ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!

“Por que a gente é assim”

“Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; mas ao contrário, é o seu ser social que determina a sua consciência”. Karl Marx Até que prove o contrário, a frase “Por que a gente é assim” é de autoria de Cazuza, músico, compositor irreverente e cantor das décadas finais do século. Embora o sentido, o significado e o contexto do título da música tenha sido a sobre a exagerada e irracional paixão, apelando à sensibilidade do autor, peço licença para fazer uso do título e com ele, abrir um leque à questão de plena relevância social e originária do presente artigo.


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Como se não bastasse a inexorabilidade do tempo contra o próprio tempo, o rolo compressor dos atos humanos está avolumando-se em escala geométrica. Portanto, estendendo-a para o âmbito social, a frase seria uma afirmação ou pergunta? Isso porque, as ações que seriam estapafúrdias conceitualmente, tornaram-se meras coadjuvantes na guerra dos passos apressados contra o senso de reflexão, atributo e adjetivo que deveria vir impregnado ao DNA humano.

A vida requer, ou pelo menos deveria requerer estes atributos ; contrariamente aos preceitos, se os caminheiros pudessem, atropelariam até os ponteiros do relógio. Mensurar o firmamento no fim do túnel é mais sublime que compassar milimetricamente os próprios passos; motivo de tais desordens e atropelamentos sociais. Todavia, please, stop, pare um minutinho de correria para servir-se de uma ínfima dose de reflexão Sociológica; talvez, quem sabe, será bem digerida pelos seus sentimentos no presente e no futuro, a lauta refeição da mesa posta.

Seguimos “Canibais de nós mesmos”, ora tentando alcançar tudo que for possível com os próprios labores e suor; ora tentando a mesma façanha através dos esquemas e influências fraudulentas. Porém, qual dos preceitos pode ser considerado menos nocivo para o conjunto social?

Está muito em voga ouvir dizer (até impensadamente) que quando se consegue o que se quer através do suor e trabalho, pode-se e deve-se ter, o quanto quiser e a justificativa é que é regulamentando pelas leis e parágrafos da Constituinte e conceito religioso. O que é plausível de entendimento; no entanto, ninguém está ilhado, é um deserto de areia, e possui domínio de tudo ao ponto de dizer que toda conquista adquirida foi por e para ele. Num sistema socializado e gregário, a interação é constante e tal sistema pode ser comparado às hierarquias estabelecidas pelas demais espécies, que sem o menor senso de raciocínio, estabelecera que para haver certa harmonia entre elas, o habitat e o nicho ecológico seriam preponderantes e fundamentais para a relação respeitosa e mutual. E no ecossistema humano, como isto se dá?

A História antiga é prova cabal que desde os tempos mais imemoriais, o homem sempre buscou apoderar-se mais do que tinha necessidade e naqueles tempos, dominava quem possuía os grandes feudos. Atualmente, domina quem detém o poder do capital; sobretudo, o dinheiro é a moeda de troca entre os povos. Começou então, mesmo sem o propósito de trabalhar para se conseguir, a discórdia de saber qual suor é mais “perfumado” que o outro.

Recentemente, depois de 500 e mais alguns anos, descobriram que os Domésticos dispendem suor para lavar banheiros, engomar os ternos que os enganam, cozinhar o angu encaroçado de todos os dias da família e educar o filho do deseducado, dando à classe os direitos que o patronato, (incluindo àqueles que dizem fazer Justiça), varriam para debaixo do tapete. Analisando por esta ótica, o suor deve mesmo possuir perfumes aromáticos e ser extraído dos mais puros elementos da Botânica humana.

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Karl Marx, no livro prefácio do Socialismo, denominado Capital, inicia-o explanando seu ponto de vista em “favor” do uso do dinheiro. Contudo, ao discorrer sobre o dualismo entre a relação empregado e empregador, esclarece que inadmissível é aplicarem o capital, investir para unicamente visar o acúmulo de capital. O que deveras, é o ato de investir e deste, visar somente o retorno; sem no entanto, levar em conta que quem trabalha na linha de produção de cabeça baixa, possui literalmente a única forma de ganho que é o seu suor. Para ele, este sim dispende seu suor em detrimento de sua sobrevivência e dos demais dependentes, que é a prole.

A visão profética e totalmente verossímil de Marx é evidenciada pela plantação de eucalipto e pinus que fazem parte do quarteto principiador do Agronegócio, culturas que tem por finalidade basicamente a fabricação de mobiliário de madeira; a celulose que é matéria prima para a produção de papel e a extração da madeira para servir certos segmentos da Engenharia, notadamente a Civil. O eucalipto é plantado e quando muito, cinco anos após, está no ponto de ser cortado. O investimento é retorno duplicado, quando não, triplicado a curto-prazo. Após certo tempo, pouco ou nada se investe, no entanto, mantém-se a receita do superávit do ganho. E assim, o montante acumulado é visível, tornando o investimento inicial, impérios e fortalezas econômicas.

Tal realidade assemelha-se a fábula do rei Midas; pois se dependesse do homem em todos os tempos, em tudo tocasse, transformaria imediatamente em ouro. Nada de novo, uma vez que os químicos/alquimistas tentaram potencializar essa teoria que por sorte, fracassou. Entretanto, os homens no decorrer dos tempos aventuraram-se realmente em tocar nos objetos, transformando-os em ouro; em compensação, correm sérios riscos de morrerem de inanição, exatamente o que aconteceu com os reis donos de riquezas infindas e foi retratado na fábula do rei Midas; morrendo faminto, implorando por restos de comida e sem forças para desfazer as “benevolências” realizadas pelo seu poder e ego.

No sistema capitalista, a mão de obra humana não é vista como transformadora e digna de avaliação no produto final. Somente, como parte da matéria prima que entra na folha de pagamento; item o qual, se houvesse outros meios, seria eliminado pelo patronato. Embora que os países desenvolvidos, tais como Alemanha e Japão estão duelando tecnologicamente para saber quem desenvolve robôs para suprir o homem até na cozinha.

Em certos setores produtivos, o homem já foi extinto da linha de produção pelos homens de latas e comandos elétricos. Essas máquinas parecem com os recursos naturais que fazem, dão o melhor de si e excutam as tarefas de cabeça baixa, sem uma vírgula de questionamento e reflexão; a diferença entre ambos, é que as máquinas necessitam de outra máquina para fazer-lhe funcionar e qualquer descuido pode ocasionar erro e comprometer toda linha de produção. Negligência e pequenos erros podem causar terremotos e explosões; caso do trágico acontecimento na casa noturna em Santa Maria, município de Rio G. do Sul.

Charles Spencer Chaplin advertiu severamente os terráqueos: “Hanah, tu sois gente; tu não és máquina, Hanah”! No entanto, Hanah e o rei Midas calaram-se e receberam um maná de ouro para calarem-se; exceto Chaplin que seguiu firme tateando sua cegueira em ambientes escuros. Ideologia, ciência que determinadas áreas humanas estudam e que em tempos idos existiu, é o que falta aos “humanistas” atualmente. Falta de apelo não foi. Cazuza clamava por uma em vida e não encontrando por aqui; foi buscá-la em outras dimensões.

Querer combater os avanços tecnológicos é como impor resistência ao sistema imposto pelo homem contra o próprio homem; mesmo porque, a tecnologia veio para consolidar o capitalismo. Quem não deleita-se em dizer que acabou de adquirir um automóvel do ano com tudo de mais moderno; em dizer que comprou alqueires de terra para a exploração de madeira, ou para transformá-los em pastagens para aumentar o rebanho; em dizer que está investindo em novas instalações em sua indústria, o que aumentará significativamente sua linha de produção? Essas são as realidades humanas no que tange às suas conquistas, o resto, seja o que for, é segundo plano. Portanto, no contexto acima, fala-se incisivamente em investimentos e tecnologias que tragam maiores cifras monetárias e a divisão igualitária e justa dificilmente são citadas nas mesas de negociações.

Tecnologia e capital, ambos impõem as linhas de conduta moderna, que é o consumo imediato e acelerado, resultante do “vigor físico” daqueles que detém o poder da tecnologia, transformando-o em capital financeiro absoluto e irreversível!

Os relógios registram as horas, estimulam e despertam os homens para o trabalho; que por sua vez, estão fabricando os robôs do capitalismo. E o que isto contribui para a humanidade? Está na hora dos relógios despertarem os homens trabalhadores, inteligentes e entendedores de máquinas; a entender e fabricar gente. Se possível, em gente que invista em sentimento de gente; por que de gente-máquina o mundo está enfestado; tornando-o febril. Diante de tudo isto, desde já, sabemos quais são as consequências da relação do capital, aliado aos avanços tecnológicos bem ou mal aplicados. Citando o músico e compositor Beto Guedes, que disse: “a lição sabemos de cor, só nos resta aprender”. Se ele fez tal afirmativa, pergunto eu: sabemos a lição sobre a teoria da relação humana, por sinal somos doutos no assunto; contudo, qual é o capítulo da lição teórica que está sendo posto na ponta dos dedos?

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Enquanto não resolvermos assumir o papel que nos cabe, que é ter deveres próprios e com a sociedade; respeitar as leis; valorizar a educação caseira e formal; continuaremos ad infinitum escravos, servis e submissos aos mandos e desmandos dos deuses que detém o poder do capital. Restando, portanto o te manca antes que o poder do capital/tecnológico te espanca. Caso contrário, embrenharás nos dois terços da população endividada e após assinar o acordo de sócio, impossível é sair; mesmo porque, a personalização e a padronização social são mais amplas e dominam toda e qualquer razão superiora. Consomem simplesmente pela depressão social do consumo.

Planejamento a longo-prazo, sim. O imediatismo do consumo do obter agora, neste exato instante, não! Redemocratizar a democracia é preciso; não menos, é a redemocratização social; senão, continuemos perguntando aos espelhos: “Por que a gente é assim”?

- Como assim? Sôfregos da utopia?

- Não. Sem identidade, origens, raízes e memória. Em síntese, socialmente falando: acéfalo.

Para que um povo ultrapasse as barreiras da injustiça e desigualdade social, é razoável dizer que a História deverá fazer parte do presente. Atemporal, os princípios e legados do passado regem o presente e o futuro de um povo, transformando-o em Nação.

Entretanto, o contraponto desta tese é que atualmente a conduta pacífica e a boa educação são motivos de arrojados discursos de Políticos e daqueles que detém o Poder do capital. E para aqueles que tomam, mesmo sendo uma ínfima dose de reflexão social, as más atitudes e a falta de educação são propriedades e atributos sociais.

Pareceres, paradoxalmente antagônicos e limítrofes incomensuráveis do que chega à degustação bucal ao que é digerido pelo intestino social.


Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!.
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