ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim de uma perna pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico



MAMÃE foi ESTÚPIDA na arte de EDUCAR


barro.jpg "O mais valioso e profícuo alimento, é aquele que, num futuro próximo, refletirá como exemplo positivo no meio social"!

Intróito
A maior mentora desta singela inspiração é sem um fiapo de dúvida, minha mãe de adoção: Altina Salvador Correia (in memorian). Pessoa de senso incomum e externada acuidade sensorial. Mãe, que deveria ser mãe de todas as mães. Uma pessoa admirável para com o seu tempo. Sem ter ido à escola, falava de forma prática, objetiva e didaticamente simples, sobre caráter, moral, ética, virtude e vida justa para todos. Estas complexas teorias foi objeto de estudo de Aristóteles antes de Cristo e registradas no livro: Ética a Nicômaco, mas que estão perdidas nos dias de hoje em meio aos escombros e farrapos do respeito humano.

Dona Altina rabiscava as sílabas em folhas de bananeira. Sofredora com as agruras humanas. Visionária de dias melhores para a humanidade; usava a eloquência da comunicação, como meio de difundir sua visão poética, filosófica, pedagógica, visionária, profética e ideológica do universo humano. Deleitava-se em comunicar e fazia do ouvir, sua máxima expressão, no entanto, detestava ouvir as manias de grandeza, as banalidades e as futilidades do cotidiano.
De Psicóloga à Educadora.
Psicóloga e educadora: duas dádivas naturais dada pelo criador à ela. Inicialmente, agia como psicóloga, procurando entender o âmago das pessoas; “invadindo” as profundezas de seus anseios, desejos, emoções e sentimentos, analisando-os e indiscretamente, proferindo seu ponto de vista sob o assunto em pauta. Com sua sensibilidade aguçada e apurada empatia, colocava-se sempre no lugar do outro: “é impossível entender o mundo do meu vizinho, se não adentrar os ilimitados-limites do seu âmago”. Tendo o conhecimento do problema em toda sua inteireza, quando permitido, sutilmente, segundo sua visão e experiência, mostrava as diretrizes de como conduzir o caso, visando satisfazer a todos. No trato com os filhos não era diferente: agia com o coração, quando era para se agir com o coração e usava a razão, quando o assunto demandava razão. Quem mais entendeu esses pormenores de Dona Altina, foi o filho adotivo, o qual a venerou como ninguém.

Nas suas raras aparições em reuniões familiares ou “sociais”, - escondia-se das lentes das máquinas fotográficas. Foto?! Só com muita diplomacia do fotógrafo, ou quando a encontrava devaneando em pensamentos por lugares distantes e proferindo frases alentadoras, proféticas e de cunho religioso:

- Um dia de vida é vida. A minha felicidade reside na felicidade das pessoas. Quem canta seus males espanta! Se sorrires, sorrirei com você; mas, se chorares, emprestarei as minhas lágrimas! O infortúnio e as catástrofes anunciadas, são preocupantes, incompreensíveis e aterrorizantes, diante desses absurdos incivilizados ainda é preciso dizer que a humanidade está afastada de Deus? Se quiser que as coisas saiam bem feitas, que faça você, não espere pelos outros. Faça o que eu mando e não queira fazer o que eu faço. Você meu filho, é muito infantil para entender e dar pitacos no proseado dos Maquiavélicos e homens que imaginam ser grandes; portanto, ponha-se no seu lugar de criança e vá estudar. Cumprindo com os seus deveres, se fizeres por merecer, um dia, chegará seu dia! Faça o que eu mando e guarde o que pensas saber.

Mas, o aforismo que melhor retrata o seu anacronismo em relação aos dias de hoje e que representa a contradição humana é: “ O pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada”. Em suas palavras, o simples tornava-se complexo e o complexo: irrefutável absurdo. Antoine de Saint-Exupéry, em o livro; “O pequeno príncipe” escreveu: “é com o coração que se vê corretamente, o essencial é invisível aos olhos”. Dona Altina não entendia de metáforas ou parábolas, usava a sutileza das entrelinhas para se fazer entendida, dessa forma, constantemente era imperceptível aos ouvintes e de difícil interpretação. Para entendê-la em sua plenitude precisava o interlocutor apurar os olhos para vê-la; a inteligência para compreendê-la e a alma para admirá-la.

As perguntas jamais respondidas
Provavelmente quem a conhecia mais profundamente e entendesse de sutilezas, pudesse perceber em sua fisionomia os momentos em que ela encontrava-se em divagação, procurando as respostas para as perguntas cruciais de sua vida: “há momentos quando o mundo inteiro esta adormecido que as perguntas ficam corroendo por dentro, profundas demais para uma mulher tão simples. Alguém não quer, por favor, dizer-me o que tenho a aprender e o que estou fazendo aqui neste espaço terreno? Sei que soa absurdo, mas, por favor, diga-me com clareza, pois gostaria de saber quem eu sou”. Às vezes, sentia-se aturdida com tais perguntas. Sem modéstia, Dona Altina incansavelmente, dormia e acordava buscando a perfeição.
A relação com o meio

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Em seus oitenta e quatro anos de existência, muito fez para o seu meio social; fino trato para os com os idosos - as pessoas de sua idade -, amada pelos de meia idade e adorada pelos mais jovens. Recebia a todos em seu casebre com o sorriso singelo estampado em sua face, tudo de bom grado, bem ao estilo conservador do mineiro: café, queijo, quitanda, doce de leite, guloseima, cadernos, lápis e borracha; essa era “Dona Lora”, forma carinhosa de chamá-la. Aos mais novos: a palavra amiga, acolhedora, moralizadora, formadora de opiniões. Disciplinadora e educadora em essência. Acolhia as esperançosas crianças que se aglomeravam em frente ao portão todas as manhãs, esperando abri-lo. Assim que entravam, diziam: "Bom dia Vó; ou: “a sua benção Vó”!
Num bate papo e outro, explicava aos “netos” como deveriam ser e agir para conseguirem liberdade, independência e autonomia, sem usurpar as conquistas alheias, que segundo dizia, são as três melhores conquistas humanas. Dizendo sobre os atalhos e as dificuldades que provavelmente encontrariam nessa dura e longa jornada de vida, dirimia as dúvidas esclarecendo-os:
-Filhos, preste atenção, se quiser viver bem, com a consciência tranquila assuma seus erros, não cometa atos que necessite de interferência de polícia e justiça. A Jurisprudência impera dentro de vocês e leva o nome de consciência.

- Exerça o poder com inteligência, discernimento e sabedoria. Não se envolva com política, pois a política é o encontro do poder, dinheiro fácil e o princípio da mentira; e mentira é o prenúncio aliciador de Lúcifer.

- Não ande com companhias duvidosas. Não queira para os outros, o que não querem para vocês.
- Não contraia dívida, que não possa pagar. Respeite a todos: de crianças, como vocês; a idosos, como vovó e vovô.
- Sejam trabalhadoras, ajudem a mamãe nas tarefas de casa. Aja com dignidade e por fim, não deixem de estudar. O saber não ocupa lugar.
- Queridos netinhos, estas são as maiores honras que vocês podem proporcionar para os seus pais. Honrar o sobrenome de vocês é o mesmo que honrar o nome de vossos pais. O sobrenome é o elo-de-ligação, que em hipótese nenhuma pode ser rompido. É a aliança entre vocês e os pais.

- Tais palavras são difíceis de serem entendidas e postas em prática hoje, mas a vida é longa demais para um dia só, então, guarde e absorva-as porque em um momento qualquer, quando vocês menos esperar, precisarão delas para alentá-los de como agir para tomar a decisão menos errada em suas vidas; digo menos errada, porque com o andar da carruagem nos dias de hoje, devido às tormentas por quais o mundo passa e o desequilíbrio humano, dificilmente há a forma exata e correta de ação e sim, como disse, há a saída menos errada. Tomem cuidado, muitos são as encruzilhadas e desvios, porém poucos, pouquíssimos são os caminhos da retidão.

No entanto, dona Altina também possuía seus dotes de revolta contra os infelizes que desrespeitam o sofrimento de uma Mãe que, incansavelmente, perde(ra)m noites de sono para alimentar aquele que no futuro, será o desalmado e insolente filho.
- Corruptos. Ladrões. Prostitutas. Insensíveis. Corruptores. Traficantes. Receptores. Vagabundos. Indolentes. Víboras. Parasitas. Santos. Meliantes. Hipócritas. Políticos. Charlatões. Desonestos. Usurpadores. Caloteiros. Adúlteros. Desnaturados. Oportunistas e muitas outras derivações....todos tem mãe. Mesmo se viessem de uma chocadeira, ainda assim teriam mães.

- Essas e outras classes de idiotas, engabelando-as com presentinhos em datas comemorativas, ainda tem coragem e audácia de dizer que amam suas mães. Quem ama, respeita! E com o puritanismo de coração, venera! Pelos seus atos, um filho não deve nunca, fazer uma lágrima derreter-se pelo calor do brio estampado na face de um Mãe!
- Tenho que concordar que são venerados filhos. Amáveis filhos, cristais intocáveis protegidos por lei!
- Filhos!...
- ...como estão parindo em fornadas por aí, se habitassem debaixo do meu teto e comessem sobre à minha mesa, dispensaria que me chame de MÃE. Qualificá-los como filhos, jamais!? Para não sofrer, abri mão de ser mãe, para ser educadora e com a sabedoria de uma verdadeira MÃE, educar os meus.

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"E você minha filha, vai simplesmente conceber um bebê, ou vai Educar um cidadão responsável para ser Homem e executar o seu papel perante a sociedade? Pelo amor e temor que deves ter a Deus, eduque-o para ser um honesto e digno gari; mas canalha, não! Bastam as bateladas de súcias, escórias e párias que estão infiltradas no seio social, sendo conclamadas como heróis e heroínas pelos próprios pais! Seja você a educadora e a executora da paz que tanto apregoam para o mundo".

Posto que tudo que eu disser, é nada em relação aos seus lautos feitos terrenos, digo que dormia sonhando com suas palavras e despertava com suas mãos sovando a massa (mesmo que padecendo para a retirada do amargo do fel) na construção de um bolo adocicado com mel.
Sinto-me lisonjeado, orgulhoso de tê-la como suporte, esteio e referência na minha formação e Educação. Devo-lhe tudo e a forma de recompensá-la, é honrado o seu nome e honesto de princípios! Como era de seu conhecimento, não sou de presentinhos e lembrancinhas; mas sim de ações.

- Magnífico, Filho! Como explanado em várias oportunidades, filho nenhum tem mamãe para a vida toda!

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim de uma perna pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico .
Saiba como escrever na obvious.
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