ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto


Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social

A diligente Água e o insensível mau uso que fazem dela (parte II)

Nasci na serra / sob as sombras. Cristalina!

Conheci a civilização / A sujeira, poluição.
Tornei-me escura, nojenta, asquerosa.
Indesejado líquido preto / Avassaladora, contaminação.

Com as perdas de minhas características / Chorando, sofrendo, depressiva, quase morri.
Insistente, resignada / Longe, muito longe / Livrei-me daquele mal / para aqui relatar o acontecimento de forma cabal.

O diabo que carregue os meus traidores para o inferno sem fim;
Que usou-me, prostituiu-me, descarregando o que era deles:
Porcarias aos montes. Podridão em mim!


Não é nada agradável escrever sobre aquilo que todos são cátedras e dizem saber; contudo escrevo, - e se atingir um leitor e este, repensar os seus conceitos sobre o tema e após a ponderação, fazer os devidos ajustes no seu cotidiano, já está de bom tamanho - para que eu continue valorizando aquilo que deve ser valorizado, que são as coisas provenientes da Natureza e por certo, de uso de todos os viventes do Planeta.

Muito acima de quem assina este, do leitor, do artigo, daqueles que representam o Obvious, está o Planeta e a ele, todos os seres vivos devem favor e rendição de graças. Vendo sob outra ótica, é formidável escrever sobre aquilo que todos sabem, afinal, as escolas, os relógios e os escritores foram introduzidos no mundo com a finalidade de reacender as tochas, as quais faltam-lhes o combustível da vivacidade e percepção. Agradeço aos leitores que forem até o fim do artigo. Certamente sairão com algo proveitoso e com conhecimento prático e aplicável no seu meio. Os elementos da Natureza: as tochas que nunca se apagam, agradecem!

IMG_3877.JPG Tomada do rio Pinheiros, abaixo da usina/comporta de traição. Tanto ele, quanto o Tietê e o Tamanduatei, rios que cortam a cidade de São Paulo, estão em petição de miséria. Totalmente poluídos e oxalá se não estão contaminados.

No artigo anterior, foi discorrido sobre uma das maneiras de como o Aquecimento Global está interferindo no recurso Água e através do processo físico chamado evaporação, quanto mais se eleva a temperatura, mais se perde água através desse processo. Portanto, é teoria a se pensar, pois o aquecimento já está alterando o clima e a temperatura em várias regiões do Planeta e como citado, no Sul e Sudeste do Brasil, o reflexo já é sensivelmente notado. Também foi discorrido sobre as várias formas de mau uso do recurso pelo comportamento dos Brasileiros e muito se deve a abundância do líquido no país; embora, que os sinais da escassez faz-se notar. O estado de São Paulo, tanto capital quanto interior, está se tornando o novo semiárido Brasileiro.
Devido o crescimento desordenado e a falta de planejamento, a “silenciosa” cidade de São Paulo viu enterrar muitas nascentes durante o seu desenvolvimento físico. Para fluidez do trânsito e melhorias no traçado viário interno e externo, grandes corredores e longas vias arteriais foram implantadas, e sem levar em conta as riquezas naturais da região, muitas nascentes foram soterradas ou expostas ao sol e por consequência, o astro rei é o inimigo número um das nascentes. Para amenizar a perda, realizam-se manejos laterais e plantio de matas ciliares naquelas que por ventura resistem viver e, portanto, contribuir para o volume de água dos córregos e posteriormente, dos rios. A cadeia é iniciada na nascente e se logo é quebrada, fatalmente o restante da cadeia e o curso da água ficará comprometido.
O Rodoanel em São Paulo foi construído faz aproximadamente uns 15 anos e atualmente a cidade está passando por um grave problema de abastecimento de água. Sabe-se que boa parte da região, onde foi aberto para a implantação do projeto, cobria e era coberta por uma reserva considerável de mata nativa, o que provavelmente gerava condições ambientais favoráveis às nascentes do entorno, que por sua vez contribuíam para a bacia hidrográfica local. Pergunta: será que isso não contribuiu para os acontecimentos da escassez quase que absoluta de água do reservatório Cantareira; pois é não melhor um pingo de água a mais do que um a menos?
A região das Águas Espraiadas, praticamente em toda a sua extensão, era várzea do rio Pinheiros e como tal, recolhia as águas das nascentes lindeiras. Sem a devida consciência social e sob os olhares esquivos do governo na época, tornou-se favela; o que perdurou por décadas, até quando foi transformada em corredores viários, motivando a especulação imobiliária. E como resposta à especulação, sobretudo, o metro quadrado é um dos mais caros, dentre todos na capital paulistana e pela lei da ganância e individualidade do homem, é preferível o dinheiro em seu bolso, do que uma nascente servindo a todos, ou pelo menos contribuindo com a maioria. Em muitos casos subterrâneos, algumas nascentes insistem em resistir à estupidez e teimosia humana e ainda estão, se não intactas, pelo menos jorrando, golfando certo volume do líquido que a todos conduz.
O inconveniente é que a água de qualidade que brota do nascedouro, junta-se com as águas poluídas dos esgotos e córregos lançados nas galerias pluviais e posteriormente, seguem indo parar nos rios que cortam a cidade. Moral da história: pela incapacidade e incompetência dos órgãos públicos para criar mecanismos de coleta e para isto é necessário projetar reservatórios para o armazenamento e depois adução às ETAs (Estação de Tratamento de Água), essa água é perdida sem o menor constrangimento e sabedoria. Nota:
IMG_7810.JPG Através de um breve ensaio biológico (Macro invertebrados Bentônicos) em parte do curso e nascedouro, verifica-se se a água é de boa qualidade e potabilidade. A fragilidade dos pequenos animais (insetos aquáticos) determinam as condições de oxigenação e existência de poluentes na água; isso porque, eles não sobrevivem em condições de precariedade e impurezas extremas; por exemplo: esgotos.
Nota: Fazendo justiça a quem dela é merecedor, existem em São Paulo um grupo de caça nascentes subterrâneas. Esses amantes do recurso água, com recursos financeiros próprios, adquirem plantas aéreas e nela fazem a triagem e mapeamento de onde existiam as nascentes e num esforço inglório, saem para tentar localizá-las e em caso positivo, fazem o impossível para preservá-las.

aguavisita.jpgEnquanto tem uns lunáticos querendo morar na Lua, (seria pelo motivo de ter encontrado água por lá?) bem humorada, essa senhora diz que: "água aqui é visita: chega, fica 2 horas e tchau".

O “desperdício” mais comum de água, que gera perdas incalculáveis de divisas para a concessionária, são as ligações clandestinas, ou comumente chamadas de “gatos residenciais”. O “cidadão” irresponsavelmente, além de construir irregularmente, abre uma valeta na rua até encontrar a canalização de água, corta-a aleatoriamente onde melhor lhe convier e faz a ligação para sua residência. Por vezes, desta sua ligação, ramifica para muitas outras. Assim, o órgão administrador contabiliza o volume de água distribuído, sem, no entanto, receber pelo volume total que saiu do reservatório para o abastecimento da cidade.
Paralelamente a esta modalidade, há a perda de água pela falta de manutenção das adutoras. Esta muitas das vezes se deve a dificuldade de inspeção regular dos dutos que são soterrados; falta de investimentos em equipamentos para detecção de vazamentos e o pior, falta de interesse das instituições e órgãos públicos em investir e atentar-se para a questão, sobretudo porque são obras de infraestrutura soterradas e obviamente, não rendem os merecidos votos nas eleições para o candidato benfeitor das melhorias. Pelos números estatísticos, os dois itens juntos, é responsável pela perda de um terço da água potável que sai dos reservatórios e consumida pela população; todavia, não faturada pela concessionária.
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Embora não esteja ligada a área urbana dos grandes centros, a agricultura é outra vilã no desperdício de água. E com o agravante de que o volume dispendido, praticamente não se renova através do ciclo hidrológico. Para agriculturas e cultivos de hortaliças e legumes, por serem plantios médios para baixo, o sistema de irrigação ainda é à base de aspersores itinerantes, utensílios que abrangem pequenos diâmetros de cobertura e consomem muita água por minuto. Certas culturas precisam ser irrigadas todos os dias, (dependendo da estação do ano, tipo de solo e relevo, algumas até duas vezes) pois, não absorvem água e quando atinge certo tamanho e abertura entre as folhas e frutos, dificulta a absorção da água pela terra, fazendo com que o desperdício seja maior.

Uma vez que a agricultura é desenvolvida em áreas rurais das cidades “pequenas” e são nestas que se fabricam a sobrevivência humana (oxigênio, alimento e água) para os grandes centros, a falta do líquido/água não é tão sentida; porém, em algumas delas já existem campanhas para a redução, criação de mecanismos para a reutilização e reuso na irrigação; o que não é tão difícil e uma das maneiras, é fazer aberturas de canais em meio a plantação para passagem nas partes mais baixa, construir cacimbas e poços para captação e recolhimento. E através de bombeamento, eleva-la de volta ao nível máximo do terreno. Esta técnica simplória e rudimentar servirá, inclusive, para a reservação das águas de chuvas.
Soma-se a perda deste item, a lavagem da produção, via-de-regra dos tubérculos, que são raízes, tais como batata, cenoura, beterraba, mandioca e outros no processo final para encaixotamento e estocagem. Como as águas ficam carregadas de terra e extremamente sujas de materiais particulados, pouco ou nada serve para o reuso, consequentemente, os destinos delas são os esgotos. Todavia, se fizerem um sistema de sedimentação e decantação através de peneiras, a água poderia ser reutilizada nas primeiras, das próximas lavagens.
Coleta das águas de chuva. Este é um item que desde muito vem sendo questionado e discutido e como de costume, chovendo ou não, pouco foi feito e aplicado. No semiárido Brasileiro, constantemente é motivo de projetos invisíveis, (planos de papel) e sempre vem à tona a sua implantação, mas que de fato, quando chove, as águas são perdidas e os investimentos também. A SUDENE e a SUDAN, órgãos criados pelo governo federal, ainda na época do Militares, para o desenvolvimento do Norte e Nordeste, incluíam nos projetos, os sistemas de captação de água de chuva através de cisternas. As águas se perderam e os investimentos também; inclusive, o projeto fez parte da conhecida “indústria da seca”. Como eram baixos os investimentos, criaram o faraônico projeto de transposição do rio São Francisco; este com mares de dinheiro.
Nos grandes centros, embora tenha outras saídas, torna-se difícil a implantação de um projeto deste tipo. Porém, nas áreas rurais é totalmente aplicável, dependendo apenas de inteligência e boa vontade.
Uso de água para a manipulação de carne de animais quaisquer, desde a limpeza dos matadouros, que é rigorosamente fiscalizado pelos países importadores, até a lavagem das louças usadas para acondicionamento das iguarias e carnes. Embora a pesquisa brasileira não seja brasileira, para se limpar um quilo de carne, os pesquisadores afirmam que é usado mais de 15 mil litros de água. Muito ou pouca, para que a carne chegue ao consumo final, muitas etapas são previstas e em todas elas, o uso de água é imprescindível. E devido o alto teor de gordura e sangue, praticamente nada do dispendido pode ser reutilizado; o que correto.
churrasco.jpgEximindo água de responsabilidade, pois ela age como solvente natural e evita o ressecamento, os amantes do regime alimentar confraternizam o churrasco nas farmácias e drogarias; para posteriormente comprar os remédios solicitados pelos Nutricionistas e Cardiologistas nas churrascarias. Não é de se admirar se trocarem água por fogo; afinal, a mente humana é uma antítese irreversível!

Pela abrangência e tamanho de nosso rebanho, o consumo de carne no país é altíssimo e talvez por desconhecimento, (sabem de tudo, discutem tudo, exceto o que é de interesse comum) o corpo humano não precisa de tanta carne para o seu desenvolvimento e conforme o sugerido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda-se 1g de proteína, multiplicada pela massa corpórea da pessoa. Portanto, uma pessoa que tenha massa de 80 quilos, necessita de 80 gramas de proteína/dia. E ela é encontrada em todos os derivados lácteos, carne animal, ovos, manteiga, gorduras e em menores quantidades, em certos grãos e cereais.

A saída para a escassez de água / é o homem provar de seu envenenamento.
Tomando o esgoto dos maus tratos e químicas postas no tratamento.

Para o escritor comprometimento e amiúde / sobraram as revelações dos problemas e danos causados à saúde.

Não diga que jamais, nunca, desta água não beberás / siga firme em frente cavando o seu próprio açude / porque néscio de razão é o vosso contentamento!

PS.: para quem pensa que uma gota de água a cada 5s é nada em meio o oceano, ela contribui com o volume médio de 20l/dia para a imensidão de águas salgadas. Reflita sobre o oposto. Certamente em algum momento de vossa existência, um copo de água representara o apagar de um voraz incêndio.

Nota: No terceiro capítulo: "As duas faces da água".

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Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social .
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