ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

O perfil de uma lesma canalha, anacrônica e gosmenta sem perfil, resume-se ao: "Ei, esperem por mim! Não entendo o porquê dessa correria atabalhoada, o porquê de tanta competição, se iremos para o mesmo lugar! Embora não aparentem, sapatos camufladores e tênis mimetistas são egoístas e não suportam retardatários na pista. Faz-se saber, portanto, que se for pelo atletismo cotidiano, não compito e nem sou exemplo de atleta"

A Serra do Rio do Rastro é obra de arte esculpida pelas mãos em meio ao verde catarinense

É irrefutável que os homens que construíram o mundo derramaram lágrimas de sangue. Excluindo as falsas emoções e examinando os fatos com a lupa da razão, pregando a não violência entre os povos, que fim levou o líder servidor, Mahatma Ghandi? Nelson Mandela foi prisioneiro por mais de 25 anos, isso se deveu porque ele pregava o aprisionamento ou a libertação de seu povo? Quem é ousado o bastante ao ponto de negar as lágrimas não derramadas, mas que choradas pelo filho do Criador? Aliás, é ele quem melhor representa esta tese. Contudo, respeitadas as proporções e os tempos, os avós ou os pais do leitor, podem fazer parte da lista dos denominados “filhos do choro silencioso”.


Por que não? Quem sabe? Afinal de contas, somos filhos de quem fazemos questão de não saber as suas reminiscências; e por mais e mais, a dignidade não presenteia, não escolhe em que residência vai morar, pelo contrário: é escolhida pela digna moradia!

IMG_2667.JPGVista quase que total da serra. Restando os traços da vertente que une os extremos dos brancos que torcem e retorcem a estrada.
As estradas, num todo, são obras meticulosas e representam fielmente o progresso e a beleza de certa região. No entanto, visto que a força tangencial é o desafio máximo das curvas nas estradas do futuro, tais adjetivos não garantem uma viagem bem sucedida. De tempo em tempo, precavidos e experientes aventureiros somem numa das curvas por onde transitam. As curvas; as retas; as pontes, túneis e viadutos; obras de arte comum e especiais, participam da beleza do traçado, porém, às vezes traem os caminheiros.
Costurar. Ziguezaguear. A primeira é atividade de sapateiros, costureiras e daqueles que manuseiam as agulhas e sovelas de modo geral. E o ziguezaguear?
- Lazer de homens.
- Errado. Trabalho de simplificação e abertura das trilhas feitas pelos animais.
- Se é isto, explique-se melhor, porque não tenho a menor ideia sobre animais e coisas técnicas.
Os animais, obviamente que a contra gosto, por que animal nenhum gosta de trabalhar, participaram ativamente da evolução e conquistas do homem. Nutriram com esforço e dedicação, a avidez e a ganância de seus algozes. Descrito por parábola, o livro Revolução dos Bichos relata as várias facetas relacionais entre as espécies humana e os animais. Camargo Correa, fundador da empresa de Engenharia Civil de mesmo nome, usou carneiros para compactar as estradas. Na fase de terraplenagem, pondo a inteligência a serviço do empirismo, ele tocava uma nuvem de carneiros de um lado a outro e com o constante pisoteio dos animais, a compactação estava pronta. Homenageando a descoberta, inventaram e nomearam o compactador, que possui salientes garras parecidas com as patas do animal, de rolo pé de carneiro. Neste caso, da necessidade e inventividade, fez-se a colaboração e presteza.
Praticamente todas as antigas estradas de terra, que após feitas as adequações geométricas; melhorias nos traçados e passaram a ser chamadas de vicinais ou rodovias, foram principiadas por animais. Esses, quando soltos nos pastos, de tanto pisotear, demarcavam o terreno em forma de trilhas. Visto de longe, dava a impressão que a elevação havia sido mapeada pelo bicho geográfico; porém com algumas diferenças e a principal delas, é que as marcas do vermelho da terra eram cravadas, acompanhando as curvas de nível. Com isto, quanto maior fosse o aclive, maior seria a espiral de transposição feita pelos cascos dos animais. As leis instintivas de sobrevivência biológica, em muitos casos, serviram de alento para as leis criadas pelos humanos.
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Com os pedaços de estradas construídos por todo lado, a economia do Sul crescia. Os gaúchos prosperavam; sobretudo porque os tropeiros já haviam cruzado os campos de cima, região de Aparados da Serra, onde está a indescritível fenda aberta pela Natureza a milhões de anos, chamada Itaimbezinho, atual parque Nacional, (em breve escreverei um artigo sobre) avançavam rumo ao desconhecido. Implacavelmente, como cão deixado para trás pelos seus donos, o incerto acuava-os noite e dia. A sorte fora lançada a bem tempo; e naquele momento eram desafiados pela (in) esperada serra do Rio do Rastro.
Quem se propõe desbravar a Natureza em razão de dias melhores, deve-se acreditar que o leito do hospital está para a saúde, assim com a morte está para a vida. Para esses, em tudo que se faça, há uma equivalência indecifrável. E não adianta lamentos e por saberem disto, derramavam lágrimas, sorrindo.
Deixando em casa as esposas e os filhos, os tropeiros seguiam firmes. As viagens eram puramente aventuras, sangue e mistério. E as lágrimas derramadas pelo suor, secaram dos rostos dos aventureiros/tropeiros? Nada. Pelo contrário. Já haviam vencido medos maiores e fatalmente, venceriam os menores. Porém, a subida era de amargar o mel, perecer as provisões e de desanimar qualquer otimista; pois, a comitiva “abre caminho” estava no sopé da serra. Bravos!
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Partindo da lei elementar da selva, que diz que onde há fumaça, há fogo; por ali já havia sinais de civilização. Uma clareira aqui, outra ali, mais uma acolá. E no entra e sai no do labirinto florestal, munidos com seus instrumentos e objetos de guerra, foram emendando pedaços de trilhas, como costureiras que emendam os retalhos na colcha. Cada uma das emendas feitas significava um avanço a mais, contra um pedaço de serra a menos. Cada pedaço emendado era a possibilidade de unir sentimentos e emoções. Era a possibilidade de um proseado amigo.

Nenhum dos obstinados estudara sobre o químico francês Lavoisier, mas sabiam de cor que na vida nada se cria, nada se consegue facilmente, nada se constrói por acaso e todos, unidos no ritual de uma força tarefa, sabiam disto. “Com o tempo e trabalho, tudo há de se transformar”. Este era o lema em que todos acreditavam e por ele, derramavam lágrimas de suor.
IMG_2609.JPGParada crucial para observar os arredores e sentir a brisa no rosto. Beleza a perder de vista. Tudo que a descrever em palavras e se vê em foto, é nada ao que se vê in-loco.
serra.jpgAs estradas são ziguezagues, meandros e canais sem fim / Que batem de porta em porta / levando notícias, apertos de mãos singelos / abraços calorosos e sorrisos em flagelos. Como são os casos dos familiares dos bandeirantes / que perderam a vida nas caçadas às pepitas de diamantes e rubis / E dos dóceis elefantes africanos / que em troca de riquezas infindas / Motivo de sangrentas revoluções / acabaram banguelas / sem os brilhantes dentes de marfim.
serra1.jpgMinha pena sempre impele a minha mente a refletir e posteriormente, usá-la para escrever sobre esse povo desbravador.
Tropa parada. Alforjes entopetados de mantimentos. O rubor envermelhando a cara de vergonha. O que tinha que ser pensado, foi pensado, então!.. munidos de pás, picaretas, enxadas, enxadões, foices, machados e facões os tropeiros foram à luta. Trabalho artesanal, duro, árduo; mas eles eram ferozes e rugiam como leões, a não desistência e após alguns meses, vencendo mais uma batalha, atingiram o espigão. Bradá-los como admiráveis, é pouco!
Por muito tempo mantiveram a serra rústica, com a estrada de terra batida, sem infraestrutura e o traçado quase que original. Porém, por iniciativa do governo local, ela recebeu melhorias, desde o alargamento geométrico, até iluminação pública e devido a essa iniciativa, pode ser vista à noite. Um espetáculo de luzes adimensional, atemporal!
E uma vez que há escassezes de aventureiros e amantes da terra, e sobram saqueadores e corsários de seus bens e capital natural, a serra tornou-se parada obrigatória para quem viaja por aquelas paragens de Santa Catarina. Com mais de 30 km de extensão e centenas de metros de desnível, o percurso é inebriante do início ao ... porque o fim não existe. Lá, longe é um lugar que não existe. Sobretudo, porque as inexplicáveis belezas dos percursos alastram-se por toda a serra Geral, motivo do governo federal ter transformado parte da região, em parque Nacional; literalmente emendando, com o parque Nacional de Aparados da Serra. Se o Brasileiro é o provinciano que é, sem maiores delongas, um site espanhol qualificou a serra do Rio do Rastro como “uma das mais belas e espetaculares serras do mundo”, ficando acima de muitas conhecidas internacionalmente.
Se eles disseram isto, qual é o Profeta que dirá o contrário? Afinal, os espanhóis são descendentes dos mouros, Árabes e ciganos; e por certo tempo manteve o Brasil sob seu domínio. Infelizmente, fomos e somos de domínio público mundial, o que não tira o verde de nossa riquíssima flora e acanha-me em dizer que a serra do Rio do Rastro é assombrosamente bela! Faz luzir as íris dos olhos. O que, redundantemente, é nada se comparado ao que se vê in-loco; afinal, o experimentalismo supera o que se escreve, portanto, que tenhas suas experiências próprias.
IMG_2526.JPG Praça e igreja matriz de Nova Orleans, cidade que fica no baixio da serra. IMG_2519.JPG
Exceto as fotos monocromáticas, as demais pertencem ao autor do artigo


Profeta do Arauto

O perfil de uma lesma canalha, anacrônica e gosmenta sem perfil, resume-se ao: "Ei, esperem por mim! Não entendo o porquê dessa correria atabalhoada, o porquê de tanta competição, se iremos para o mesmo lugar! Embora não aparentem, sapatos camufladores e tênis mimetistas são egoístas e não suportam retardatários na pista. Faz-se saber, portanto, que se for pelo atletismo cotidiano, não compito e nem sou exemplo de atleta".
Saiba como escrever na obvious.
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