais branco é o que sobrevive melhor no meio do gelo, por exemplo. Mas, deixando de lado a parte teórica, vamos ao que interessa: a nossa evolução.

A primeira coisa que evidentemente mudaria é a cor da nossa pele. Não passamos mais o dia inteiro caçando sob o sol forte, como fazíamos muitos anos atrás na África, nosso berço. Logo, é desnecessária a produção de tanta melanina para proteção contra a forte luz solar. Nossa realidade agora é outra. Paredes nos protegem o tempo inteiro. Seja em casa ou no trabalho, não estamos mais tão expostos ao sol. Em breve, nossa pele seria mais esbranquiçada e frágil, devido aos meios artificiais de proteção.

Tratando-se, portanto, de meios artificiais, são eles os principais responsáveis pelas mudanças às quais estamos fadados. Além de paredes para nos esconder do sol, desenvolvemos meios artificiais para aquecer e resfriar nossos corpos. Não precisaríamos mais de pelos corporais, que nos aquecem e nos protegem de impurezas da natureza. Hoje, os pelos (ou a ausência deles) têm apenas valores estéticos. Para nos resfriar, inventamos ventiladores e ar-condicionado. Não precisaríamos, tampouco, das nossas glândulas sudoríparas. Sem suor, até nossas sobrancelhas se tornariam obsoletas, juntamente com pelos nas axilas e púbis. Até aqui, percebemos que, no futuro, nossa pele frágil e pouco pigmentada não produziria mais pelos ou suor.

No resto do corpo, poucas mudanças essenciais. Não teríamos mais tanta estatura. Não precisaríamos de tamanho (e, consequentemente, força) para nos defender. Não somos mais selvagens. Nossos corpos se reduziriam, enquanto que nossa cabeça tenderia a ficar maior, em decorrência de um cérebro maior e mais desenvolvido. Os membros, que antes eram vitais para a sobrevivência (em decorrência, novamente, da força física e da velocidade necessárias), seriam reduzidos, e a maioria dos músculos corporais se tornariam quase que desnecessários. Corpos frágeis, mentes brilhantes. Entretanto, nossas mãos se aprimorariam. Desde que elas evoluíram para mecanismos de pinça, viemos as utilizando para obtermos algumas vantagens, e foi através principalmente delas que chegamos ao ponto em que estamos evolutivamente sobre os outros animais. Mãos mais hábeis, maiores, dedos mais firmes e menos quebradiços.

Todavia, é no rosto (que não terá mais cabelo ou barba, no caso dos machos) que teríamos as principais e fundamentais mudanças. Paladar, audição, olfato e visão. Quatro de nossos cinco sentidos estão agrupados em nossa cabeça. E são eles que seriam os mais modificados.

De todos os nossos sentidos, o paladar é o mais superficial. Não precisamos mais colocar um pedaço de carne na boca para saber que está podre. Perderíamos o paladar. Pobre bife bem-passado...

O olfato, que tem função semelhante (além de servir para perceber perigos que a natureza pode apresentar), também se tornaria quase que inútil. Hoje mesmo os utilizamos mais para cheirar perfumes do que uma comida potencialmente podre. Narizes cada vez menores e menos desenvolvidos, e narinas com a única função de respiração.

A audição, que outrora era extremamente útil para perceber perigos que se aproximavam (como um predador faminto, por exemplo), também vem se tornando pouco útil às nossas necessidades. Hoje a utilizamos para nos comunicar e pelo prazer vital de ouvir música. Mas lembremos que a evolução não está interessada no prazer, e sim na sobrevivência. Para ouvir, não teríamos mais orelhas tão desenvolvidas. Simplesmente um furo em cada lado da cabeça funcionariam para captar os inofensivos sons do ambiente ao nosso redor.

Por outro lado, a visão é o sentido que mais se aprimoraria. Assim como as mãos, que usamos exaustivamente, os olhos se desenvolveriam devido ao uso cada vez mais contínuo e dependente que viemos fazendo deles. Queremos ver tudo, olhar tudo, assistir tudo. Somos seres cada vez mais observantes. Os olhos precisarão acompanhar nossas necessidades. E acompanharão. Olhe ao redor e veja quantas pessoas estão usando óculos. No futuro, óculos não se fariam mais necessários. Nossos olhos, que são verdadeiras máquinas complexas, foram originalmente projetados para caçar, para fugir, para perceber inimigos. Hoje, os utilizamos para olhar as coisas de perto. Olhar máquinas, olhar através de máquinas, ler, assistir. Não seria estranho se, então, os olhos aumentassem de tamanho, e até pudessem ser capazes de enxergar mais nitidamente, ou talvez até no escuro. Como as criaturas que vivem nas profundezas do oceano sem luz alguma, nossa visão se desenvolveria para adaptar-se às novas necessidades do ambiente e da rotina a qual pertenceríamos. Naturalmente.

É conclusivo, analisando essas mutações que aconteceriam com nossos corpos, que não há mais a necessidade de sobrevivência ou qualquer espécie vantagem animal. Que isso fique bem claro.

Por último (e não menos importante), haveria pouca distinção sexual (até mesmo fisicamente). Talvez voltemos a ser como os neandertais, que não praticavam segregação sexual. Machos e fêmeas eram extremamente parecidos. E talvez essa se mostre a maior falha na evolução do homo sapiens. Não há problema algum, afinal, em macho e fêmea saírem ambos para caçar ou ficar na caverna e cuidar dos filhotes. Pode haver um revezamento. Hoje em dia é assim. E, talvez, no futuro, as coisas voltem a ser como eram. Ou não.

Uma observação importante, que talvez esclareça um pouco as coisas: na física, a teoria da relatividade de Einstein provou que é possível realizar viagens no tempo. Mas somente no sentido Futuro. Podemos viajar pro futuro, mas nunca pro passado. Entretanto, isso é tudo que sabemos até agora. Talvez consigamos descobrir como fazer um furo no tecido do universo, o espaço-tempo, e viajar no espaço (e consequentemente, no tempo) em sentindo Passado. Assim, poderíamos, no futuro, voltar milhões de anos e olhar para nós e vermos como éramos naquela época. Mas e se já tivermos feito isso?

Abaixo segue uma imagem de como seriam os seres-humanos do futuro:

aliens shutterstock2.jpg Créditos: Shutterstock

Caso queira saber um pouco mais sobre evolução e seleção natural, clique aqui.

Esse artigo é dedicado ao professor Carlos Verdasca, por ter levantado a bola para essa teoria maluca.


Gustavo Galli

Nada além de um pensador.
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