ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

A mal dita Religião ou a bendita religiosidade?

A religião dividiu;
A política quantificou;
E o peneiramento do ouro qualificou as castas.

Qual é a única confluência da salvação? Porque os desvios é o que mais tem nas esquinas das ruas e começam nos corredores internos dos lares!


Jesus.jpg Cristo mira o horizonte e se pergunta: “Religião ou Religiosidade, iluminai-me e dizei-me ó Pai adorado ”?!

Não dispondo da genialidade de um Hermeneuta e valendo-me puramente do bom senso, das suposições e analogias, imagino que o mundo deveria estar revirado de pernas para o ar, quando um ser qualquer cunhou a “religar algo” com significado da expressão latina “religare” e diante dos errôneos acontecimentos humanos em cada época, possibilitar um ser iluminado à criação do conceito e estudo da religação e posteriormente, embasados neles, finalizar os fundamentos teóricos da religião. A construção estrutural dos pilares da Teologia está centrada no estudo e conhecimento de Deus primeiramente, conhecimento de si e na preservação da família. O estudo e conhecimento dos dois últimos pilares são um tanto quanto embaraçoso, pois, o conhecimento de si, demanda inúmeros fatores que cercam o indivíduo e sem uma ínfima dose de pessimismo, e é a própria formação legatória dos filhos e parte do clã familiar, que por infinitas vezes, são corrompidos pelos próprios pais. Questão bastante polêmica e merecedora de um artigo em especial.

O conhecimento de Deus, talvez seja o mais elementar e se filosoficamente não é pesquisado a fundo, pelo menos está na boca do povo a todo instante. Sopram o nome dele arrevelia. “É Deus vai com você. Deus fica com você. Deus esteja nesta casa. Deus te pague. Deus te libertará. Deus te livre e guarde; Deus é fiel, propriedade de Deus... Deus...” a deus dará. Ocorre que em dada passagem, as Escrituras citam que não se deve clamar ou falar o nome de Deus em vão e quando se fizer necessário, que seja para uma proposta maior. No vai e vem e gozo da zona de conforto, os “fieis” esquecem facilmente do simplório: “faça sua parte que te ajudarei”.

Nas mesquitas, nas casas, igrejas, templos ou coisas que o valham, pastores, padres, pregador, oradores, lideres e outros possuidores da “palavra” de Deus, nunca dizem que aquele que não produz um mísero grão de arroz para o seu sustento, que vá ter com as formigas (elas, juntamente com as abelhas formam as comunidades mais perfeitas, comunitárias e trabalhadoras dentre todas as espécies) e lógico, não dizem para não ferir o sentimento de indolência dos fieis; não dizem para não avivar o pensamento do cristão; não dizem para não contrariar a família, onde o pai ainda é o principal responsável pela preservação e provedor da prole; a mãe, além de dadora da vida é a moralizadora e disseminadora de princípios e legados; e os filhos deveriam (a única alteração hierárquica, pois, ao nascer já são donos de si) ser os iniciados.

Nesses mesmos lugares de pregação do nome Deus, não se ouve falar que Jesus, filho primogênito do Criador, disse que feliz daquele que tem um simples e humilde teto cobrindo-lhe do frio, do sol e da chuva; as vestes, mesmo que remendadas, servem unicamente para tapar a nudez do corpo; que um prato de comida é para matar a fome e que uns copos com água é para saciar a sede. Óbvio que tais coisas não devem e não podem ser ditas; pois, é o reflexo do fracasso e o significado da pobreza, tanto espiritual quanto material. Esses donos da razão e saber religioso esquecem que as palavras de Jesus são as medidas líquidas e certas de seu modo e estilo de vida e se não for através dele, ninguém se achegará ao Pai. Sobretudo, pregam o dinheiro acima de todas as coisas; pregam os bens materiais como a melhor e mais significativa conquista; pregam que tudo se resolve através do poder aquisitivo. Estes ensinamentos são passados, não debaixo de uma tenda esfarrapada e rota, mas debaixo de luxuosos templos e os sermões pregados, parecem mais priorizar o ter, do que o ser.

Outra passagem bastante significativa que não fazem menção e se mencionam, é de forma superficial com nuançado pelo artificialismo, foi quando depois de muito andar e pregar, ao cair o fim de tarde, os apóstolos regozijavam as proezas feitas naquele dia. Uns diziam sobre as maravilhas de doutrinação que fizeram, os outros falavam de feitos ainda maiores, outros sentiam-se orgulhosos de estarem ao lado do mestre e naquele dia, ter superado-o em feitos e realizações. Em silêncio absoluto, com os ouvidos aguçados e ao presenciar o alarido que tomou de assalto o ambiente onde estavam, para quebrar com o ego generalizado, Jesus chamou-os e pediu que eles sentassem enfileirados. Aqueceu várias bacias com água e para amenizar a dor daqueles sórdidos trabalhadores e servos de Deus, banhou-lhes os pés cuidadosamente.

Admirados e incontinente, todos fizeram silêncio e reverenciaram o ato simples, que caracterizou para sempre, o humilde, sensato e silencioso Jesus Cristo. Posto isto, a lição que fica é que exercitar a humildade e ser desprendido de valores próprios deveria ser o primeiro mandamento interativo entre os povos. Afinal, falando por metáforas, parábolas e entrelinhas, o filho do Criador sinalizou os caminhos da paz; a eficácia do amor ágape, os princípios de justiça e os porquês e necessidades dos homens serem iguais, tanto na Terra com no céu. Em sentido literal, é isto o praticado pelos religiosos? As religiões são como as leis, e embora tenham a bíblia e a constituição como manuais a serem seguidos, carecem de silêncio e de racionalidade para interpretá-las com sensatez e frieza dos dotados de razão suprema. Em ambas, cada vírgula pontuada deveria ser interpretada e acima da interpretação, aplicada para um fim honesto, igual e justo entre e para todos. Atinja quem for para ser atingindo e doa em quem for merecer de dor!

Virando a página e iniciando o novo capítulo, sabendo-se o que pregam as religiões; resta desvendar os segredos do que é, e como se exercita a religiosidade.

Conta-se em fábula que certa vez uma pessoa desmaiara em praça pública. Transeuntes passavam, olhavam o homem rolando no chão, como quem sofre de epilepsia e seguiam seus destinos atabalhoados. O tempo passava e nada de aparecer alguém para socorrê-lo; até que repentinamente, um andante pegou-o pela cintura e dobrou-o sobre o ombro. Caminhou com o sujeito algumas léguas até chegar à sua casa, onde pode oferecer ao doente, alimento, água e repouso por tempo indeterminado. Por fim, estando refeito da doença repentina, o necessitado seguiu seu caminho.

maefilho.jpeg Na “alegria”, os sorrisos falseiam as lágrimas da dor. E certamente, na dor o doente reconhece as suas fraquezas e ao passar para o estágio de convalescência, repensa a construção de um novo mundo; o qual abrace a todos os que estão ao seu redor.

Embora tenha outros significados, os cristãos deveriam se apegar a este tipo de exercício religioso e fazer o bem, sem olhar a quem. No dia a dia quantas são as pessoas que precisam de ajuda imediata e devido a inobservância, a correria e outras justificativas infundadas, os “corredores contra o tempo” deixam de prestar auxílio ao necessitado no momento exato. É óbvio que não é preciso deixar de viver e realizar as tarefas diárias, para viver as dificuldades do outro; mas tapar os olhos, subir os vidros ao ver uma criança pedindo nos semáforos, mostrar-se indiferente, todas as vezes e dizer simplesmente que não pode é prestar um desserviço à esse conceito de religiosidade. Sobretudo, o exercício desta forma de religiosidade deveria ser o exercício primeiro em qualquer atividade humana, pois, recebendo pelo serviço prestado ou não, alguém está constantemente precisando um do outro. A empregada doméstica necessita dos préstimos do juiz ou do médico; em contrapartida, os mesmos precisam dos préstimos da doméstica. Juízes, jogadores de futebol, médicos, celebridades, lavam banheiros? Vivemos em sociedade e como tal, somos gregários. Faça da imagem à semelhança, significa dizer que devemos praticar os ensinamentos religiosos proferidos pelo Criador em sua plenitude. Fazer as tarefas com comprometimento, seriedade, responsabilidade, honestidade, dando o melhor de si, é o que Deus requer de seus filhos e servos. Nada mais!

Recovered_JPEG Digital Camera_3.jpg Quem oferece o braço ou lança a mão para quem precisa, não necessita fincar o joelho sobre os bagos de milho para pedir perdão e redimir dos pecados por aquilo que poderia ter feito e não fez no momento certo.

Com apenas a bengala a lhe guiar e uma caixa com pequenas coisas para vender na mão esquerda, o deficiente visual estaciona em frente à faixa, esperando o momento certo para atravessar a rua. Seus ouvidos são perspicazes e captam bem os ruídos; porém, pelos barulhos que lhe chegam aos tímpanos, pressente que há carros transitando na faixa contrária, fazendo com que ele se mantenha estático no mesmo lugar. Dos comércios lindeiros as pessoas observam a cena. Inesperadamente, um senhor acena com a mão, pedindo para os motoristas darem a preferencia para o deficiente e ao ver que os veículos pararem, dirige-se a ele, dizendo para atravessar. Esse senhor, que fez o papel de “Bom Samaritano” foi além do que era possível fazer naquele momento? Quanto tempo perdeu de seu dia? O que ele praticou foi a religião, a religiosidade ou ambos? Pequenas atitudes tornam grande o conjunto; todavia, é necessário ter olhos das aves rapina e as garras do bicho preguiça. Olhar, pensar o problema e ser solidário, pode ser o antídoto para inúmeros males, os quais a humanidade se vê acometida diariamente. Exercitar este conceito de religiosidade é refletir que a perda de um minuto auxiliando quem precisa, pode ser o ganho da eternidade.
Quem detiver o poder de julgamento no juízo final, deverá ser imparcial e terá sérios problemas, porque a salvação se dará pelos pensamentos e atos praticados, exercitados pelo cristão aqui na Terra; e não por aquilo que ouviu nas pregações dessa ou daquela religião. Quem assina por essa síntese apocalíptica, insinua que religião nenhuma salvará ninguém; mas o exercício da religiosidade aplicada, talvez. O mensageiro nega-se afirmar! E mais, também não adianta fazer o bem e depois regozijar, como foi o caso dos apóstolos; pois, elas são independentes e o bem que a mão direita fizer no auxílio a outrem, a esquerda não deverá ficar sabendo. O mesmo vale para os olhos, para os rins, para os pés, para os vizinhos, para os familiares, para os...; enfim, para tudo que estiver ao redor do suposto altruísta. Religiosidade, solidariedade e presteza voluntária, não combinam com as falácias e regozijos humanos.
recebendoágua.jpg Quanto tempo faz que ofereceste espontaneamente e de bom grado umas gotas d`água para o gari que, humildemente e cabisbaixo, varre e apanha a fralda imunda de seu filho (contrário de outras espécies, que até o estrume é aproveitável, a inutilidade humana começa neste quesito) e os demais lixos na calçada de sua casa? A água, através da Natureza, como sabeis, é servida gratuitamente pelo Criador!
Aquele que se abstém de agir; fracassa. Aquele que renuncia à recompensa de sua ação se eleva. Fazei o bem, sem olhar a quem. Daí de graça, o que de graça recebeis; mas se no caso as oferendas forem doadas pela mão direita, cuide para que a mão esquerda não fique sabendo. Prestai atenção e exercitai as palavras e os atos do filho do Criador e o galardão, talvez seja a descida da paz celestial sobre o vosso reino! Exercite a salvação agora mesmo; já; ahora; maintenant, now; pois em qualquer idioma, as Escrituras citam que ela é individual e não adianta vociferar: “Mamãe, onde estás que não ouve as minhas súplicas”! Mães fingem que não são surdas, senão teriam ensinado tais lições de bom viver aos filhos num sistema que, deveria ser comunitário.
PS.: faço saber que a palavra religiosidade foi empregada como sinônimo de praticar, dar o melhor de cada um, exercitar a interatividade entre os integrantes que compõem um grupo qualquer, desde o mais humilde ao mais abastado. No caso, aplicar os ensinamentos religiosos como forma e maneira de religiosidade. Caso o leitor saiba ou se interesse pelo tema, irá ver que religiosidade também são formas de crendices de um povo; e crendices por crendices, bastam as pregadas pelas religiões.


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/// @obvious, @obvioushp //Profeta do Arauto