ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!

Entre a ousada coragem e a devassidão havia um influente desvio!

Entre a ousada coragem e a devassidão cotidiana havia um influente desvio. Para o bem ou para o mal. Para o sim ou para o não, para a coragem ou devassidão. Havia um influente desvio entre a devassidão e a coragem ousada. Em que pese os meus ouvidos surdos e olhos tortos, cansados e esgazeados, entre a coragem ousada e a devassidão havia um influente desvio. Certamente vi e ouvi.


Artigo sem a mínima pretensão de expor o ponto de vista do autor. Serve unicamente para a reflexão e diante do livre arbítrio e sentimento de liberdade, cada leitor se incumbirá de responder para si o discorrido em perguntas. Afinal, quem pode dizer com certeza que o amargo do fel, é caracterizado pelo despreparo, menosprezo e defeito do mais puro mel!

IMG_3725.JPGCoragem, coragem, coragem / Em tudo que você pensa e faz / Coragem, eu sei que você pode mais / muito mais [...] Raul Seixas

Coragem, empatia, senso de solidariedade, fé são virtudes que todos dizem possuir, porém quando menos se espera e mais se necessita de pô-las ao cumprimento do dever, da honra, dignidade e glória, negam. Fracassam! Definham! Tornam-se devassos de atitudes e ações. Porém num momento qualquer não passarão incólumes...o amanhã tarda mas não falha.
- Também não bem assim, né Profeta? Em tudo que se faça sempre há as exceções. Agulhas raras nos palheiros e para encontrá-las é preciso lupa de alta potência ótica.
Metrô de São Paulo. Calor estafante das 14 horas. Dizer que o ambiente estava um forno, é elogiar as broas e biscoitos finos. Para amenizar a temperatura, os lábios esturricados pedem uma taça de sorvete escorrendo pelas bordas. Quem imaginou, ou viu tal miragem, lamentosamente mudou de ideia rápido, aderindo o “querer não é poder”. Naquele espaço amorfo o que havia de sobra era mau hálito, suor vencido de muitas horas e um perfume acre de queijo gorgonzola de fariam os ratos torcerem as narinas em um solene "vou recusar a fatia que coube a mim. Desço na próxima estação. Muito agradeço"! Para ratos e gente, como diziam os antigos, “boa vida mora em prato raso”. Entre aparências e sumiços, o sol pouco aparece e quando o faz, não tinha pernas para acompanhar a velocidade do comboio metálico.
Os viajantes seguem seus cursos. Frenesi de sobes e desces. Norteados pela fome e sede, olhares míopes e pálidos cruzam-se. Gravatas ululantes pendulam na altura do abdome. Sapatos comprimem seus algozes. Joanetes e esporões dizem amém. Por onde se arrastam, tudo não passa de fosso movediço. Exceto nas ruas e avenidas largas e estreitas. É que as mentes bêbadas fervilham ladeadas pelo caos. Nada mais resta a não ser o caos. A viagem que nunca termina. Os vagões batem governados pelas rodas de ferro assentadas sobre os trilhos. Ainda bem, porque se não, certamente o descarrilamento faria um sem número de vítimas. Vidas, que como a locomotiva que as transporta, não tem freios. (im) Perfeitas vidas que se locomovem sem freios. Entre o tudo que se quer, e o nada que gratuitamente é oferecido a quem quiser, duas moçoilas proseiam a conquista e realização do dia: “dia cansativo, não? Saí cedo para estar de onde venho, às 8 horas da manhã. Estou em bicas de suor e desgaste”.
- O que foi fazer?
- Entrevista. Trabalho está difícil neste país. Quanto mais se procura, menos se encontra. E você, qual a finalidade de estar neste metrô lotado?
- Posso garanti-la que não opto pelo sofrimento. Também procuro trabalho. Até tenho conseguido, mas não aceitei o que ofereceram. Não tenho nome de Isaura, escrava que estão tentando reeditá-la. Você conseguiu?
- Sim. Para isto, terei que levantar 4h e 30min da manhã; pegar ônibus e metrô para chegar ao local por volta das 7 horas. Estou contente. Amanhã reinicio uma vida nova. Não suportava mais, preciso trabalhar para auxiliar em casa.
- Não curto trabalhar. Quando faço, é para não morrer de fome. Falando com minha mãe sobre o assunto, sempre cobro dela, porque não saiu, fez amor, transou, (fu)deu com um homem rico? Se tivesse “dado ou emprestado” para um homem de posses, bens materiais, não precisaria levantar cedo, enfrentar ônibus e metrô lotados. Comer marmita fria.
- E ela, o que diz?
- Para não recair no mesmo erro. Pede para que eu use o que tenho disponível.
- Não penso assim. Tenho coragem e disposição para ir à luta. Enquanto tiver saúde e forças físicas, assim será. Foi tudo que Deus me deu e são suficientes. Não caminho e nem caminharei pelos caminhos, os quais sua mãe a instrui e se deixa guiar. Porém, respeito o seu e o ponto de vista dela. Cada um que faça as suas escolhas. Que caminhe sob as influências que julgam exemplares!
- Eu caminharei sempre! Sofrer à toa é tolice! Cheguei à estação. Fico por aqui e para você que curti trabalhar, bom trabalho!

IMG_7141.JPGA Natureza dá início as grandes obras, mas só o trabalho as termina. E agora, quem é o audacioso/corajoso que se habilita em pôr as mãos na massa?

O que leva duas pessoas de mesmo sexo, idades próximas, de aparências vistosas, com o futuro batendo-lhes à porta, a ter pensamentos tão disformes? Por que uma ainda nutre os traços da ultrapassada Amélia; mulher de verdade? Nutre os traços de uma Maria que, na descrição de Milton Nascimento, deve ser valorizada pelo suor derramado nas faces, pela raça em batalhar o pão dela e de mais alguns, a cada dia; pela perseverança de sonhar que hoje será melhor que ontem, e pior que amanhã? Onde essa briosa cidadã aprendeu tal lição de amor próprio? Onde ela aprendeu a se envergonhar com a desonestidade? Onde aprendeu a ter pudor e vergonha da entrega de seu corpo a troco da sobrevivência? Teria ela aprendido com outras espécies, que ao notar que o filhote foi atacado pelo intruso, contra-ataca imediatamente tentando o resgate da cria? Nestes e outros tocantes, o que difere os animais dos humanos? Quantas Amélias, Marias, e Imaculadas ainda restam nos universos nebulosos e obscuros do idealismo e que, de quando em quando, deparam-se olhos nos olhos, tête-a-tête nos vagões de trens, metrôs, ônibus, rodoviárias, aeroportos e reuniões familiares?
Na contramão da suposta Maria Amélia Imaculada Idealizadora de Coragem e Brio próprios, que fraqueza instalara-se na mente da fulana, que sem maiores justificativas, fielmente, segue a instrução recebida em casa, rondando a cidade em busca das facilidades que estão reservadas para algumas de vida fácil? Em que esquina, em que paredão encontrará a sua realização? Embora não tenha declarado, será que para ela, vida fácil é sinal de felicidade? Por abrangência, por que essa geração, a qual o país está sob a tutela, encontra dificuldades até nas facilidades? Trabalhar como gari e de doméstica é dificultoso? É ser menos honrado? Menos digno socialmente que outras profissões? Qual a contribuição social de tais profissões e uma prostituta? Qual delas é mais relevante para uma sociedade que, vez e sempre, varre as hipocrisias malcheirosas para debaixo do tapete da sala, local onde recebe os convivas sob ternos e relaxados semblantes?

Será que o parágrafo/prefácio de um livro, resume as conquistas que deveriam ocorrer ao longo do ciclo de vida; mas que devido os atalhos e desvios, o conquistador prefere os imediatismos do “neste instante; do agora”? Quais são as conquistas e realizações que fazem as Maria-Amélias chorarem de prazer e uma fulana em lasciva devassidão sorrir de desgosto? O que caracteriza a essência humana: o ser, ou o ter? Estariam elas, tanto uma quanto outra, expostas à lei da semeadura? A colheita é proporcional à seleção e qualidade dos grãos semeados?
Rotineiramente somos metralhados, induzidos e direcionados pelas influências. Sem sabermos em quais esquinas elas podem nos surpreender, se serão boas ou más, servir-nos positivamente ou negativamente, elas estão por aqui e acolá. Influências são sombras que nos acompanham. Aporrinham. Sorriem. Esclarecem. Influenciam. Escarnecem. Podem ser corretas, dúbias, contraditórias, tortas, retas. Chegam de mansinho, alojam-se e quando o prisioneiro dá por si, caiu no laço. Contudo, vale a pena parar para ouvi-las? Feito isto, o deve ser assimilado, reproduzido, espelhado e o que deve ser descartado, inutilizado, vomitado, posto para fora? Influências possuem a equivalência de uma balança bem aferida, com pesos iguais em ambos os pratos. Podem inclusive, usar máscaras, disfarces e embustes; todavia, estão fragmentadas em duas partes, rigorosamente, semelhantes e iguais em tudo. Enfim, são as influências que limitam a coragem e a devassidão. E onde entram o heroísmo, a dignidade, a honradez e a resistência às más influências nesta história?
Qual é a influência maquiavélica que segundo Rousseau, Maquiavel, “fingindo dar lições aos Príncipes, deu (embora não vistas, dá ) grandes lições ao povo”.
Supondo que na época em que Jesus Cristo esteve na Terra havia um grande contingente de pessoas, por que, como pregado nas Escrituras, somente 12 (doze) corajosos apóstolos/discípulos seguiram o filho do Criador? Será que caminhar pelos trilhos da retidão é esforço demais para alcançar a brisa fresca da salvação?

Uma vez que Freud, a Psicologia e muitas outras teorias explicam tudo e nada resolvem, o que a ternura vista pelos olhos, a poesia e a escrita de Drummond contribuem para o artigo?

Fotos pertencente ao autor do artigo


Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!.
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