ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Um dos conceitos da geometria espacial certifica que duas retas se encontram no infinito. Destarte, trafegando nos atalhos da escrita e leitura, nos vemos lá..

De Sócrates para Sócrates: a linha do tempo

O que o Sócrates Brasileiro teve em comum com o Sócrates grego. Sem uma análise apurada sobre a existência de um e de outro, nada. E analisando as suas passagens pela Terra? Vejamos: o Sócrates grego principiou os estudos da Filosofia, teorizando os conceitos de Política e Democracia. Por sua vez, feito líder revolucionário, o Sócrates Brasileiro esteve presente nos palanques, motivando, incentivando e politizando os Brasileiros ao ato cívico, o qual reivindicava a liberdade de expressão e a instituição da Democracia plena no país, o que foi possível graças ao direito do voto popular. "Diretas já", Liberdade Política e Democracia, assim inicia-se a interação entre os Sócrates.


“Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo”. Inscrição no Oráculo de Delfos.

socratesII.jpg "Quem reflete e filosofa o refletido, torna-se prolixo e complexo nos conceitos; sobretudo porque é simples demais no viver. Filosofar e refletir: estilo cultural mais inútil do nobre vagabundo". A imagem retrata a última aparição de Sócrates e seus seguidores; consternados pela ocasião e a consequência futura, alguém levanta a maldita "taça" que pôs fim aos seus legados e ensinamentos. O tempo provou que a morte do visionário Sócrates foi uma perda irreparável para a humanidade.

Os ensaios experimentais da Filosofia foram iniciados pelo Atheniense Sócrates, sujeito de poucos amigos, meio alfabetizado, rosto espinhudo, narigudo, barba por fazer, vestimentas amarrotadas, pouco interessado na beleza (pelo contrário, era através dela que mensurava as (in)conveniências dos Athenienses) misantropo e com seu estilo míope de observar o proceder humano, considerado Jesus Cristo. Incomodado com o desmandos que o poder impunha à sociedade, perambulava pela cidade examinando, observando, questionando, sobre os costumes, hábitos e refletia como a mesma reagia à provocação. (qualquer semelhança com os moldes atuais, é mera filosofia do poder e sociedade)
Em razão deste traço de personalidade e escolha de vida, buscava a verdade, ponderação, fundamento e argumentos para o que via. Conceito este que originou a Maiêutica, ou seja, embasado nos questionamentos, possibilidades, alternativas e respostas, chegava-se à “verdade”.
    Como completude de seu pensar, a parceira da Maiêutica (homenagem à sua mãe por ser parteira) foi a ironia. Nesta os adeptos e seguidores eram “submetidos” a um exame de consciência com relação ao orgulho próprio, a jactância e a presunção de valores e conceitos; com isto adotariam práticas de comportamento humildes e simples; pois, segundo suas crenças, somente desta forma poderiam atingir o ápice do conhecimento e a renovação de ideias e comportamentos. Filosoficamente, pensando assim, atingiriam a sapiência e para celebrar este fino saber, criaram a célebre frase: “Só sei que nada sei” e através dela, Sócrates e seus seguidores absorveram e mantiveram os conhecimentos adquiridos e a humildade no relacionar em constante vigília; para tanto, disse: “aprendo até com um gari”.
    Como precursor dos conceitos da arte de pensar, pregando o conhecimento de si acima de qualquer outro, se Sócrates existisse nos dias de hoje, talvez pensasse que ser Filósofo e filosofar são coisas distintas e chegam a ser discordantes. Pois, atualmente o Filósofo teoriza os escritos e a existência dos filósofos. E quem filosofa, vivencia a Filosofia de viver num todo. Além de visionários, recebem o título de pesquisadores práticos de vida e sem alegorias e regozijos, do saber. Tai o motivo dele ter perambulado pela cidade estudando a sociedade Atheniense e a partir desse peculiar comportamento, salientar que “aprendia até com um gari e uma prostituta”. E ele deveria ter excelentes motivos para dizer isto, pois a linguagem vivencial dos garis e prostitutas é infinitamente diferente dos idiomas das outras escalas sociais; o que para o ouvinte, superior em aprendizado.
    Sócrates pregava e difundia a igualdade social, nivelamento, equilíbrio e a razoabilidade de ideias e na contramão deste pensamento, questionava e criticava veemente o poder vigente; fato que o levou à morte. Uma vez que o oráculo de Delfos proclamou Sócrates como o maior sábio da época, inconformados e acusando-o de traidor, impostor e aliciador de inteligências, os poderosos Athenienses literalmente intimaram-no a por fim em sua vida. Pressionado e sem alternativa para escapar da pressão imposta, tomando um copo de cicuta, o iniciador disse adeus às ideologias e iniciados; no entanto, abrira as fendas por onde entrariam Platão e Aristóteles, discípulos e tradutores dos ensaios e postulados deixados por ele. Definitivamente, Sócrates deixava de ser um mito, passando a ser reconhecido pelo mundo como cidadão Atheniense principiador da Filosofia e iniciador dos conceitos de Democracia.
    E o Sócrates Brasileiro, quais são os fragmentos de sua existência? Socrates1 (1).jpg Num de seus manifestos às “Diretas Já”, intitulado: Ser campeão é detalhe, Sócrates discorreu dizendo que “é fundamental a mobilização popular. Tempos dos grandes grupos políticos, às torcidas organizadas e o MST (Movimento dos Sem Terra). A burguesia teme que esses grupos se fortaleçam ainda mais. O grau de politização das organizações vai dar a linha do nosso futuro. Esses movimentos estão no nascedouro e tem a ver com mudanças da sociedade; é mais profundo que futebol”.
    Seu nome completo: Sócrates Brasileiro Sampaio de Sousa Vieira de Oliveira, nascido no Pará e radicado em Ribeirão Preto. Contrário ao seu homônimo grego, cursou Medicina, tornando-se “Doutor”. Optando pela carreira de jogador de futebol, atingiu o apogeu, quando após se destacar pelo Botafogo, clube local, transferiu para o Corinthians, levantando a taça de campeão paulista de 1977. O título encerraria o jejum do clube de 22 anos sem título; por isto, (ele e mais a legião jogadores daquela época) é considerado o divisor de águas do clube. Seus últimos dias foram marcados pelo silêncio e anonimato; dando provas de que a massa se agita, grita e preocupa-se com os ingredientes usados na feitura do biscoito fino, quando o mesmo está sendo útil e facilmente digerido pelo organismo.
    Sócrates (Magrão, como ficou conhecido) jogava de costas para o lance e com maestria e genialidade dos deuses do futebol, olhava o campo à sua frente e metia um calcanhar (perdoe-me Magrão, mas o que você fazia era coicear magistralmente) a pelota, fazendo-a chegar milimetricamente nos pés do companheiro de time. Em seguida ouvia-se o grito de gol. Da Grécia veio os geómetras e do seu futebol veio as retas, paralelas, curvas, semicírculo e obras mais da geometria do esporte. Fostes revolucionário.
    Sócrates sempre se apresentava para os lances com o corpo ereto e elegância no correr. Como virtude, foi o único (e não aparecerá mais nenhum) jogador Brasileiro que ao ouvir o Hino Nacional, punha a mão no coração com o sentimento de igualdade e transformação da massa em nação; pois, usava a massa, não para angariar prestígio, reconhecimento e notoriedade de atleta, mas para inflama-la em busca da liberdade de expressão e igualdade social, conceitos reais e verdadeiros de uma Democracia plena. E é exatamente esse sentimento que unia o Sócrates Brasileiro ao Sócrates grego.
    O sábio Brasileiro nunca escondeu a sua convicção política e partidarismo ao que entendia como sendo democrático e de direito de todos. Exatamente quando ele estava no ápice da carreira profissional, fazendo por merecer a camisa de titular da seleção Brasileira, enveredou no movimento político que derramava sobre o país o sentimento das “Diretas Já”. Na dupla jornada: uma de esportista e a outra em busca do civismo, se destacava na primeira com a bola nos pés e na segunda, com microfone nas mãos, reivindicava um país soberano de civismo, democrático de princípios políticos e o direito ao voto popular. No palanque vociferava: “Democracia sim, ditadura jamais! Diretas Já!” E a cada dia, o sentimento de nacionalismo e mudanças políticas invadiam o coração de Sócrates (e dos) Brasileiro(s) e toda vez que punha a mão no coração, fazia brotar a esperança de que o sonho podia ser sim, realizado.
    Por fim, se Sócrates foi derrotado nas copas que disputou defendendo as cores da seleção, saiu vitorioso com as propostas de liberdade para o Brasil; afinal, as eleições confirmaram o que fora clamado por ele e de 1986 em diante, a Democracia seria o grito de ordem que ecoaria do Oiapoque ao Chui.
    Todavia, certamente, nenhum dos Sócrates queriam e esperavam que seus países fossem o que são atualmente. Na Grécia, terra dos deuses da Mitologia e berço cultural do mundo, o império está desmoronando em ruínas e aqui no Brasil, a desnacionalização daqueles que estão no poder, fazem das fortalezas e riquezas, um abismo de corrupção. Contando com a alienação política do Brasileiro, um fraco rei, faz fraca a gente que um dia foi forte. Por essas e outras, Sócrates deve estar remoendo, incomodado que o Brasileiro não merece a potência de país que possui.
    Assim como a Grécia muito deve ao Sócrates deles, o Brasil deve a Sócrates Brasileiro. Ambos foram sábios nos conceitos de Política e cidadania democrática. Se ressuscitassem das catacumbas, diriam ironicamente e sem o mínimo de rancor: “A Democracia a qual nos entregamos de corpo, alma, paixão e morte, se perdeu com o tempo. Méritos para quem faz uso dela para benefício próprio, esquecendo-se que Democracia é (ou deveria ser) para todos; porque, somente o ato de votar e instituir leis, não representa um povo, uma sociedade, uma nação, um país democrático. Palmas, vocês conseguiram”!
    Se o Sócrates grego foi o precursor e termômetro, o Sócrates Brasileiro foi fundamental e necessário para implantação da Democracia em terras Brasileiras. E como reconhecimento, a pátria amada Brasil, valorizou o seu filho prodígio que não fugiu à luta? Bravo Médico, Atleta e Filósofo Sócrates Brasileiro!
    Esses movimentos que estão nos sumidouros da Linha do Esquecido Tempo tem a ver com a passividade da sociedade e é mais profundo que futebol e escrita juntos; razão pela qual, a Descontinuidade Democrática é a perda de tempo para o próprio tempo. O tempo dá!...o tempo (o povo) toma!
    E você leitor, qual é o seu sentimento de Sócrates? Qual a sua contribuição para a Democracia? Porque aqueles que fazem futebol atualmente, o faz somente como mania de grandeza, status quo, devassidão. Para infelicidade do Sócrates Brasileiro, a “democracia” do esporte deixou de ser futebol arte, solidário e democrático para ser máquina de imprimir cédulas e poderosas cifras monetárias. Portanto, ratifico a pergunta: qual o seu sentimento em relação aos legados Socráticos? Como sabeis, todo dia é dia de futebol, baús de ouro e prata e da aterradora corrupção; menos de consciência Democrática!


Profeta do Arauto

Um dos conceitos da geometria espacial certifica que duas retas se encontram no infinito. Destarte, trafegando nos atalhos da escrita e leitura, nos vemos lá.. .
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