ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!

“O Pequeno Príncipe” da matemática

"Uma nação se constrói com homens e livros”. Monteiro Lobato.

Quem foi, ou é rato/barata traçador de livros em bibliotecas? É Monteiro, “homens” temos em demasia, agora, os livros foram roubados das estantes das bibliotecas que nunca frequentei! Peço desculpas por não ter compreendido o que disseste! Você fez a sua parte, no entanto, eu!...


IMG_1284.JPG "Faz muitas décadas de lançamento da vigéssima oitava edição desta sumidade, para não dizer barra de ouro de 18 quilates de livro".
Só pelo título do artigo, já imagino o leitor torcendo o rosto em caretas proveniente dos arrepios e apuros ao lê-lo; pois, Matemática é terror no ensino Brasileiro e o educando que poderia desmistificar essa corrente de pensamento, esquiva-se da disciplina, aceitando de bom grado a ideia de que Matemática é difícil e inassimilável. A verdade sem justificativas e celeumas é que Matemática exige tempo, concentração, disciplina e munheca para exercitá-la, atributos que o estudante Brasileiro não possui; afinal, se dispersa fácil com outras coisas, obviamente fúteis (futebol é um delas) e o aprendizado da Matemática não permite futilidades; apenas dedicação e trabalho.
Para ensinar é preciso conhecimento do que se quer ensinar e didática para fazê-lo. Já o aprendizado é como escrever e se faz com atenção, dedicação, prazer e assiduidade. Quanto mais se opera e exercita a munheca e a mente, mais os resultados serão condizentes com a labuta. Ótimo se assim fosse, mas a realidade é outra e tanto o professor quanto o aluno praticam o “eu, como professor, faço que ensino e você meu querido aluno, faz que aprende e viveremos felizes até o final do ano letivo”; menos o proposto por Malba Tahan em seu livro (acredito que único) “O Homem que calculava”, onde a didática e o prazer se comprazem na arte de criar e com esmero de professor que o autor foi, esmiuçar a resolução dos problemas matemáticos criados por ele mesmo. Cada problema proposto é mais instigante, inteligente e sábio, que o outro. Aterradores!
Como é impossível comparar as coisas se não houver algo que sirva de referência, este livro era requisitado como leitura obrigatória no extinto curso segundo grau, (atual ensino médio, que está mais para mediano/baixo do que para médio) ensino superior nas áreas de finanças e outros. Além de desenvolver a leitura, o livro obrigava o educando a relacionar a Filosofia à Matemática; pois, ainda na dedicatória é citado cinco mentes raras destas duas áreas do pensamento humano. Na realidade, antigamente o ensino era interdisciplinar, totalmente contrário aos dias de hoje, que se a opção do aluno é por Exatas, ele praticamente se abdica das Humanas e vice-versa, tornando-se asno no conhecimento de uma ou outra. Este critério de avaliação é adotado nas instituições de ensino do país, classificadas como gabaritadas e abalizadas, caso da USP (Universidade de São Paulo) e na segunda fase do vestibular, de acordo com área escolhida, o vestibulando está isento de fazer as provas relacionadas às disciplinadas “contrárias” ao curso escolhido. Fato descartado, jamais quisto e decididamente inaceitável pelo tradicionalista Malba Tahan e deixa isto claro em várias passagens de seu livro; que além de filosófico/literário, possui o caráter matemático/pedagógico.
“Os números governam o mundo”. Dentre as muitas, uma colocação genial do “Homem que calculava”, sobretudo, é que a humanidade está constantemente sob a imposição dos números; mesmo que não queira. Por onde deixa os passos, tropeça com os projetos de construção civil; com as embarcações transportando sonhos e emoções; com os diferentes tipos de transportes carreando párias e honestos; com a manada de animais que seguem cabisbaixo para o matadouro; na contagem dos detentos que sobraram da fuga na madrugada; nas tomadas de medidas do corpo para saber o desenvolvimento físico do cidadão; nas cobranças dos impostos e taxas pelos governos; nas faturas que enlouquecem os consumistas todo mês; na contagem regressiva dos segundos feita pelo moribundo em seu leito de morte; na contagem das pessoas que participaram do evento cívico fortalecendo ou enfraquecendo o poder; enfim, em tudo que se faça, os números mandam e desmandam na vida do homem, principalmente o moderno. Inexoravelmente implacáveis! “Tempo é dinheiro”. E sendo o tempo marcado pelos números dos segundos, estes não são apenas números, passando a ser valiosas cifras. E ai daquele que não se sujeitar a esse mando, a esse jugo numérico, facilmente roubado, será; é isso mesmo, Allah!
"Que importa a vida de gente / Se a gente por mal ou bem / Vai vivendo simplesmente / A vida que a gente tem"?
Trovas de Anis Murad – poeta brasileiro

Malba Tahan já prevendo os tempos de tédio e para amenizar a crise existencial e econômica do homem, inovou e incentivou o conhecimento e estudo matemático e para tal, cita no livro poesias/musicadas como alívio. Outra passagem exuberante é quando no capitulo inicial, um peregrino viajando pela região de Bagdá afora, encontrou “O Homem que calculava” sentado recostado numa árvore, sereno, livre dos problemas dos homens comuns e ensimesmado com algo. O viajante pouco notara sobre aquele homem cabisbaixo; porém, curioso para saber quem era e qual o motivo de estar naquelas paragens sem uma atividade aparente. Ouviu-o resmungar um número que, mesmo para os mercadores, era exorbitante e grande demais para, perante a normalidade, aceitar. Entretanto, manteve-se prostrado, observado o estranho ser que vez para outros, levantava e gritava um número, que para ele soava qualquer. Não demorou muito e o “Homem que calculava” deixou escapar mais um número que se juntassem todos os dedos do mundo, talvez não contabilizasse a quantia dita pelo matemático.

Vendo repetir o mesmo número várias vezes, o viajante intrigado com aquela afronta à provável civilidade dos normais, foi ao encontro do “Homem” e após fazer as reverências em nome de Allah, perguntou-lhe do que se tratava os números que escapara-lhe pela boca; no que o esquisito matemático e educado senhor, lhe respondeu: - Forasteiro – respondeu o “Homem que calculava” – não censuro a curiosidade que te levou a perturbar a marcha de meus cálculos e a serenidade de meus pensamentos. E já que soubeste ser delicado na falar e no pedir, vou atender ao teu desejo. Para tanto preciso, porém, contar-te a história de minha vida! – e narrou o seguinte:...

Estas são as últimas das primeiras linhas do capítulo inicial do inefável livro de um Brasileiro, cujo pseudônimo é Malba Tahan, sujeito que muito enriqueceu a cultura literária/pedagógica do país; porém, ironicamente, como outros escritores, caiu no esquecimento dos cursos, os quais era requisitado, da Literatura, do ensino e inclusive, da própria Pedagogia.

Feita a prévia sobre a introdução, caso queira saber o fantástico desenrolar do problema dos 35 camelos, do problema dos 4 - 4; o desembaraço do problema que determinou as cifras devidas pelo joalheiro; etc, que leia o livro. Boa, reflexiva e “viajante” leitura, é o que lhe deseja o recomendadíssimo “O Homem que calculava”; e por favor, aprenda raciocinar os números o mais rápido possível, porque, num momento qualquer, você vai precisar! Em seu nome: Profeta do Arauto.

IMG_0563.JPG Uma das seis estantes, as quais, montoeiras de livros dobram, contando histórias, explicando o inexplicável, justificando as evidências, maculando teorias e calculando os números do tempo, que laconicamente se perderam no corrosivo tempo. Livros mentem, desmentem e são controversos! .
Não se sabe por quais cargas d´água o autor adotou o pseudônimo de origem Árabe. Talvez seja porque o mundo conheceu o comércio e os tapetes Persa através desse povo; sendo impossível alguém se dar bem nesta atividade, se o mercador não dominar o elementar da Matemática, que é a aritmética e as suas quatro operações na ponta da língua.
PS.: seja inteligente leitor e não escravo de você mesmo, pois, inteirar-se dos números e o elementar da Matemática é desprender-se das amarras do consumo desregrado imposto pelo capitalismo, o qual assola o mundo e citado nas entrelinhas pelo “Homem que calculava”. Um livro completo, único e que deveria ser lido por todos. Deveria ser tão notável, quanto o centenário “Pequeno príncipe”. A diferença é que o primeiro nasceu na França, cuja população lia em média 13 livros por ano e o segundo no Brasil, um dos últimos países a ser descoberto e o primeiro em ignorância, desvalorização patrimonial e cultural e que segundo as estatísticas, o Brasileiro lia um livro e meio por ano. Duvidas? Desfazendo a dúvida, quantos Prêmios Nobel o país possui? Enquanto que a Colômbia esmera-se em envernizar e por sob o brilho das luzes, um; o Brasil samba a resposta: “de nenhum”. Porém, não foi por falta de empenho e luta, porque tivemos incansáveis nacionalistas e guerreiros e Malba Tahan com essa dádiva e soberbia de livro, foi um deles. Heroísmo e Cultura é para os fortes, incautos e incultos.
Fotos de propriedade do autor do artigo


Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!.
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