ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!

MAMÃE foi ESTÚPIDA na arte de EDUCAR


barro.jpg "O mais valioso e profícuo alimento, é aquele que, num futuro próximo, refletirá como exemplo positivo no meio social"!

Intróito
A maior mentora desta singela inspiração é sem um fiapo de dúvida, minha mãe de adoção: Altina Salvador Correia (in memorian). Pessoa de senso incomum e externada acuidade sensorial. Mãe, que deveria ser mãe de todas as mães. Uma pessoa admirável para com o seu tempo. Sem ter ido à escola, falava de forma prática, objetiva e didaticamente simples, sobre caráter, moral, ética, virtude e vida justa para todos. Estas complexas teorias foi objeto de estudo de Aristóteles antes de Cristo e registradas no livro: Ética a Nicômaco, mas que estão perdidas nos dias de hoje em meio aos escombros e farrapos do respeito humano.

Dona Altina rabiscava as sílabas em folhas de bananeira. Sofredora com as agruras humanas. Visionária de dias melhores para a humanidade; usava a eloquência da comunicação, como meio de difundir sua visão poética, filosófica, pedagógica, visionária, profética e ideológica do universo humano. Deleitava-se em comunicar e fazia do ouvir, sua máxima expressão, no entanto, detestava ouvir as manias de grandeza, as banalidades e as futilidades do cotidiano.
De Psicóloga à Educadora.
Psicóloga e educadora: duas dádivas naturais dada pelo criador à ela. Inicialmente, agia como psicóloga, procurando entender o âmago das pessoas; “invadindo” as profundezas de seus anseios, desejos, emoções e sentimentos, analisando-os e indiscretamente, proferindo seu ponto de vista sob o assunto em pauta. Com sua sensibilidade aguçada e apurada empatia, colocava-se sempre no lugar do outro: “é impossível entender o mundo do meu vizinho, se não adentrar os ilimitados-limites do seu âmago”. Tendo o conhecimento do problema em toda sua inteireza, quando permitido, sutilmente, segundo sua visão e experiência, mostrava as diretrizes de como conduzir o caso, visando satisfazer a todos. No trato com os filhos não era diferente: agia com o coração, quando era para se agir com o coração e usava a razão, quando o assunto demandava razão. Quem mais entendeu esses pormenores de Dona Altina, foi o filho adotivo, o qual a venerou como ninguém.

Nas suas raras aparições em reuniões familiares ou “sociais”, - escondia-se das lentes das máquinas fotográficas. Foto?! Só com muita diplomacia do fotógrafo, ou quando a encontrava devaneando em pensamentos por lugares distantes e proferindo frases alentadoras, proféticas e de cunho religioso:

- Um dia de vida é vida. A minha felicidade reside na felicidade das pessoas. Quem canta seus males espanta! Se sorrires, sorrirei com você; mas, se chorares, emprestarei as minhas lágrimas! O infortúnio e as catástrofes anunciadas, são preocupantes, incompreensíveis e aterrorizantes, diante desses absurdos incivilizados ainda é preciso dizer que a humanidade está afastada de Deus? Se quiser que as coisas saiam bem feitas, que faça você, não espere pelos outros. Faça o que eu mando e não queira fazer o que eu faço. Você meu filho, é muito infantil para entender e dar pitacos no proseado dos Maquiavélicos e homens que imaginam ser grandes; portanto, ponha-se no seu lugar de criança e vá estudar. Cumprindo com os seus deveres, se fizeres por merecer, um dia, chegará seu dia! Faça o que eu mando e guarde o que pensas saber.

Mas, o aforismo que melhor retrata o seu anacronismo em relação aos dias de hoje e que representa a contradição humana é: “ O pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada”. Em suas palavras, o simples tornava-se complexo e o complexo: irrefutável absurdo. Antoine de Saint-Exupéry, em o livro; “O pequeno príncipe” escreveu: “é com o coração que se vê corretamente, o essencial é invisível aos olhos”. Dona Altina não entendia de metáforas ou parábolas, usava a sutileza das entrelinhas para se fazer entendida, dessa forma, constantemente era imperceptível aos ouvintes e de difícil interpretação. Para entendê-la em sua plenitude precisava o interlocutor apurar os olhos para vê-la; a inteligência para compreendê-la e a alma para admirá-la.

As perguntas jamais respondidas
Provavelmente quem a conhecia mais profundamente e entendesse de sutilezas, pudesse perceber em sua fisionomia os momentos em que ela encontrava-se em divagação, procurando as respostas para as perguntas cruciais de sua vida: “há momentos quando o mundo inteiro esta adormecido que as perguntas ficam corroendo por dentro, profundas demais para uma mulher tão simples. Alguém não quer, por favor, dizer-me o que tenho a aprender e o que estou fazendo aqui neste espaço terreno? Sei que soa absurdo, mas, por favor, diga-me com clareza, pois gostaria de saber quem eu sou”. Às vezes, sentia-se aturdida com tais perguntas. Sem modéstia, Dona Altina incansavelmente, dormia e acordava buscando a perfeição.
A relação com o meio

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Em seus oitenta e quatro anos de existência, muito fez para o seu meio social; fino trato para os com os idosos - as pessoas de sua idade -, amada pelos de meia idade e adorada pelos mais jovens. Recebia a todos em seu casebre com o sorriso singelo estampado em sua face, tudo de bom grado, bem ao estilo conservador do mineiro: café, queijo, quitanda, doce de leite, guloseima, cadernos, lápis e borracha; essa era “Dona Lora”, forma carinhosa de chamá-la. Aos mais novos: a palavra amiga, acolhedora, moralizadora, formadora de opiniões. Disciplinadora e educadora em essência. Acolhia as esperançosas crianças que se aglomeravam em frente ao portão todas as manhãs, esperando abri-lo. Assim que entravam, diziam: "Bom dia Vó; ou: “a sua benção Vó”!
Num bate papo e outro, explicava aos “netos” como deveriam ser e agir para conseguirem liberdade, independência e autonomia, sem usurpar as conquistas alheias, que segundo dizia, são as três melhores conquistas humanas. Dizendo sobre os atalhos e as dificuldades que provavelmente encontrariam nessa dura e longa jornada de vida, dirimia as dúvidas esclarecendo-os:
-Filhos, preste atenção, se quiser viver bem, com a consciência tranquila assuma seus erros, não cometa atos que necessite de interferência de polícia e justiça. A Jurisprudência impera dentro de vocês e leva o nome de consciência.

- Exerça o poder com inteligência, discernimento e sabedoria. Não se envolva com política, pois a política é o encontro do poder, dinheiro fácil e o princípio da mentira; e mentira é o prenúncio aliciador de Lúcifer.

- Não ande com companhias duvidosas. Não queira para os outros, o que não querem para vocês.
- Não contraia dívida, que não possa pagar. Respeite a todos: de crianças, como vocês; a idosos, como vovó e vovô.
- Sejam trabalhadoras, ajudem a mamãe nas tarefas de casa. Aja com dignidade e por fim, não deixem de estudar. O saber não ocupa lugar.
- Queridos netinhos, estas são as maiores honras que vocês podem proporcionar para os seus pais. Honrar o sobrenome de vocês é o mesmo que honrar o nome de vossos pais. O sobrenome é o elo-de-ligação, que em hipótese nenhuma pode ser rompido. É a aliança entre vocês e os pais.

- Tais palavras são difíceis de serem entendidas e postas em prática hoje, mas a vida é longa demais para um dia só, então, guarde e absorva-as porque em um momento qualquer, quando vocês menos esperar, precisarão delas para alentá-los de como agir para tomar a decisão menos errada em suas vidas; digo menos errada, porque com o andar da carruagem nos dias de hoje, devido às tormentas por quais o mundo passa e o desequilíbrio humano, dificilmente há a forma exata e correta de ação e sim, como disse, há a saída menos errada. Tomem cuidado, muitos são as encruzilhadas e desvios, porém poucos, pouquíssimos são os caminhos da retidão.

No entanto, dona Altina também possuía seus dotes de revolta contra os infelizes que desrespeitam o sofrimento de uma Mãe que, incansavelmente, perde(ra)m noites de sono para alimentar aquele que no futuro, será o desalmado e insolente filho.
- Corruptos. Ladrões. Prostitutas. Insensíveis. Corruptores. Traficantes. Receptores. Vagabundos. Indolentes. Víboras. Parasitas. Santos. Meliantes. Hipócritas. Políticos. Charlatões. Desonestos. Usurpadores. Caloteiros. Adúlteros. Desnaturados. Oportunistas e muitas outras derivações....todos tem mãe. Mesmo se viessem de uma chocadeira, ainda assim teriam mães.

- Essas e outras classes de idiotas, engabelando-as com presentinhos em datas comemorativas, ainda tem coragem e audácia de dizer que amam suas mães. Quem ama, respeita! E com o puritanismo de coração, venera! Pelos seus atos, um filho não deve nunca, fazer uma lágrima derreter-se pelo calor do brio estampado na face de um Mãe!
- Tenho que concordar que são venerados filhos. Amáveis filhos, cristais intocáveis protegidos por lei!
- Filhos!...
- ...como estão parindo em fornadas por aí, se habitassem debaixo do meu teto e comessem sobre à minha mesa, dispensaria que me chame de MÃE. Qualificá-los como filhos, jamais!? Para não sofrer, abri mão de ser mãe, para ser educadora e com a sabedoria de uma verdadeira MÃE, educar os meus.

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"E você minha filha, vai simplesmente conceber um bebê, ou vai Educar um cidadão responsável para ser Homem e executar o seu papel perante a sociedade? Pelo amor e temor que deves ter a Deus, eduque-o para ser um honesto e digno gari; mas canalha, não! Bastam as bateladas de súcias, escórias e párias que estão infiltradas no seio social, sendo conclamadas como heróis e heroínas pelos próprios pais! Seja você a educadora e a executora da paz que tanto apregoam para o mundo".

Posto que tudo que eu disser, é nada em relação aos seus lautos feitos terrenos, digo que dormia sonhando com suas palavras e despertava com suas mãos sovando a massa (mesmo que padecendo para a retirada do amargo do fel) na construção de um bolo adocicado com mel.
Sinto-me lisonjeado, orgulhoso de tê-la como suporte, esteio e referência na minha formação e Educação. Devo-lhe tudo e a forma de recompensá-la, é honrado o seu nome e honesto de princípios! Como era de seu conhecimento, não sou de presentinhos e lembrancinhas; mas sim de ações.

- Magnífico, Filho! Como explanado em várias oportunidades, filho nenhum tem mamãe para a vida toda!

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!.
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