ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!

Uma "Viagem" pra lá de Chapada!

A Chapada ainda reserva um puro e genuíno diamante para os amantes das trilhas. Aventure-se nesse garimpo.


A história política do período colonial Brasileiro começou sendo contada na Bahia, passou por Minas Gerais e chegou ao Rio de Janeiro. Parte dessa história é contada através do ouro, da prata, diamantes e pedras preciosas; e até certa época, tais riquezas ficavam concentradas em Minas. Naturalmente, onde há canastras abarrotadas de tesouros, os corsários, piratas, bandeirantes e garimpeiros rondam as paragens saqueando tudo, com a escassez quase que total, os aventureiros da “caça ao tesouro” subiram, sentido à Bahia.

maos.jpg "Venha afanador de diamantes, venha! Venha pegar o que é seu por direito".

Para o bem da verdade, quem deu a “luz” ao descobrimento do diamante em terras Baianas, mais exatamente na região da chapada foi um senhor de nome “Cazuza do Prado”, que cavalgando seu alazão pelas bandas de Mucugê, desceu do cavalo para tomar água e ao abaixar, foi surpreendido por uma luz irradiante que emergia das águas ferruginosas do regato. Num aceso de sorte e ao mesmo tempo do físico Arquimedes, o cavaleiro vociferou para os ares: “uma estrela brilhante”! Ele tomou-a na mão, olhou detidamente e reconheceu que ali estava a riqueza que não tinha. Dai: “Eureka”; e a caçada desenfreada ao diamante ditou os novos paradigmas e a rotina de vida de nativos, retirados e retirantes. E num piscar de olhos, os condados estavam povoados.
Quando a corrida pelas pepitas de diamantes, - que às vezes transformavam-se em bolas de fogo, incendiando vivos os garimpeiros - atingiu o auge, o grito de guerra e de felicidade era o bambúrrio dos afortunados. Assim que o berro do “acabei de bamburriar” ecoava, abrindo crateras nos ares, o galardão da “estrela brilhante” encontrada em águas ferruginosas estava nas mãos do felizardo.
Do volume de diamante retirado, somente uma ínfima parcela era vendida; sendo o restante, literalmente dado de graça para alguns países europeus e por ser um cristal de alta resistência, usado industrialmente e largamente empregado no Canal do Panamá. Prevendo que a cobiça gananciosa do “tudo para mim e nada para a Natureza” devassaria todas as reservas, “baniram” o garimpo ilegal e para preservar o que sobrara, criou-se o Parque Nacional da Chapada Diamantina.
Pois bem, feita a resenha introdutória do contexto histórico, vamos ao que interessa que é: “Uma viagem pra lá de Chapada” e começa aonde o viajante achar por bem. Consultando algum manual ou guia, provavelmente, será induzido a tomar como referência de entrada a cidade de Lençóis, que divulgam como sendo o portal da chapada; porém, inúmeras são as cidades que fazem parte do complexo petrificado.
Dentre elas, está a aconchegante e hospitaleira, Mucugê. Cidade de pessoas comezinhas, falantes e de rara sapiência. Lá, sentado em um banco de praça, desfiando o fumo de rolo e preparando a palha para enrolá-lo, qualquer matuto conta em verso e prosa as conquistas do diamante na região. Regozijando o feito, chegam inclusive, a relatar casos em que a experiência e vivências experimentais deles superaram as técnicas empregadas pela Engenharia e conceitos biológicos aplicados ao meio ambiente e expansão das cidades.
A ternura nos olhos daquele povo, faz transparecer a pureza de um lento e manso pulsar que move corações.

fumacinha.jpg cachoeira da Fumacinha

Porém, a chapada é mais que isso e é revelada pela fauna, flora e belezas naturais. Segundo os informantes locais, em Capão, um pequeno condado pertencente à cidade de Palmeiras, está a mais alta cachoeira do país, com aproximadamente 380m de altura. Contudo, para os “caçadores” de aventura, a cachoeira da Fumacinha é ainda mais bela e motivo do: “perna pra que te quero”; sobretudo, para se chegar em qualquer atrativo turístico, o andante tem que ter suficiente resistência física para superar colinas e longínquos platôs. Para relaxar durante o trajeto, corredeiras e regatos aparecem do nada para aliviar o cansaço.
Fumaça.jpg
Outra atração fantástica é a cachoeira do Buracão. Encravada num penhasco, ela abre-se num semicírculo (por isto o nome) e segue por uma fenda formada por enormes rochedos. Para atingi-la, invariavelmente, o visitante entra pelo canyon e segue a nado até debaixo de seu jorro d´água.

Geograficamente, a chapada é demasiadamete longa longitudinalmente, curta transversalmente e cheia de reentrâncias. Geometricamente, uma figura inexplicável; todavia, para cruzá-la de Sul a Norte, os pés deixarão aproximadamente 300 km de pegadas. Para os caminheiros, várias travessias de alguns dias podem ser feitas e o Vale do Pati é o mais recomendável. Aja fôlego para respirar tamanha beleza.

pati.jpg Impossível não dizer: "Estar em contato com a enigmática Natureza, é alívio para o stress urbano, transcendência de minha essência e arrebatamento de meu ego! Sinto-me livre, como a própria liberdade erigida pelos voos de pássaros sem asas".

Devido as alterações e variabilidade do relevo, o Vale é considerado um ótimo lugar para apreciar as muitas espécies de pássaros, aves e animais mamíferos e répteis. Em determinados pontos, as trilhas são calçadas com pedras e por lá passavam os tropeiros levando a produção de alimentos produzidos nas cercanias do vale.

A Chapada é indubitavelmente para os chapados; e a frase que melhor a define, é: Chapada Diamantina: irresistível colírio para às vistas e inefável leveza espiritual!
Nota: Exceto uma foto, as demais são de autor(es) desconhecido(s).

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Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!.
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