ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Repensando uma Sociedade Cega e Corrupta

No dia seguinte, os responsáveis pais despertados de sono inquieto pelos filhos, saíram cedo para o trabalho e eles fecharam as portas, janelas e cortinas. Qual a moral desta realidade que fomenta por tempo indeterminado a "usurpação do leite materno"?


Segundo o abalizado dicionário Caldas Aulete, “corrupção é o “ato ou efeito de corromper; decomposição; putrefação; devassidão; depravação; perversão; suborno; peita.” Em outra direção, Caldas Aulete apresenta os seguintes significados para a palavra corrupção: “Ato ou efeito de subornar, vender e comprar vantagens, desviar recursos, fraudar, furtar em benefício próprio e em prejuízo do Estado ou do bem público”.

Içami-Tiba.jpg Incansavelmente, Içami Tiba dizia que os pais devem primeiro se informar para aprender a educar os filhos; bem como, exigir que seus filhos façam o que é necessário. Afirmou ainda: “Só amor não basta para tirar nenhum filho das drogas, é preciso conhecimento”. Ressaltou a atitude de pais que oferecem tudo sem exigir responsabilidade em troca. Para ele, a família é a principal responsável pela formação dos valores e não deve de jeito nenhum transferir esse papel para a educação escolar. (Foto: Raphael Oliveira)
Antes de apurar em palavras o meu ponto de vista, apresento ao leitor os fatos vistos pelos meus olhos e endereçados aos meus arquivos neuronais.

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Quatro crianças e três senhoras chegaram ao parque. Feita as prévias sobre a visitação pela recepcionista, foram informadas sobre a taxa de entrada; o que logo causou certo desconforto nos visitantes. Pediam insistentemente se podiam pagar um valor menor para entrada de todos. Notando a resistência e negativa da atendente, as senhoras insistiam dizendo que a crianças eram menores da idade estabelecida para pagamento. Tentando comprovar a verdade, uma delas disse a idade de cada uma das crianças; de modo que a última estaria por completar sete anos. Tomado pela inocência e autenticidade, essa última criança retrucou a mãe, dizendo que tinha oito anos e não sete. A mãe virou o rosto para o lado, cerrou as sobrancelhas e fechou os lábios num “O” carrancudo; afinal, sete anos é a data limite para o não pagamento para visitação. Entretanto, as senhoras tanto reclamaram que a recepcionista deu-se por vencida e somente os adultos pagaram para entrar.

Outra: Mãe e filho adentraram o ônibus. A mãe com o dinheiro contado para o pagamento de sua passagem, dirige-se ao cobrador dizendo que o filho tinha cinco anos. Por sua vez, o filho incontinente, interfere dizendo que tinha mais que seis anos, idade máxima que o isentaria do pagamento. Desconcertada, a mãe pedi silêncio ao filho e reforça dizendo: "Cale a boca! Passe logo, antes que o trocador e o motorista ouçam as suas bobagens".

Ainda que ocorresse uma vez à cada década, ainda assim, seria inadmissível; porém, em contrapartida, fatos como o citado, ocorrem a cada segundo numa sociedade que foi e está sendo formada sem os menores princípios de valores morais e éticos. É bom que saibamos que a palavra sociedade vem do latim e significa “uma relação amigável com os demais envolvidos”. Por abrangência, pode-se entender que são pessoas que se associam para usufruir de um bem comum.

Para que tenhamos uma democracia satisfatória e justa para todos, (ou maioria) é necessário que os participantes exerçam os seus papéis interativos com presteza e para tanto, o bom senso deveria ser a lei maior. Todavia, os estatutos, as leis, códigos, parágrafos, medidas provisórias e sentenças mais, pregam uma cidadania embasada somente nos direitos. Ainda sob essa ótica, para que alguém exija os seus supostos direitos, alguém tem que cumprir com os seus deveres; ou será que os deveres não fazem parte da democracia em sua totalidade?

Em todos os acontecimentos cotidianos, mesmo que latente, existe um porquê na realização dos mesmos. Nos lares não é nada diferente, e a relação entre pais e filhos se faz através do “toma lá, dá cá”: “passe no vestibular que te dou um carro, ou faça isto que te dou aquilo”. A barganha, a permuta, a troca, a compra e venda é constante e dita a interação entre os membros da família. Se assim forma-se o “cidadão” doméstico, qual será o reflexo dele no meio social? Como ser sócio de alguém que recebeu como legado e herança dos próprios pais o ensinamento que resulta apenas no benefício individual?
Todavia, não é de se admirar que a corrupção inicia-se dentro da família, entre os seus integrantes e proclama sua independência final ao chegar à sociedade. Por isto, fato é que existe uma classe que paulatinamente é massacrada por essa mesma sociedade, que são os políticos. Não seria isto uma transferência de responsabilidade velada? Qual e como foi (ou é) a formação familiar dessa suposta classe de corruptos? Quem é mais ladrão, o corrupto ou o corruptor? Quem furtou um grão de arroz, mesmo que para matar a fome; ou aquele que furtou muitas barras de ouro do sócio? Como mensurar o grau de corrupção empregado entre um e outro? Por favor, não, não, não responda nada; apenas reflita sobre o seu comportamento, a sua conduta em relação ao tema!
A corrupção brota e é irrigada no ambiente familiar, esparramando-se e produzindo excelentes frutos no meio social. Basta de sorrisos amarrotados, abraços de urso e alisamento de costa; pois, soam puramente hipocrisia e corrupção. E fim de papo!

Quase esqueço dos juízes que em vez de aceitar de bom grado (pedindo desculpas) a punição pelos seus atos indevidos, puniram com uma solene "carteirada" aqueles humildes cidadãos que em cumprimento de seus deveres, tentavam moralizá-los com a merecida punição. Se não fosse o "quase", teria que reconhecer que sou corrupto de memória!

O desprazer e o infortúnio da “cega e corrupta obscuridade de uma sociedade” está mais para o que somos, do que as coisas que nos cercam e acontecem no dia a dia. Portanto, se quisermos que os fachos de luz da cidadania sustentável, moralidade e ética atinjam nossas faces em cheio, que façamos da honesta cidadania o alimento diário e abaixo (salvo as raríssimas exceções) a corrupção tácita que está arraigada no âmago de cada um; caso contrário, estaremos contribuindo para a perpetuação da infindável espécie.

Para quem pratica, ou pelo menos tenta praticar a honestidade em toda sua inteireza, assim como, a retidão em seus nobres atos cotidianos, como ser sócio de espécies como a citada?
Nota: Caro leitor, o artigo é para ser comentado e criticado. Tal iniciativa motivará a reflexão de todos; principalmente, do autor.


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
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