ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Tratado sobre a relação entre o Aquecimento, Água e o seu mau uso

Se quiser saber com quantos pingos de orvalho enche-se um copo de água, pergunte ao camelo, o único animal que atravessa o deserto em dias de sol esturricante e noites frias de lascar metais. Como é impossível o camelo falar, a abundância de nossos recursos hídricos jorram água, e os esguichos das mangueiras as consomem deliberadamente. Provavelmente, a resposta e a glória de quem tem o líquido precioso para usar, é a ambiguidade dissonante entre as espécies viventes no planeta. Uns sedentos, morrendo de sede e outros usando-o para fazer bolinhas de sabão.


IMG_8175.JPGAs plantas necessitam de água para sobreviver; mas será que não há outras maneiras de regá-las sem usar água tratada/potável? Após os períodos de guerra, épocas em que a industrialização, máquinas e a tecnologia vieram chacoalhar o mundo, o homem pouco tem usado de sua criatividade e os elementos corpóreos; e quando usa e o faz, faz errado e de modo comprometedor.

A problemática da água iniciou nos períodos pós-guerra, vem avolumando e ficando ainda mais acirrada ao longo das décadas. Naqueles tempos houve o conhecido êxodo rural com as pessoas saindo da área rural e migrando para os grandes centros urbanos em busca de melhores condições de vida, gerando então, o crescimento acelerado, desordenado e desestruturado, sendo exatamente isto o que aconteceu com São Paulo e outras cidades grandes brasileiras.

Proporcionalmente a extensão do tema, é a falta de consciência como agem, tanto os governantes quanto a sociedade, aumentando a carência do líquido, o qual os seres vivos necessitam para sobrevivência. No Brasil especificamente, os números estatísticos chamam atenção e em especial, o fato de São Paulo ser o estado mais populoso e mais industrializado do país e, no entanto, com a “menor” bacia hidrográfica, se comparado aos demais estados do Sudeste.
O maior rio que nasce em São Paulo e corta o estado, é o rio Tietê que nasce em Salesópolis e está em petição de miséria na maior parte de seu curso; indo depurar-se após muitos quilômetros (Jaú e Barra Bonita) de onde nasce. Sem poder contar com ele, o volume quase total de água reservada no Cantareira é proveniente das nascentes de Minas Gerais; o que talvez esclareça o que aconteceu por volta dos anos de 1980, época que foi preciso bombardear as nuvens, com a finalidade de fazer chover. Naquele ano, o índice pluviométrico foi baixíssimo e praticamente não choveu na capital. Passados mais alguns anos, tivemos o chamado “apagão” nacional no fornecimento de energia elétrica, item que também está intimamente ligado ao recurso água. Portanto, os problemas relacionados à água são antigos e as consequências e o descaso também.
Várias regiões do mundo se sujeitam e enfrentam a escassez de água. Medidas paliativas são adotadas, sem, no entanto alcançar a solução definitiva, sem surtir o efeito esperado; o que é plausível de entendimento, pois parte do problema é devido às alterações de clima devido o Aquecimento global, desmatamento de florestas sem critérios expondo as nascentes ao sol, poluição de rios e mananciais, crescimento desordenado, loteamentos clandestinos à beira de mananciais; e a outra parte, puramente, (aqui no Brasil) por conta da má gestão publica no decorrer dos anos com o setor e o mau uso da água pela sociedade. O fato é que os sinais da falta ou excesso de água estão se esparramando por toda parte do Planeta. A água, além de fundamental para a vida, também tem o poder de destruição. Porém, o presente artigo tem como foco principal, retratar alguns pontos classificados como mau uso político/social do líquido precioso.
IMG_0688.JPG Em breve, num futuro não muito distante, o Aquecimento Global tomará de assalto o Planeta Terra e as tragédias (alguns sinais já foram dados) serão inevitáveis. De um lado, poderão ocorrer torrentes, turbilhões de água, e do outro, escassez ainda maior da presenciada. Por enquanto, bem ou mal, ainda há reservas; porém quando a contradição for a tragédia absoluta, sirva-se de um copo d`água limpa quem o possuir.

Sabe-se através do estudo da Física, que sob altas temperaturas, um corpo sofre variação de medidas e volume e no caso da água, quando aquecida, uma parcela do líquido é perdida através do processo de evaporação. Como o artigo é sobre o líquido principiador da vida, sem meios de reparação, altas temperaturas é sinal natural de diminuição de água nos reservatórios. Engana-se então, quem pensa que a problemática da água, por qual passa o Planeta é de agora. Pelo contrário, desde o inicio do século passado os seres vivos estão sob esta desdita.

O continente Europeu foi o pioneiro a adotar quatro tratamentos de água e juntamente com a despoluição dos rios que cortam as cidades, foram as portas de saídas para amenizar a escassez, por qual os países passavam. No oriente, que é praticamente todo ele desértico, a miragem vista como oásis foi a dessalinização das águas do mar. Liderado por Israel, país pioneiro nesta tecnologia, o processo é dispendioso e absurdamente caro; porém, morrer de sede com petróleo em abundância, é tolice; posto isto, praticamente todos os países do oriente adotaram a permuta do petróleo pelo processo de dessalinização e entre o poder do dinheiro e a sobrevivência, embora nada excepcional, prevaleceu a inteligência.

Sobre as megalópes que estão nos entornos do deserto, tal qual a cidade de Lima no Peru, que está sopé do Atacama, região que chove (quando chove) uma vez a cada dez anos, a população agradece aos céus o fato das altas temperaturas; pois, parte do abastecimento de água da cidade se dá através do derretimento das geleiras. E o reflexo deste fenômeno está nos lares, comércios e hotéis, através dos anúncios afixados nas entradas e portas de banheiros sobre o uso racional da água. É comum os banhos serem limitados ao tempo máximo de 7 min e não há quem reclame e diga não; pois, aprenderam pela imposição da Natureza que os recursos naturais pertencem a todos e o contexto final é o chamado adapta-se aos novos modelos de vida ou a morte será coletiva.

No Haiti, país com sérios conflitos em todos os segmentos sociais, necessitando inclusive de intervenção militar dos países desenvolvidos, o terror da água faz-se notar e mexe e vira, os meios de comunicação escancaram para o mundo o quanto uma jarra de água é valorizado pelos Haitianos. Para obtê-la, a disputa é à base da força, e na lei do mais forte, vence quem possuir mais munição e no caso deles, é o alimento no prato. O simples fato de não ter, ou racionar aquilo que é necessário à sobrevivência humana, é motivo de discórdia e guerra. E lamentavelmente, naquele país, tudo é pra lá de caótico; ultrapassando inclusive os limites e índices da fome estipulados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e aproximando-se aos números da miséria absoluta.

E no Brasil, terra adorada, Pátria amada, salve, salve; como estão tratando a questão da escassez do recurso água?! Como estudado por Reynolds, estamos sob as lâminas da passividade. Pela ação da gravidade, descendo vagarosamente, uma lâmina de água sobre as outras. O gigante ainda não acordou para o problema e redundantemente, continuamos dormindo sobre macios acolchoados. O Brasileiro vê de camarote a derrocada do mundo, estupefato cerra os cenhos, mostra-se indiferente ao caso, pede licença às paredes e dome sono de pedra; no dia seguinte, repete os mesmos atos do dia anterior, tudo isto porque, o Brasileiro ainda acredita que Deus é misericordioso e bondoso somente com o Brasil.

Para que a água atinja os padrões exigidos de potabilidade ao ponto de consumo pela população, ela tem que estar livre de impurezas, ser insípida, isenta de contaminantes patogênicos, químicos e substâncias tóxicas, apresentar temperatura ideal, etc. Verifica-se, pois, para que a água chegue ao estágio final de consumo, ela tem que passar por muitas etapas, gerando incomensuráveis trabalhos desde a captação e represamento nos mananciais, passando pelo tratamento e reservação, até o passo final, que é a rede de distribuição. Portanto, ao usá-la, deve-se ter consciência de que para se chegar local de consumo, o líquido passou por um longo, demorado e trabalhoso processo de transformação de água bruta em água potável. Realmente, a água é uma preciosidade não valorizada. Irreconhecida pelo ser que é a imagem e semelhança do Criador. Para a bela e grata criação de nacionalidade Brasileira, um copo de coca cola tem mais valor que dois litros de água potável, o que é o consumo mínimo recomendado por dia pela OMS para os humanos!
IMG_7705.JPG Segundo noticiado, a principal nascente do rio São Francisco secou durante o verão de 2014
Um dos projetos “implantados” pelo governo passado foi a transposição do Rio São Francisco, cujo intuito é abastecer as regiões secas do semiárido Brasileiro. O que era para ser concluído em poucos anos, já se arrasta por mais de dez e o término das obras, ficaram para “amanhã”. E é bem provável que esse amanhã nunca aconteça, pois em muitos locais, o rio praticamente secou; caso especifico da região Norte da Bahia, região em que os ribeirinhos estão sofrendo com a seca do velho Chico. Se a seca é a realidade do rio, transportar o quê? Para simplificar o assunto, as vozes que clamavam pela transposição do São Francisco devem ter falecido sedentos pela falta, ou afogados pelo excesso d´água. Se não é um caso ou outro, por que calaram-se para sempre?
Em São Paulo o governo está num drama sem precedentes e a provável solução será a retirada do líquido da vida do rio Paraíba do Sul. O detalhe é que a seca é quase absoluta e o que tem chovido é Zero em relação ao volume necessário, fazendo com quê o mesmo esteja seco em determinados pontos; dilema este que está gerando o litígio político entre os governos do Rio de Janeiro e São Paulo. Como são cidades superpopulosas, pelo que parece a água não será suficiente para o uso dos dois estados e a Natureza, por sua vez, não está disposta a colaborar.

Nesta caçada de rato pelo gato, a sociedade responsabiliza o governo pela falta de critérios com o problema, critica a falta de investimentos na área, apega-se às estatísticas para provar o quanto os governos são falhos, porém, no minuto seguinte, acionam o botão da máquina de lavar roupas e viram as costas, deixando que parte da água vá para os ralos e esgotos. Se houvesse boa vontade, poderia usar a água suja para lavagem de quintais, carros, calçadas e coisas mais. A segunda água poderia ser usada nas mesmas tarefas, regar plantas, jardins e reuso na lavagem de mais roupas. Porém, contrariando a racionalidade e sem levar em conta que a mínima capacidade de uma máquina são de 50 a 80 litros, viram as costas para o objeto e os ralos que se incumbam de dar cabo à água. As máquinas de maiores capacidades chegam consumir até 160 litros para desenvolver todos os estágios de lavagem.

Máquinas foram criadas para auxiliar e servir e não para resolver os problemas humanos em toda a sua inteireza; porém, para chegar a esse consenso, demanda racionalidade, inteligência, percepção e obviamente, lembrando sempre que trabalhar é se dar o trabalho de enfiar e amassar a massa com as mãos, o que não é nada fácil, pois dispende suor.
O próximo desperdício desmedido é abrir no máximo as torneiras para lavar as louças e utensílios domésticos, esquecendo-se que não é o volume (quantidade) de água que faz a lavagem e sim, o manuseio correto do objeto ao ser lavado. Soma-se neste item o precário manuseio da torneira na lavagem de rosto, mãos e escavação dos dentes. Une-se a este, o uso da mangueira na lavagem de espaços quaisquer: abrem o esguicho (com ou sem pressão) e caprichosamente, saem empurrando o lixo com a água, como se fosse vassoura hidráulica; termo esse que ouvi ainda nos final dos anos de 1980 numa visita que a faculdade fez à ETA (Estação de Tratamento de Água) do Cantareira (quando havia água). Em tudo que se faça, existe uma técnica, neste caso, varre-se todo o lixo do espaço a ser lavado, se ainda restar faz-se outra varredura e por fim, joga água que pode ser com baldes. Além do consumo de água excessivo e desnecessário, bueiros e galerias de águas pluviais e servidas não são lixeiras hidráulicas. É como a máxima “água mole, pedra dura; tanto bate, que uma hora fura”; no caso dos bueiros e galerias, tanto recebe o que não é deles; que quando menos se espera, extravasam o entupimento pela boca. A água é verso e reverso do reverso do verso e assim como o sentenciado, torna-se de difícil análise e entendimento de suas facetas.
Em muitas residências e comércios, a descarga dos vasos ainda é a velha e perdulária válvula Hidra e com a justificativa de que geram custos no orçamento doméstico, estão desreguladas. Economizam uns centavos em manutenção das válvulas; em contrapartida, gastam as reservas de água e consequentemente, oneram o valor tarifário que é progressivo conforme o consumo gasto. E para completar o consumo diário, não raciocinam que o maior gasto de água está nos banhos demorados, (dependendo da vazão do chuveiro, durante 10 min de banho, consume-se aproximadamente de 70 a 100 litros de água) principalmente àqueles dispendidos pelas mulheres na lavagem do cabelo. Ainda em certos lares, sob a sinfonia dos esguichos de água saindo pelos pequenos canalículos dos chuveiros, banham-se cantarolando. Excetuando o banho diário, ainda resta o consumo proveniente das banheiras de hidromassagem e aos finais de semana, as fantasiosas piscinas e os desmedidos duchões das saunas. Claro que nem toda a população goza de tais privilégios; mas, certamente todos pagam por eles.
O estimado em projeto são 200 litros e excluindo os gastos supérfluos, estimativa esta, somente para atender as necessidades básicas e tarefas domésticas diárias. Alguém parou um segundo para fazer os cálculos de quanto gasta e quanto está sendo cobrado de água e esgoto pela empresa concessionária? Os números estatísticos existem é para isto e só assim, as teorias passarão a ter validade prática; caso contrário, de nada importa as teorias se a resistência às mudanças de hábitos é maior que o consumo dos olhos e estômago juntos. Sobretudo, comodidade e zona de conforto não combinam com uso racional do que quer seja; posto isto, o que significa sustentabilidade? Apenas teorias vagas para encher livros e mais livros de palavras e incentivo ao desmatamento de florestas para produção de celulose?
O slogan da Sabesp (Saneamento Básico do Estado de São Paulo) insinua que: “Água, sabendo usar; não vai faltar”. E o que é saber usar? Reflita sobre a pergunta e responda para você mesmo; afinal, seu juiz deve (ou deveria) ser, sua consciência; ou siga permitindo que continuem zombando de você, dizendo que há mais água no reservatório Cantareira, que inteligência e percepção em vossas cabeças!?
H2O. Dois moles de hidrogênio, somado a um de oxigênio. Massa molecular = 18. Mas não é preciso saber das características bio/físico/química da água para sentir sede; isto é parte natural e irreversível do processo de hidratação dos seres vivos. Assim como o do leitor, meu corpo é composto de carne, ossos e 2/3 de água; portanto, por favor, faça uso racional da água e respeite a parcela cabível a mim e aos demais seres vivos por divisão e direito. O Planeta, os Recursos Hídricos e todos, inclusive você, agradecem!
Rememorizando: “Sabe-se através do estudo da Física, que sob temperaturas elevadas, um corpo sofre variação de medidas e volume, com isto, uma parcela do líquido aquecido é perdida através do processo de evaporação. Como o artigo é sobre o líquido principiador da vida, sem meios de reparação, altas temperaturas é sinal natural de diminuição de água nos reservatórios”.

calor.jpg Temperatura de 40o C no Piauí faz 9 jogadoras desmaiarem em partida de futebol
Sobretudo porque o Aquecimento é fato, mas enquanto não atinge o Planeta globalmente, as temperaturas estão aumentando em escala geométrica em determinadas regiões. Neste inverno, São Paulo bateu o recorde para a estação e a temperatura média ficou bem perto dos 30o C; enquanto que a média na década anterior foi de no máximo, 23o C. Atentem-se para este pequeno, grandioso detalhe; pois, para o tribunal que julga os descasos da água, réu e vítima será você e não adianta omitir-se, tentar engabelá-la, chamar a Natureza para a mesa de negociações; ela é incorruptível! Portanto, paremos de arreganhar a boca mostrando os sorrisos falsos e tratemos do assunto com a devida seriedade que embora seja motivo de discursos político/social, não é de jeito nenhum, consumado. Ação coletiva é preciso, indolência não é preciso!
Notas: deixo para um próximo artigo, a perda de água por motivos de “gato residenciais”; pela perda por falta de manutenção nos dutos; pela perda na agricultura e outras.
Exceto a última, fotos de propriedade do autor do artigo

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
Saiba como escrever na obvious.
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