ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!

Tratado sobre a relação entre o Aquecimento, Água e o seu mau uso

Se quiser saber com quantos pingos de orvalho enche-se um copo de água, pergunte ao camelo, o único animal que atravessa o deserto em dias de sol esturricante e noites frias de lascar metais. Como é impossível o camelo falar, a abundância de nossos recursos hídricos jorram água, e os esguichos das mangueiras as consomem deliberadamente. Provavelmente, a resposta e a glória de quem tem o líquido precioso para usar, é a ambiguidade dissonante entre as espécies viventes no planeta. Uns sedentos, morrendo de sede e outros usando-o para fazer bolinhas de sabão.


IMG_8175.JPGAs plantas necessitam de água para sobreviver; mas será que não há outras maneiras de regá-las sem usar água tratada/potável? Após os períodos de guerra, épocas em que a industrialização, máquinas e a tecnologia vieram chacoalhar o mundo, o homem pouco tem usado de sua criatividade e os elementos corpóreos; e quando usa e o faz, faz errado e de modo comprometedor.

A problemática da água iniciou nos períodos pós-guerra, vem avolumando e ficando ainda mais acirrada ao longo das décadas. Naqueles tempos houve o conhecido êxodo rural com as pessoas saindo da área rural e migrando para os grandes centros urbanos em busca de melhores condições de vida, gerando então, o crescimento acelerado, desordenado e desestruturado, sendo exatamente isto o que aconteceu com São Paulo e outras cidades grandes brasileiras.

Proporcionalmente a extensão do tema, é a falta de consciência como agem, tanto os governantes quanto a sociedade, aumentando a carência do líquido, o qual os seres vivos necessitam para sobrevivência. No Brasil especificamente, os números estatísticos chamam atenção e em especial, o fato de São Paulo ser o estado mais populoso e mais industrializado do país e, no entanto, com a “menor” bacia hidrográfica, se comparado aos demais estados do Sudeste.
O maior rio que nasce em São Paulo e corta o estado, é o rio Tietê que nasce em Salesópolis e está em petição de miséria na maior parte de seu curso; indo depurar-se após muitos quilômetros (Jaú e Barra Bonita) de onde nasce. Sem poder contar com ele, o volume quase total de água reservada no Cantareira é proveniente das nascentes de Minas Gerais; o que talvez esclareça o que aconteceu por volta dos anos de 1980, época que foi preciso bombardear as nuvens, com a finalidade de fazer chover. Naquele ano, o índice pluviométrico foi baixíssimo e praticamente não choveu na capital. Passados mais alguns anos, tivemos o chamado “apagão” nacional no fornecimento de energia elétrica, item que também está intimamente ligado ao recurso água. Portanto, os problemas relacionados à água são antigos e as consequências e o descaso também.
Várias regiões do mundo se sujeitam e enfrentam a escassez de água. Medidas paliativas são adotadas, sem, no entanto alcançar a solução definitiva, sem surtir o efeito esperado; o que é plausível de entendimento, pois parte do problema é devido às alterações de clima devido o Aquecimento global, desmatamento de florestas sem critérios expondo as nascentes ao sol, poluição de rios e mananciais, crescimento desordenado, loteamentos clandestinos à beira de mananciais; e a outra parte, puramente, (aqui no Brasil) por conta da má gestão publica no decorrer dos anos com o setor e o mau uso da água pela sociedade. O fato é que os sinais da falta ou excesso de água estão se esparramando por toda parte do Planeta. A água, além de fundamental para a vida, também tem o poder de destruição. Porém, o presente artigo tem como foco principal, retratar alguns pontos classificados como mau uso político/social do líquido precioso.
IMG_0688.JPG Em breve, num futuro não muito distante, o Aquecimento Global tomará de assalto o Planeta Terra e as tragédias (alguns sinais já foram dados) serão inevitáveis. De um lado, poderão ocorrer torrentes, turbilhões de água, e do outro, escassez ainda maior da presenciada. Por enquanto, bem ou mal, ainda há reservas; porém quando a contradição for a tragédia absoluta, sirva-se de um copo d`água limpa quem o possuir.

Sabe-se através do estudo da Física, que sob altas temperaturas, um corpo sofre variação de medidas e volume e no caso da água, quando aquecida, uma parcela do líquido é perdida através do processo de evaporação. Como o artigo é sobre o líquido principiador da vida, sem meios de reparação, altas temperaturas é sinal natural de diminuição de água nos reservatórios. Engana-se então, quem pensa que a problemática da água, por qual passa o Planeta é de agora. Pelo contrário, desde o inicio do século passado os seres vivos estão sob esta desdita.

O continente Europeu foi o pioneiro a adotar quatro tratamentos de água e juntamente com a despoluição dos rios que cortam as cidades, foram as portas de saídas para amenizar a escassez, por qual os países passavam. No oriente, que é praticamente todo ele desértico, a miragem vista como oásis foi a dessalinização das águas do mar. Liderado por Israel, país pioneiro nesta tecnologia, o processo é dispendioso e absurdamente caro; porém, morrer de sede com petróleo em abundância, é tolice; posto isto, praticamente todos os países do oriente adotaram a permuta do petróleo pelo processo de dessalinização e entre o poder do dinheiro e a sobrevivência, embora nada excepcional, prevaleceu a inteligência.

Sobre as megalópes que estão nos entornos do deserto, tal qual a cidade de Lima no Peru, que está sopé do Atacama, região que chove (quando chove) uma vez a cada dez anos, a população agradece aos céus o fato das altas temperaturas; pois, parte do abastecimento de água da cidade se dá através do derretimento das geleiras. E o reflexo deste fenômeno está nos lares, comércios e hotéis, através dos anúncios afixados nas entradas e portas de banheiros sobre o uso racional da água. É comum os banhos serem limitados ao tempo máximo de 7 min e não há quem reclame e diga não; pois, aprenderam pela imposição da Natureza que os recursos naturais pertencem a todos e o contexto final é o chamado adapta-se aos novos modelos de vida ou a morte será coletiva.

No Haiti, país com sérios conflitos em todos os segmentos sociais, necessitando inclusive de intervenção militar dos países desenvolvidos, o terror da água faz-se notar e mexe e vira, os meios de comunicação escancaram para o mundo o quanto uma jarra de água é valorizado pelos Haitianos. Para obtê-la, a disputa é à base da força, e na lei do mais forte, vence quem possuir mais munição e no caso deles, é o alimento no prato. O simples fato de não ter, ou racionar aquilo que é necessário à sobrevivência humana, é motivo de discórdia e guerra. E lamentavelmente, naquele país, tudo é pra lá de caótico; ultrapassando inclusive os limites e índices da fome estipulados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e aproximando-se aos números da miséria absoluta.

E no Brasil, terra adorada, Pátria amada, salve, salve; como estão tratando a questão da escassez do recurso água?! Como estudado por Reynolds, estamos sob as lâminas da passividade. Pela ação da gravidade, descendo vagarosamente, uma lâmina de água sobre as outras. O gigante ainda não acordou para o problema e redundantemente, continuamos dormindo sobre macios acolchoados. O Brasileiro vê de camarote a derrocada do mundo, estupefato cerra os cenhos, mostra-se indiferente ao caso, pede licença às paredes e dome sono de pedra; no dia seguinte, repete os mesmos atos do dia anterior, tudo isto porque, o Brasileiro ainda acredita que Deus é misericordioso e bondoso somente com o Brasil.

Para que a água atinja os padrões exigidos de potabilidade ao ponto de consumo pela população, ela tem que estar livre de impurezas, ser insípida, isenta de contaminantes patogênicos, químicos e substâncias tóxicas, apresentar temperatura ideal, etc. Verifica-se, pois, para que a água chegue ao estágio final de consumo, ela tem que passar por muitas etapas, gerando incomensuráveis trabalhos desde a captação e represamento nos mananciais, passando pelo tratamento e reservação, até o passo final, que é a rede de distribuição. Portanto, ao usá-la, deve-se ter consciência de que para se chegar local de consumo, o líquido passou por um longo, demorado e trabalhoso processo de transformação de água bruta em água potável. Realmente, a água é uma preciosidade não valorizada. Irreconhecida pelo ser que é a imagem e semelhança do Criador. Para a bela e grata criação de nacionalidade Brasileira, um copo de coca cola tem mais valor que dois litros de água potável, o que é o consumo mínimo recomendado por dia pela OMS para os humanos!
IMG_7705.JPG Segundo noticiado, a principal nascente do rio São Francisco secou durante o verão de 2014
Um dos projetos “implantados” pelo governo passado foi a transposição do Rio São Francisco, cujo intuito é abastecer as regiões secas do semiárido Brasileiro. O que era para ser concluído em poucos anos, já se arrasta por mais de dez e o término das obras, ficaram para “amanhã”. E é bem provável que esse amanhã nunca aconteça, pois em muitos locais, o rio praticamente secou; caso especifico da região Norte da Bahia, região em que os ribeirinhos estão sofrendo com a seca do velho Chico. Se a seca é a realidade do rio, transportar o quê? Para simplificar o assunto, as vozes que clamavam pela transposição do São Francisco devem ter falecido sedentos pela falta, ou afogados pelo excesso d´água. Se não é um caso ou outro, por que calaram-se para sempre?
Em São Paulo o governo está num drama sem precedentes e a provável solução será a retirada do líquido da vida do rio Paraíba do Sul. O detalhe é que a seca é quase absoluta e o que tem chovido é Zero em relação ao volume necessário, fazendo com quê o mesmo esteja seco em determinados pontos; dilema este que está gerando o litígio político entre os governos do Rio de Janeiro e São Paulo. Como são cidades superpopulosas, pelo que parece a água não será suficiente para o uso dos dois estados e a Natureza, por sua vez, não está disposta a colaborar.

Nesta caçada de rato pelo gato, a sociedade responsabiliza o governo pela falta de critérios com o problema, critica a falta de investimentos na área, apega-se às estatísticas para provar o quanto os governos são falhos, porém, no minuto seguinte, acionam o botão da máquina de lavar roupas e viram as costas, deixando que parte da água vá para os ralos e esgotos. Se houvesse boa vontade, poderia usar a água suja para lavagem de quintais, carros, calçadas e coisas mais. A segunda água poderia ser usada nas mesmas tarefas, regar plantas, jardins e reuso na lavagem de mais roupas. Porém, contrariando a racionalidade e sem levar em conta que a mínima capacidade de uma máquina são de 50 a 80 litros, viram as costas para o objeto e os ralos que se incumbam de dar cabo à água. As máquinas de maiores capacidades chegam consumir até 160 litros para desenvolver todos os estágios de lavagem.

Máquinas foram criadas para auxiliar e servir e não para resolver os problemas humanos em toda a sua inteireza; porém, para chegar a esse consenso, demanda racionalidade, inteligência, percepção e obviamente, lembrando sempre que trabalhar é se dar o trabalho de enfiar e amassar a massa com as mãos, o que não é nada fácil, pois dispende suor.
O próximo desperdício desmedido é abrir no máximo as torneiras para lavar as louças e utensílios domésticos, esquecendo-se que não é o volume (quantidade) de água que faz a lavagem e sim, o manuseio correto do objeto ao ser lavado. Soma-se neste item o precário manuseio da torneira na lavagem de rosto, mãos e escavação dos dentes. Une-se a este, o uso da mangueira na lavagem de espaços quaisquer: abrem o esguicho (com ou sem pressão) e caprichosamente, saem empurrando o lixo com a água, como se fosse vassoura hidráulica; termo esse que ouvi ainda nos final dos anos de 1980 numa visita que a faculdade fez à ETA (Estação de Tratamento de Água) do Cantareira (quando havia água). Em tudo que se faça, existe uma técnica, neste caso, varre-se todo o lixo do espaço a ser lavado, se ainda restar faz-se outra varredura e por fim, joga água que pode ser com baldes. Além do consumo de água excessivo e desnecessário, bueiros e galerias de águas pluviais e servidas não são lixeiras hidráulicas. É como a máxima “água mole, pedra dura; tanto bate, que uma hora fura”; no caso dos bueiros e galerias, tanto recebe o que não é deles; que quando menos se espera, extravasam o entupimento pela boca. A água é verso e reverso do reverso do verso e assim como o sentenciado, torna-se de difícil análise e entendimento de suas facetas.
Em muitas residências e comércios, a descarga dos vasos ainda é a velha e perdulária válvula Hidra e com a justificativa de que geram custos no orçamento doméstico, estão desreguladas. Economizam uns centavos em manutenção das válvulas; em contrapartida, gastam as reservas de água e consequentemente, oneram o valor tarifário que é progressivo conforme o consumo gasto. E para completar o consumo diário, não raciocinam que o maior gasto de água está nos banhos demorados, (dependendo da vazão do chuveiro, durante 10 min de banho, consume-se aproximadamente de 70 a 100 litros de água) principalmente àqueles dispendidos pelas mulheres na lavagem do cabelo. Ainda em certos lares, sob a sinfonia dos esguichos de água saindo pelos pequenos canalículos dos chuveiros, banham-se cantarolando. Excetuando o banho diário, ainda resta o consumo proveniente das banheiras de hidromassagem e aos finais de semana, as fantasiosas piscinas e os desmedidos duchões das saunas. Claro que nem toda a população goza de tais privilégios; mas, certamente todos pagam por eles.
O estimado em projeto são 200 litros e excluindo os gastos supérfluos, estimativa esta, somente para atender as necessidades básicas e tarefas domésticas diárias. Alguém parou um segundo para fazer os cálculos de quanto gasta e quanto está sendo cobrado de água e esgoto pela empresa concessionária? Os números estatísticos existem é para isto e só assim, as teorias passarão a ter validade prática; caso contrário, de nada importa as teorias se a resistência às mudanças de hábitos é maior que o consumo dos olhos e estômago juntos. Sobretudo, comodidade e zona de conforto não combinam com uso racional do que quer seja; posto isto, o que significa sustentabilidade? Apenas teorias vagas para encher livros e mais livros de palavras e incentivo ao desmatamento de florestas para produção de celulose?
O slogan da Sabesp (Saneamento Básico do Estado de São Paulo) insinua que: “Água, sabendo usar; não vai faltar”. E o que é saber usar? Reflita sobre a pergunta e responda para você mesmo; afinal, seu juiz deve (ou deveria) ser, sua consciência; ou siga permitindo que continuem zombando de você, dizendo que há mais água no reservatório Cantareira, que inteligência e percepção em vossas cabeças!?
H2O. Dois moles de hidrogênio, somado a um de oxigênio. Massa molecular = 18. Mas não é preciso saber das características bio/físico/química da água para sentir sede; isto é parte natural e irreversível do processo de hidratação dos seres vivos. Assim como o do leitor, meu corpo é composto de carne, ossos e 2/3 de água; portanto, por favor, faça uso racional da água e respeite a parcela cabível a mim e aos demais seres vivos por divisão e direito. O Planeta, os Recursos Hídricos e todos, inclusive você, agradecem!
Rememorizando: “Sabe-se através do estudo da Física, que sob temperaturas elevadas, um corpo sofre variação de medidas e volume, com isto, uma parcela do líquido aquecido é perdida através do processo de evaporação. Como o artigo é sobre o líquido principiador da vida, sem meios de reparação, altas temperaturas é sinal natural de diminuição de água nos reservatórios”.

calor.jpg Temperatura de 40o C no Piauí faz 9 jogadoras desmaiarem em partida de futebol
Sobretudo porque o Aquecimento é fato, mas enquanto não atinge o Planeta globalmente, as temperaturas estão aumentando em escala geométrica em determinadas regiões. Neste inverno, São Paulo bateu o recorde para a estação e a temperatura média ficou bem perto dos 30o C; enquanto que a média na década anterior foi de no máximo, 23o C. Atentem-se para este pequeno, grandioso detalhe; pois, para o tribunal que julga os descasos da água, réu e vítima será você e não adianta omitir-se, tentar engabelá-la, chamar a Natureza para a mesa de negociações; ela é incorruptível! Portanto, paremos de arreganhar a boca mostrando os sorrisos falsos e tratemos do assunto com a devida seriedade que embora seja motivo de discursos político/social, não é de jeito nenhum, consumado. Ação coletiva é preciso, indolência não é preciso!
Notas: deixo para um próximo artigo, a perda de água por motivos de “gato residenciais”; pela perda por falta de manutenção nos dutos; pela perda na agricultura e outras.
Exceto a última, fotos de propriedade do autor do artigo

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!.
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