ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

Para não ouvir dizer que as pétalas não existiram

Dai-me agora o Fino e Destilado Rock, para que eu não precise pulverizar as drogas que arrulham os meus tímpanos, daqui a pouco!

"Se é para fazer barulho, deixe que eu mesmo faço". Rita Lee


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Quem esteve presente ou acompanhou as primeiras edições do Rock in Rio, deve estar desolado, interrogando-se, elucubrado com a promoção que os sucateiros do barulho, estão fazendo com esse gênero musical. Lógico que não perdi meu tempo em pesquisar sobre as bandas que estão “tocando nesta estapafúrdia edição”; mas pelos flashes vistos, a festa de Caça às bruxas está comovente e saltitante. Portanto caros e lendários Roqueiros, sorte daqueles que conheceram Rock com sabor, cheiro, guitarras, êxtase, poesia, pedais, letras, ideologias, bateria, teclados, sax, baixo, rebeldia, paz, musicalidade, labor, variações de notas, flautas, violão, órgão de tubo, xilofone, orquestra sinfônica, oboé, conservatório, amor, orégano, sexo, flower, power, and Roll; porque, o que está sendo empurrando goela abaixo da galera (note: galera é o popular “vai quem quer; Marias, aguardem eu me trocar, pois, como vocês, também vou com as vestes rosinha”) não passa de cata centavos de real e cabelos coloridos. Usando uma expressão da época do digno Rock, quando o som não satisfazia as exigências (não prestava mesmo), diziam: “que bate lata mais careta é esse, meu chapa”? Ou ainda: “ei bicho da mesmice, meu ouvido não é penico, não”! O que é fato, pois qualquer um tem direito a prostituir a família dele e a de quem mais quiser; menos aquelas que primam e zelam pela conduta de seus integrantes. Nesse quesito, deve-se separar barulho para motivar o pula-pula, de sonoridade e notas musicais para se ouvir, sempre!

Sem perda de tempo com inutilidades e indo direto ao assunto que interessa e instrui; a anacrônica (é o que os desconhecedores pregam para os dias de hoje) indústria de fabricar rebeldes, arredios e inteligências filosóficas e poéticas do rock e suas derivações, “sucumbiu-se” quase que definitivamente em terras tupiniquins. Sua derradeira aparição aconteceu por volta dos anos de 1990 e mais alguns meses, isso para quem conhecia e possuía tímpanos para o estilo, porque para algumas mídias e meios de comunicação, a palavra rock é proferida sem o menor constrangimento de agredir as bandas e àqueles que investiram seus preciosos tempos, na pesquisa, conservatório, ensaios, acordes e arranjos do verdadeiro rock Brasileiro.

O quê escolas de samba e cantores de Axé tem a ver com o genuíno, puro e não miscível rock? Sempre aparece um desses enxabidos falando em nome desse gênero, no entanto, sem nada saber e produzir sobre o mesmo. Por que se promovem tanto através da palavra rock? Há rock no samba-rock? Honestamente, não se identificam nem com a MPB, que é um estilo musicalmente apurado, com letras poeticamente bem elaboradas, fonte de estudo do idioma e criticidade política e social; quanto mais com o rock. Rock é Filosofia, Ideologia, Poesia, Literatura, Liberdade de expressão, Mitologia, Arte e para não ser prolixo demais: rebeldia social. Praticamente a MPB e o Rock, comiam na mesma mesa, dormiam na mesma cama, compunham as letras com a mesma pena e laboriosamente, harmonizavam-se com o parentesco entre as notas musicais.
Tai o porquê dos melhores e mais gabaritados letristas, arranjadores e músicos Brasileiros terem “bebericado do entorpecente ácido lisérgico musicado”, advindo deste gênero e o registro cabal do descrito, são os primeiros álbuns do Legião Urbana. Os arranjos são puramente embasados no Progressivo e a consagração, eram as músicas instrumentais. Nestas, embora a banda não fosse classificada no gênero, as variações de notas e a virtuose musical/instrumental eram naturalmente notadas. Destaco nessa corrente, o magistral trabalho produzido pelos “Tribalistas”, onde a bagagem musical de cada músico possibilitou a criação de arranjos e acordes bem ao estilo do progressivo; enquanto que as letras ficaram por conta do estilo da MPB. Um álbum magnificamente bem elaborado!
Como é de conhecimento através da História, naquela época, o país fervilhava cultura; isso porque, o homem, além de curioso em potencial é contra os costumes vigentes e o regime militar tentava impor o silêncio na marra. Em defesa de seu patrimônio, os cabeludos usuários de calças boca de sino, camisas coloridas e visual desleixados, combatia-o veemente e o escudo protetor era a arte. No pacote cultural, vindo de países distantes, o rock progressivo participava do movimento antimilitares assiduamente. Por ser um tema vasto e apropriado para novos artigos, vou dar preferência para o Rock Progressivo Nacional dos anos de 1970 aos anos 80; que segundo os críticos de música, foram as décadas de melhores produções de bandas de toda história do Rock Brasileiro.

Recovered_JPEG Digital Camera_159.jpg Em casarões semelhantes ao visto, a trupe underground se reunia para principiar as batidas do rock/arte. As diferenças entre rock e o que dizem, começam pelos casarões usados para ensaiar. Afinal, o rock destilado exige afinação dos instrumentos. musicalidade e desprendimento de conceitos!

Uma vertente deste estilo era centrada no psicodelismo (influência que não tenho total predileção) e ficou marcado pela banda “Os Mutantes”, cujo líder era o Arnaldo Batista, tendo como parceira de vocal, Rita Lee. Um hit da banda que todo “ser desvairado” cantarolava pelas ruas, era a “Balada do Louco”, música que mais tarde foi interpretada por Ney Matogrosso; que antes da carreira-solo, fazia parte da estupenda banda: “Secos e Molhados”. Esta banda, diga-se de passagem, gravou somente dois discos, no entanto, ambos são exemplarmente bem elaborados. Excelentes! Alguém que conhece os álbuns pode dizer: “o primeiro é melhor”. Também concordo, porém é questão de aceitação, gosto, e na dúvida, ouça os dois e avalie melhor o trabalho da banda. Em outra vertente, algumas bandas ensaiavam a produção de trabalhos alternativos e puramente instrumentalizados; ou ainda, instrumental seguido de vocal. Foi quando apareceu o Terço do competentíssimo Flávio Venturini. Mais tarde, após o desfazimento da banda, inspirado no também mineiro e pai da aviação Santos Dumont, Flávio na companhia de outros músicos, com forte tendência à MPB, criou o 14 Bis.

Também a banda Bacamarte, cuja vocalista era nem mais e nem menos que Jane Duboc. Para muitos, o primeiro disco: “Depois do Fim” é um dos melhores deste estilo musical e por incrível que pareça, foi classificado entre os 50 melhores álbuns de Progressivo da época. A primeira música do álbum é uma viagem sonora, com mais de 10 min de som. Notas quebradas, alternâncias de instrumentos ao longo da música, bem ao estilo do progressivo, é o que não faltam. Tivemos também Terreno Baldio, cuja influência, dizem que viera da banda inglesa Gentle Giant. Na mesma pegada, por aqui passaram A Bolha; O Som Nosso de Cada Dia; Casa das Máquinas, Bicho da Seda, Sagrado Coração da Terra. Esta última, criada pelo mineiro Marcus Viana, violinista reconhecido internacionalmente e de grande contribuição para o rock progressivo. Suas letras versavam sobre a paz ecumênica e o enaltecimento à Natureza; o que era quase regra nas letras deste gênero musical. Alguém se lembra da novela Pantanal, ou Que rei sou eu? Não? Pergunte para a vovó e ela dirá que as músicas da trilha sonora das entradas das novelas foram compostas pelo Marcus Viana. Assim espero que ela diga.
Passaram por Terras indígenas as bandas Recordando o Vale das Maças; Moto Perpétuo, (em um dos álbuns, o vocalista era Guilherme Arantes); Som Imaginário dos extraordinários Tavito e Zé Rodrix. E muito mais... Boa parte destas bandas, caso do Recordando, lançaram apenas um álbum e embora os integrantes fossem competentes na arte de musicar, a escassez de recursos próprios, gravadoras que investissem no gênero e público, faziam com que o projeto desmoronasse ainda na fase embrionária. Todavia, os poucos álbuns produzidos foram suficientes para marcar uma época, dar visibilidade ao estilo e deixar os dedilhados, as batidas e os sopros no portal principal da música Brasileira. Como quantidade não é sinal de qualidade; o progressivo nacional foi (e é) a máxima nota com as mínimas condições possíveis para se produzir música. O tal de “Vale quanto pesa”.
Para encerrar essa pequena abordagem, embora não seja totalmente progressivo, cito uma pepita de diamante bruto do rock, que é o sugestivo álbum "Fruto Proibido" da Rita Lee solo em parceria com a banda Tutti Frutti. A roqueira catou a dedo os integrantes da banda; pois, todos eram extremamente competentes e tocavam demais! Arrasadores, todos eles contribuíram dando o máximo, para o melhor trabalho da Rita! Depois...com todo respeito, suas produções visavam mais dar ração aos porcos, do que produzir pétalas para embelezar as rosas. Ainda assim, ela foi a insuperável representante feminina no rock brazuca!
Nota: respeitar a opção de cada um é a boa regra social. Entretanto, falar o que não se sabe é indução ao erro, passível de punição e vale para tudo na relação humana. Então, por favor, fale com conhecimento inteirado sobre Rock; se não, mantenha-se surdo e mudo. Bico fechado não entra mosca meu chapa e se não viu e ouviu, nesse tocante, os militares estavam certos; e não se deve entender como retaliação de expressão, mas como prostituição cultural.

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Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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