minha mente

Minha mente é uma árvore e minha arte são seus frutos.

Gustavo Galli

Nada além de um pensador

KKKKKKKKKKK

Esqueçam essa besteira de "Geração Y", "Geração Z" e as demais que estão por vir. Estamos, na verdade, vivendo na era da "Geração K". Ou melhor, da "Geração KKKKKKKKKK".


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Com o advento dos novos meios de comunicação, cada vez mais rápidos e imediatistas, multiplicaram-se as “interações” entre as pessoas, e, curiosamente, nota-se uma redução proporcional da real necessidade desta comunicação interpessoal.

As duas maiores destas ferramentas que “facilitam tanto” a vida das pessoas e as ajudam a se comunicarem são o Facebook e o Whatsapp. Um gráfico, divulgado em abril de 2015 pelo próprio Mark Zuckerberg, demonstra que o número de usuários mensais do Facebook e do Whatsapp são de 1,44 bilhão e 800 milhões, respectivamente. Números assustadoramente enormes, representando uma grande fatia do total da população mundial, levantam a controversa questão: é realmente verdadeira toda esta necessidade que temos em conversar com os outros? Não creio que seja. A necessidade de se comunicar é, de fato, instintiva, tanto quanto uma necessidade fisiológica. Caso não nos comuniquemos, sentimo-nos abandonados, com um vazio no peito e uma sensação de rejeitados. Mas por que será que isto acontece?

Voltando às origens dos nossos instintos, a necessidade de sermos aceitos em grupos sociais é antiga, tendo sido desenvolvida com o intuito de que, em tempos remotos, não nos isolássemos de nossos semelhantes e não fôssemos mortos por potenciais predadores. Viver em grupo era mais seguro, pois evitava baixas na espécie. Muitos animais seguem este padrão.

Porém, como animais mais evoluídos e complexos que somos, era de se esperar que esta complexidade distorcesse (mais) este conceito. Sentir-se parte de um grupo não é mais um instinto de sobrevivência. Na verdade, ainda é. O instinto permanece o mesmo, mas o que mudou foi o cenário. Na maioria das vezes, não estamos mais sujeitos a predadores. Neste panorama atual em que vivemos, os maiores predadores de nossa espécie são a nossa própria espécie. Nesta sociedade "moderna" a qual estamos profundamente inseridos, não tememos mais animais selvagens, e sim seres humanos (selvagens): ladrões, assassinos e outros tipos de criminosos. Mas, como já dito, o instinto permanece ao mesmo. Se não nos sentimos aceitos no meio de semelhantes, incômodos psicológicos surgem. E é este pilar instintivo que explica os números absurdamente colossais de pessoas tentando vorazmente se comunicar o tempo todo, com o mundo todo.

Entretanto, o fato de as pessoas quererem se comunicar não é o cerne do problema. Como é um instinto, podemos até compreender e não julgar como algo malfazejo. A questão que quero abordar é a qualidade do que se tem tido como temas nessas conversações. Eu sou um universitário trabalhador de 21 anos. Minhas esferas sociais são a empresa em que trabalho, a faculdade em que estudo e lugares quase que aleatórios a que vou para, esporadicamente, me divertir. Dentro de minha esfera, tenho percebido o quão vazias as conversas entre as pessoas podem ser e têm sido. Palavras supérfluas que não alcançam altura mais elevada do que os cotidianos medíocres em que estes indivíduos estão inseridos. Poucos são os que se safam. Poucos são os que conseguem literalmente “trocar ideias”. Poucos são os que terminam uma conversação com a sensação de que aprenderam algo, ou que algum valor lhes foi agregado depois de ouvir o que outra pessoa realmente tinha a dizer. Muitas das tentativas que tenho tentado efetuar mostraram-se infrutíferas e subnutridas. Tentar conversar com alguém sobre algo interessante e não conseguir (seja por falta de interesse, cultura, conhecimento ou simplesmente algo que não sei explicar) é frustrante, mas, consequentemente, me faz valorizar ainda mais aqueles que conseguem dizer algo que valha a pena ser ouvido. As pessoas hoje em dia somente falam, mas não dizem nada.

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Mas, afinal, eu não sei se deveria atribuir aos meios digitais a culpa deste vazio intercomunicativo. É certo que, na verdade, estas novas formas de comunicação apenas aumentam a distância entre as pessoas, afastando-as do contato físico-pessoal e as aproximando de seus celulares e computadores. Mas sequer acho necessário tratar disto neste artigo. Creio que o vazio dos meios digitais de comunicação são apenas reflexo do vazio das pessoas que dele fazem uso. Pessoas desinteressadas se tornam desinteressantes e interesseiras. Bolsos cheios de celulares e cabeças vazias de ideias, kkkkkkkkkkk.

Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz.

(Autor desconhecido)


Gustavo Galli

Nada além de um pensador.
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