ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Seis fotos e uma prévia das exuberâncias de Visconde de Mauá

Visconde de Mauá e seus recantos eram lugares desbravados somente pelos corajosos e valentes hippies; no entanto, atualmente é frequentado por gatos, sapatos e toda sorte de saqueadores e corsários urbanos, que por não terem nada melhor para deixar para trás, deixam os rastros do capital investido, as marcas dos pneus dos automóveis na terra e o perfume de petróleo no ar.


É relevante que o leitor saiba a proveniência da vila que leva o nome do Barão Irineu Evangelista e para isto, é necessário garimpar algumas relíquias guardadas nas canastras naturais em Maromba e Maringá, condados que compõem o distrito de Visconde de Mauá, pertencente ao município de Resende; Rio de Janeiro.

IMG_0769.JPG Mais 3 km de curvas retorcidas e 1300m de altitude, constituem a descida da serra Pedra Selada

O Brasileiro e senhor, em sua época foi considerado o homem mais rico do país, fato que deixava a Coroa Portuguesa boquiaberta e intrigada, ao ponto de pedir-lhe que investisse no país e uma das obras executadas pelo empresário, barão e visconde, foi a ferrovia Mauá. Transportar as riquezas sobre pranchões de dormentes, trilhos e comboios de vagões pelas belas paisagens rurais verdejantes da região, foi a máxima inovação no transporte ferroviário e motivo de orgulho nacional; todavia, em que pese o esforço, dedicação, trabalho e investimento do Visconde e consoante os anais da história, não foi motivo de apreço para o calote (perdoe-me os doutos da lei e dos neologismos, pois o menos errado é dizer inadimplente) que levou da Coroa e por suposição, a dívida perdura até o momento em que o autor escrevia o artigo. Visconde de Mauá e seus recantos estão encravados na divisa entre (e inclusive é representado pelo marco geográfico) dos três estados: São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, sobre uma região nobre, pertencente a serra da Mantiqueira, que sem falsa modéstia, é a serra mais formidável e bela de todas as serras brasileiras. Cada palmo de chão é um espetáculo a parte e diferenciado pela Natureza.

IMG_0797.JPG Única via de Visconde de Mauá. Ao fundo: a pedra selada. No topo dela, haja vista para tanta beleza.

Distante aproximadamente uns 5 quilômetros de Visconde estão os vilarejos, que divisado pelo córrego de águas plácidas, de um lado é Maringá paulista e do outro, Maringá mineiro e ambos fundem-se no vilarejo de Maringá.

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    Margeando o córrego em toda a sua extensão, em ambos os lados, uma rua asfaltada é ladeada pelo comércio local, onde o visitante pode comprar artesanatos e pequenos souvenires. Os restaurantes servem comida e o visitante desfruta da comodidade, do cheiro, do tempero e sabor das iguarias servindo-se diretamente nas panelas de ferro e de barro que ficam fumegantes sobre as trempes do fogão à lenha. Para quem não conhece, esses eram os utensílios e a forma simples de cozinhar dos antigos; e devido os mesmos estarem isentos de metais pesados, o alimento, além de mais leve e saudável à saúde é mais facilmente digerido e menos tóxico ao organismo.

    IMG_0823.JPGPrimeira parada em Maromba para um banho relaxante antes de chegar à cachoeira do Escorrega. A diferença de coloração registrada nas pedras sinalizam o quanto o volume de água tem diminuído do último ano para cá.

    Para quem é praticante de caminhadas, mais uns três quilômetros, (se muito) chega-se ao povoado de Maromba. A rua pavimentada com pedra e a igreja referenciam o largo central e dali, aproximadamente o mesmo montante em quilômetros por estrada de terra, chega-se a cachoeira do Escorrega. Impossível é ver as volumosas águas descendo, sem no entanto, deixar as digitais marcadas pela bunda na pedra ao deslizar sobre as corredeiras. Extasiante!

    IMG_0832.JPG Pela facilidade de se chegar, a cachoeira do Escorrega é a mais procurada pelos turistas.

    Voltando para Visconde e seguindo pela estrada de terra que começa no vilarejo e margeia o rio Preto, depois de andar por volta de 16 quilômetros, encontra-se a confluência de acesso à pedra selada. Dali, por mais quatro quilômetros de subida íngreme, chega-se ao topo dela. Quem conseguir realizar a façanha de chegar lá são e salvo, terá o privilégio de apreciar os arredores e constatar que o visual é de tirar e depois, repor o fôlego. Contando com a transcendência energética do lugar e certa dose de sorte, o observador poderá ser recolhido pelas mãos do Criador e quando for devolvido a si; dizer que obras como aquelas não são talhadas por qualquer artesão. Que tenhas sorte!

      O vilarejo e arredores oferecem muito mais lazer e aventura aos visitantes; porém, para descobrir os pontos, é preciso coragem e preparo físico. Uma das opções é a arrojada caminhada pela trilha em mata fechada que inicia na estrada de terra entre Maromba e a cachoeira do Escorrega, com chegada em Itamonte, Minas Gerais. No final de semana a trilha é bastante utilizada pelos tropeiros que através de animais, transportam as cargas de doces, queijos e coisas mais; cuja finalidade é comercializá-las em Maromba, Maringá e Visconde.

      IMG_0829.JPG Raspai a casca do homem civilizado e aparecerão os anúncios de alerta em defesa dos inocentes e mais fracos.

      Certamente você não sabe quem foi o Visconde. O certo é que Visconde de Mauá, com suas maravilhas naturais, encantos verdejantes, balançando sua nobreza de Lord na cadeira reclinável e batendo as cinzas no cinzeiro, não esconde. Mas, até por uma questão de preservar, manter aquilo que pertence a todos, deveria!..

      Fotos de propriedade do autor do artigo


      Profeta do Arauto

      A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
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