ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

A democracia do silêncio é indigesta para a arte

Os meios de comunicação fazem mídia;
A sociedade faz média,
E a ARTE Brasileira correndo a passos agigantados para um abismo de...
Pétalas de rosas?

"Uma nação se constrói com homens e livros”. Monteiro Lobato.


"Para não dizer que não falei das flores". Geraldo Vandré IMG_6039.JPG

A ignorância consumida pelas ovelhas com ingredientes encruados é indigesta a ponto de dar nós e engasgar a massa consumidora; por outro lado, facilita a conduta do pastor ao conduzir o rebanho; sobretudo porque as ovelhas tornam-se obedientes de atos e espírito. Ademais, democracia do silêncio é ditadura enrustida.

Diferentes ladeiras tem um único significado, porém as rampas de subida são as mesmas que descem; mas bisonhamente, rampa com significado metafórico, aqui só desce. Se isso não ocorre em outras áreas do “conhecimento”, é vista a olhos nus na arte Brasileira. Tens dúvida?

Detalhadamente e cada uma com suas particularidades, faz parte dos vagões da “locomotiva desgovernada” a Música e a Literatura escrita; porque Pintura, Fotografia, Cinema e Teatro, o país sempre foi anão raquítico em relação aos gigantes de primeiro mundo.
Excetuando a Semana de Arte de 1922, como na História, aqui tudo é movido pelos ciclos e no período dos “Punhos de Ferros” da ditadura havia movimentos artísticos consistentes, politizados e reflexivos; o que delineava a cultura por no mínimo duas vertentes: o “brega” e o “elitizado”. É correto dizer que em tudo que se faça se não é possível nivelar pelo mais alto patamar, pelo menos que seja nos intermediários, motivo da separação cultural em “brega” e o “elitizado”, nomenclatura usada na época; obviamente sem menosprezar essa ou aquela, de modo que o reflexo de ambas se traduza em ganhos culturais consideráveis para o país.

Nutrido pelo sistema da imposição do regime vigente, era este último motivava o deleite e êxtase dos rebeldes e reacionários em busca da justa causa. Nesta época a música revelou multi-instrumentistas, letristas, intérpretes, arranjadores aos montões. E sem medo de “botar a cara para apanhar”, faziam da arte alternativa a predileção pelo trabalho de tecer a inspiração interior. Obras espetaculares e efervescentes, variando do erudito ao perfeccionismo espocavam de semana em semana.

Nos tablados dos teatros, Paulo Autran que declinou do Direito para dedicar-se à dramaturgia inflamava a plateia com seu estilo, que mesclava entre o rural e o urbano, seguindo à linha deste, vinha Lima Duarte e outros. Peças como Rei da Vela de Oswald de Andrade e Navalha na carne de Plínio Marcos encostavam o gume afiado da adaga à garganta daqueles que impunham os costumes e modelos do “faça o que mando e guarda o que você sabe”; quando não: “faça o que lhe é imposto e não faça o que eu faço”.
Atualmente, o teatro segue estacionário e um dos motivos, são as novelas que raptam os que se destacam no palco, para frente das câmeras e com isto, os atores passam a ser manipulados e leitores scripts nas novelas e esquecem a autenticidade das raízes e o abrir e fechar das cortinas, as quais invariavelmente começaram a carreira artística e dramatúrgica.
Na Literatura os escritores Pós-modernos misturavam-se com os Modernistas e outras derivações, relatando em romances, contos e crônicas as furtivas histórias de uma sociedade além de problemática, deseducada e mal formada moralmente; resultando no sistema cultural, social, econômico e político, o qual o país está à mercê.
Na última fornada de escritores preocupados com a genuína e original cultura Brasileira, Ariano Suassuana e Jorge Amado anteciparam o combinado, deixando em vossos lugares alguns escritores, que embora bem intencionados, não escrevem necessariamente sobre os problemas sociais brasileiros; caso específico de Paulo Coelho que desde o livro “Diário de um Mago” retrata em seus romances as suas experiências pessoais no universo místico e por vezes, exotérico.
Cinema, Pintura e Fotografia, três estilos de arte que pouco revelou o país para o mundo. No cinema tem-se a produção de filmes, cujo enredo é baseado nas tiranias instaladas nos morros dominados pelo tráfico. Produções com pequenos investimentos para grandes terrores citadinos. Nada mais. IMG_5963.JPG

O nome expressivo na Fotografia fica por conta de Sebastião Salgado, que com seu impressionismo monocromático, traz à tona a realidade adocicada por qual o mundo passa. O Fotógrafo possui uma profusão de acervos de fotos ferinas, aos quais a sociedade espectadora tapa os olhos. Todavia, trabalhos alternativos sem incentivos econômicos e com aceitação pública moderada, desgasta o artista, levando ao anonimato e desistência, o que talvez explique o sumiço do fotógrafo. A Escultura e a Pintura ainda conseguem respirar pelas obras e trabalhos da artista plástica, Tomie Ohtak, cujo legado artístico mantém-se quieto e inanimado.

Como disse Milton Nascimento, “todo artista tem (ou teria) de ir onde o povo está”, acontece que o Brasileiro não se importa com a qualificação artística e em virtude disto, à cada segundo fica ainda mais nítido que aquilo que é de uso comum, para haver melhoria integral do sistema, tem que haver cooperação coletiva; daí, a necessidade de ação integrada e comunitária dos usuários. Mesmo com o “rolar” movediço das águas, é nesse meandro do rio que as artes desprendidas do âmago dos artistas empacam, parando quase que definitivamente; quando não, invariavelmente, dificultando ainda mais o “rolar” movediço, acumulando sujeiras e impurezas nas beiradas e não tarda, o assoreamento será inevitável e artista nenhum conseguirá fazer a manutenção e limpeza. Aí é só esperar o transbordamento do resignado e movediço rio.
“Quem desce do morro / Não morre no asfalto / lá vem o Brasil descendo a ladeira / Na bola, no samba, na sola, no salto / Lá vem o Brasil descendo a ladeira”.
A letra da música: “Lá vem o Brasil descendo a ladeira” de Pepeu Gomes, considerado melhor guitarrista da época e Morais Moreira, cantor, compositor e músico cita que quem “desce o morro, não morre no asfalto”. Isso só se for em 1979, ano em que compuseram a letra, porque atualmente morre-se nos morros, nas estradas de terra, asfalto de qualquer esquina e tristemente, muito se deve a desculturalização a qual o país passa. A americanização trouxe uma espécie de contracultura fora dos moldes conhecidos e totalmente anacrônico, pois a contracultura Beatnik foi um movimento de elevado nível cultural e contava não menos com o expressivo e visceral John Lennon.
O movimento Beat serviu de inspiração para o nome da banda de Liverpool, The Beatles e As Abelhas, quando não ferroavam a Rainha Inglesa, importunavam as mazelas sociais e os poderes do mundo inteiro. Talvez orientadas para fazer o ser humano reagir e sair da zona de conforto, vorazes voavam o mundo picando e liberando o feromônio do desassossego.
No Brasil, desde o Barroco de Aleijadinho até a Tropicália, a arte sempre acontecera nos moldes exportados pela arte europeia; originando nos meados dos anos 60 a Tropicália, cujo pano de fundo era desmistificar a arte musicada de até então e nas entrelinhas bem sutilmente, ferroar o regime vigente à época. Foi sem dúvida, um momento áureo para arte Brasileira, destaque para os festivais de música que mediam forças com a bossa nova.
Analisando friamente, racionalmente e saudosamente, pode-se concluir que o spray de pimenta e a borracha de apagar ideologias fizeram bem para a arte Brasileira, pois nos anos de “punhos de ferro”, se os olhos e o corpo choravam a chibatada, a mente fluía em divagação versejando e como resultado, eram letras de músicas consistentes, lisérgicas e acusadoras contra uma sociedade resignada pelo silêncio da imposição que dilacerava as consciências rebeldes e nada conservadoras do país.
E para aqueles que julgam a música sertaneja coisa de matuto sem o menor sentimento de nacionalismo e repúdio ao sistema vigente da época, Tião Carreiro e Pardinho, os melhores pagodeiros de viola que o Brasil conheceu e outros como eles: never more, compuseram a música “Navalha na carne”, cujo refrão diz que “É muita navalha na minha carne, é muita espada pra me furar...Muitas lambadas nas minhas costas é muita gente pra me surrar”...A dupla partiu fora do proposto, mas os seus legados estão aí para serem degustados pelos ouvidos e mentes e o melhor: não pagam nada.

Fora eles, havia muitas outras duplas "caipiras" que retratravam o descaso e o separatismo social. Dando mérito a quem merece, foram esses senhores, que através das letras e o ponteado da moda de viola notabilizaram o Nativismo e Indianismo, os quais fazem parte da segunda fase do Romantismo Brasileiro.

Para as mazelas e os poderosos da época, essa trupe, além de indesejável e aterradora, escarrava ácido. Nada mais existe e o país foi entregue definitivamente a mediocridade. A suposta arte “brega” também contribuía conceitualmente para a politização da sociedade, provando que a suposta “divisão” não foi tão consistente e verdadeira como se pregava. Num país imenso e diversificado como o Brasil, segmentos culturais e folclóricos é o que não faltam e uma protagonista em defesa desta questão foi a letrada e doutora, Inezita Barroso, que sem o menor receio das consequências e críticas da elite, a qual pertencia, enalteceu o homem de calças cortando as canelas, botas enlameadas de barro, chapéu de palha e o cigarro de fumo de rolo atrás da orelha, estigmas representativos do verdadeiro sertanejo.
“As mazelas da vida são deixadas de lado através da terapia pela arte”. Resta saber qual foi a vertente artística que o pensador tomou como referência para escrever a frase citada, porque a genuína e reflexiva arte Brasileira foi lançada à cova e coberta com uma enorme rocha; enquanto que n´outra vertente ficou a arte midiática compradas com os “jabás” e esta não exclui as mazelas; pelo contrário, usa-as para angariar prestígio e aumentar o ibope.
Tome como exemplo o alienante futebol, que não é necessariamente arte, mas que como ameba ambulante, engloba a massa num abraço caloroso e mordaz. futebol.jpg O placar está em aberto e será mais, muito mais que 7 x 1. Sentença matemática de limite tendendo a mais, contra menos infinito.
E para comungar a paz felicitada entre as mazelas, o poder público e os demais participantes da arena teatral, adota-se o clichê popular: "política, futebol e religião antigamente não se discutia; agora além dos três segmentos, englobaram a arte, ficando assim: política, futebol, religião e arte não se discute".

A linha divisória entre o bem estar dos democratas do silêncio e o mal estar da classe de reacionários é a compra dos insatisfeitos. Não necessariamente a compra e venda, mas a acomodação gerada pela caduquice na aliteração silenciosa da democracia indigesta para a arte. Com isto, inicia-se a barganha da compra do sossego e da falta de importunação; afinal não há nenhum antídoto que combata esta cadeia de inocuidade, motivo da democracia silenciosa manter-se no apogeu. E quando disserem “Lá vem o Brasil descendo a ladeira”, entenda: Lá vem o caos artístico rolando ladeira abaixo. Significados iguais para as redundantes ladeiras; mudando apenas as declividades de rampas, ocasiões e épocas. IMG_5968.JPG "A massa ainda comerá o biscoito fino que eu fabrico". Oswald de Andrade.
Povo que não reverencia suas raízes, identidades e desconhece sua História e arte representativa, será sempre povo e contrariando a ideia fantasiosa de Monteiro Lobato e Oswald de Andrade, jamais nação; porque a arte educativa e iluminadora de mentes não preenche uma nesga sequer da fome avassaladora nas barrigas vazias. Embora o artista insista em "iludir" a si e a plateia, definitivamente, ARTE não enche barriga e o motivo é a flatulência gerada pelos sintomas de uma Democracia mal digerida! Fervorosos ruídos efervescentes que em nada repercutem e sobretudo, descartáveis!
Alusivo a Monteiro Lobato: uma nação se constrói com homens, livros e arte comprometida socialmente. Arte pela arte e pela lucidez de uma nação.
PS.: Conforme a receptividade do leitor, pretendo escrever mais artigos sobre o tema, uma vez que a cultura e arte "alternativa" Brasileira é vastíssima.

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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