ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim de uma perna pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico



Seu filho. Meu filho. Nossos filhos: heróis (im)prováveis?

"Ó Herval gerador, alimente-me, nutra-me com a sabedoria, discernimento, sensibilidade, respeito, humildade, simplicidade, razoabilidade, racionalidade e outros bons atributos, para que, após incinerada as ervas do meu ser, as cinzas nutra, alimente, impregne e seja depositada em outro Homem: no meu digno e honesto FILHO".


Sentimento não revelado pelo Materialista: “Na época em que criança for sinal de lucro, possuirei todos os orfanatos do mundo. Sou egoísta assumido e quero tudo para mim. Por que adotar as ninharias de duas crianças, se mundo está infestado delas"?

gravida.jpgAo saber da gravidez, os pais firmam o pacto: “Trabalharemos em jornada dupla e concentraremos esforços para dar tudo que não tivemos para o nosso rebento. E assim que soubermos o sexo, definiremos o nome e tatuaremos em nossos corpos o nome do Fulaninho(a), seguido de: nosso filho, nossa honra, nossa glória!"
Entendo que não deveria mexer nessa questão, que é a relação entre pais e filhos; afinal, por mais sensata que seja, ela paira entre o céu e o inferno. Quem tomar o pouco de água que ainda resta no Planeta, se manterá vivo e quem ler o artigo até o fim, saberá o porquê, ferinamente, faço tal afirmação. E vou além: uma das partes tem que ceder e por incrível que pareça; quem “abaixa a pelota no piso da casa”, mesmo jogando em seu território, é o anfitrião/genitor. Esta grotesca análise sobre o clã formador da sociedade é culpa dos tempos que mudaram? Simploriamente, a resposta é “sim” para os desalentos sociais cotidianos.
Houve certa época na história da família em que os casais, “propositadamente” tinham filhos para auxiliarem nas tarefas domésticas e outras. As mulheres, via-de-regra, eram prendadas logo cedo para auxiliar a mãe nos afazeres de casa e quando se sobressaiam, aprendiam outras atividades e costurar era uma delas. Porém, haviam algumas delas que sobressaiam, caso de Yoná Magalhães que foi ser atriz por força maior e necessidade de auxiliar a família financeiramente.
Os varões, estes por suas vezes, acompanhavam os pais nas atividades de campo, na construção civil e como as mulheres, aqueles que possuíam maiores habilidades e oportunidades, acabavam aprendendo ofícios técnicos; fato que tornava a classe trabalhadora privilegiada e merecedora de melhores ganhos salariais. Enquadram-se nestes, o ex-Presidente Lula, que após deixar a sua Terra de pau de arara, assumiu logo cedo o trabalho, cuja finalidade era também auxiliar economicamente a família. Esse foi um exemplo clássico de filho que deu certo e orgulho familiar. Foi tão exemplar, que por sua prodigialidade, chegou a ser o pai da nação por 8 anos, adotando os brasileiros como filhos. O resultado veio após 5 anos após sua saída do poder.
Acima destes, somente aqueles que possuíam curso superior, o que era uma mínima parcela da sociedade. Portanto, de maneira bem grotesca, pode-se dizer que os filhos naquelas épocas eram “lucrativos” aos pais; pois logo cedo produziam, se não o suficiente para a sua plena sobrevivência, pelo menos para suprir parte do que consumiam, sacando das costas do patriarca o pesado fardo de manter a provisão da prole. Planejado ou não, logo cedo o filho tinha que assumir o seu papel de contribuinte e doador financeiro, perante a família.
Recentemente fizeram uma pesquisa para saber o que mudava na relação/vida do casal como família, após o nascimento do(s) filho(s). Oras, se pensarmos pelo lado econômico e modernismo, sem omissão, é capitalista em poderio e só pensa e fala em gordas aposentadorias, bem estar familiar; investimentos em imóveis; viagens para o exterior; como investir em sistemas pecuniários para obter melhores ganhos; constantes trocas de automóveis; melhorias da empresa; compra de iates e aviões (estamos em primeiro lugar em tráfego aéreo de helicópteros comerciais) o filho é o divisor econômico da família; pois ao casar, os rendimentos do casal (se ambos trabalharem) são somados; e dividido por três, quando se concebe um filho. Ao conceber o segundo, divide por quatro; nasceu o terceiro, divide o montante por cinco e assim sucessivamente.
Verifica-se nesta simplória contabilidade aritmética (soma e divisão) de duas operações apenas, que os filhos realmente não são lucrativos e por longos anos, é literalmente prejuízo financeiro para o casal. Sobretudo porque, só vão produzir alguma mixaria de coisas depois de longos e demorados 20 anos, (as estatísticas mostram que 2/3 da geração abaixo de 25 anos não trabalha) principalmente agora que é lei regulamentada em estatuto. Tal lei regulamenta que de menor não deve e obrigatoriamente não pode, definitivamente, trabalhar. Regulamenta ainda que a maioridade estabelecida para os homens (varões) é 18 anos e para as mulheres, 21 anos. Portanto, por todo esse tempo comendo, bebendo, dormindo, surfando e praticamente nada produzindo, pode-se afirmar plenamente que filho não dá lucro. Investimento inviável e risco garantido a curto-prazo! Filho: perdas de divisas familiares?
Ainda hoje, o patrono e chefe do clã familiar é o pai, com a mãe em segundo plano. As famílias mais antigas, que eram 70 % da população, para garantir a provisão da prole, vinham de trabalhos braçais, serviços comuns, atividades ferroviárias e portuárias, comércio, etc; e aqueles que conseguiam melhores postos, eram os técnicos. Assim posto, para alimentar os filhos, os pais tinham literalmente que suar as grosas camisas, trabalhando de 9 a 11 horas por dia contra os ininterruptos e rotineiros 35 anos de trabalho. Passados os anos, adquiriam alguns bens materiais, uma humilde moradia; alguns, a sonhada estabilização financeira e sobretudo a aposentadoria por tempo de serviço, que era a única coisa que restava. Desta forma, até quase o final do século passado, essa era a hierarquia estrutural da questão trabalho, subsistência e família no Brasil.
cruz.jpgReivindicando uma bolsa de estudo de valor irrisório de Cinco Mil Reais para a filha que faz Medicina (curso de abastados), lavrador sai do Rio G. do Sul com destino ao Palácio do Governo. Se essa moda de ganhar dinheiro pra estudar, “cola”; correndo o risco de faltar celulose para imprimir tanto diploma, os Brasileiros do país inteiro irão à escola. Irão à escola ou ao banco receber a bolsa? Após formado, qual o dever/papel social desse “cidadão poliglota ou douto”, com a sociedade e os próprios pais? A primeira alternativa a assinalar é: “Nenhum”. A segunda, fatalmente será: “ganhar dinheiro”. Não? Então, por que trouxeram os médicos cubanos para o país, desnacionalizando a saúde pública?
A expressão francesa Laissez-faire transformou-se numa espécie de provérbio fisiocrata: Laissez faire, laissez passer, le monde va de lui même [“Deixe fazer, deixe passar, o mundo vai por si mesmo.”] Como provérbio Francês, tem-se: “Louvo todos os deuses, bebo meu bom vinho, e deixo o mundo ser mundo!” Essas duas teses que acabaram se tornando provérbios, é a significação do “vivamos hoje sem se preocupar com o amanhã” da expressão Carpe Diem criado por Horácio quando disse a Leucone: “carpe diem, quam minimum credula postero". Traduzindo, tem-se a ideia de: “...invista no dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã”. A França aplicou o Laissez faire como projeto na educação e não demorou nada, para os educadores e líderes da área declinar da ideia. Notando que estavam livres de represálias, prevalecendo suas vozes e abolindo os ensinamentos de respeito, os alunos reviravam as salas para o ar. Como cupins em móveis velhos e abandonados, destruíam tudo.
Embora não tenha sido difundido em terras tupiniquins, veladamente, após a abertura para a democracia, este modelo foi adotado no país em vários segmentos sociais, educacionais, culturais, políticos, econômicos; e o mais sentido é internamente à família; pois, a última palavra em dizer o que é, ou o que deixa de ser, é a criança. Os pais quando chamados para responderem sobre algum ato de indisciplina dos filhos, sem o menor senso de racionalidade, dizem que estão impossibilitados de agir, uma vez que as leis não permitem. É fato também que, alegando possíveis trabalhos escravos e maus tratos pelos pais, o poder público interferiu criando as leis, estatutos e os conselhos tutelares. Com isto, criança nenhuma quer ser o que o pai foi e à medida que os tempos avançam, embora os legados sejam os mais exemplares possíveis (dos pais antes dos meados do século passado), o entendimento e a aplicabilidade deles foram alterados e muitos filhos/crianças jamais serão o que os pais foram. Para piorar a situação, em alguns casos, o disparate é tamanho, que não serão homens dignos e honestos, (tome como exemplo a honestidade dos políticos) como foram os seus antecessores.
Meu filho é um herói improvável. E nesse caso, o pai sente-se obrigado a pensar sob o erro cometido: “meu filho teve a oportunidade de caminhar pelos caminhos da retidão, mas optou pelas improbabilidades do heroísmo”. Contudo, status social não é sinônimo de cidadão responsável e comprometido; aliás, se for o contrário, realmente é a provação do provável herói.
filhodote.jpg“Filho de empresários manda matar pais por seguro de R$ 800 mil”. Será que este não foi o resultado do: “vou dar tudo que não tive para o meu filho”? O pai deu tudo que não teve e como recompensa, recebeu em troca a "gratidão" que imaginava não ser merecedor. Direito de imagem das Notícias ao Minuto
Num país em que a educação familiar se perdeu nos redemoinhos empoeirados do tempo; crianças: pense antes de tê-las. Na dúvida, abstenha-se. Como alento, se o poder público interfere na posição dos pais em formar e educar o filho: faça sexo; não faça filho. Não torne esse país ainda mais superpopuloso, prostituído (mais de 200 milhões de cabeças independentes e autossuficientes, são suficientes) separado; embora queiram apresentar o contrário, pobre; segregado e mais divisado pelo poder; do que está. Socialmente, seja e exerça você o papel de cidadão sustentável e assegure uma raça melhor qualificada de princípios e economicamente no futuro. Assim, quem sabe os filhos serão lucrativos e de fato prazerosos em tê-los! Pois, infeliz dos pais que semanalmente fazem uma recheada sacola de mantimentos, cuja finalidade é levá-la para ser degustada pelo filho no presídio, ou detenção.
Contudo, ignorando os subterfúgios e as precárias justificativas para o despreparo na formação dos filhos e as leis estapafúrdias criadas pelo poder público, perdido por aí ainda resta algum genitor iluminado pela luz da sabedoria e discernimento, quando diz: “filhos como estão produzindo atualmente, se pertencessem ou tivessem vividos debaixo de meu teto, dispensaria que nos chamem de Pai e Mãe. Filho nosso inicia honrado o seu sobrenome. O substantivo filho somente, nunca foi e nunca será, sinônimo de honradez maternal. Contrário desses, excluindo-os de heroísmo, Status Quo e lucros financeiros, são Homens fortalecidos e dádivas divinas. E se tivesse um orfanato de crianças, assim seria”.

Esses, os pais sentem prazer e satisfação em apresentar-lhes: “possuidor e merecedor de todas as letras maiúsculas, esses são os nossos FILHOS!”

Sinto inveja de vocês: seus filhos são heróis prováveis; já o meu!.. é único, mas me dá dores de cabeça que equivale a milhões dos seus. Parabéns!
Por fim, a bíblia serviu de inspiração e embasamento para o devaneio e insanidade do escritor ao escrever o artigo: "A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe. Discipline seu filho, e este lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma". Provérbios 29:15,17.
O que significa a expressão "A vara de correção da sabedoria" que não é citada nas pregações de políticos e religiosos, embora todos eles (pelo menos a maioria) sejam pais e possuam filhos? Seria a bíblia um manual, um guia totalmente fora de época e cheia de anacronismos ou alucinação de quem escreveu o artigo? Perfeito: continue acreditando que são apenas insanidades de Profeta! No mais: estou indo embora.


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim de uma perna pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico .
Saiba como escrever na obvious.
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