ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Música e futebol: elos amigáveis entre brasileiros e argentinos?

Brasileiros e Argentinos se amavam com a mesma intensidade; em doses proporcionais? Sim: brasileiros e argentinos falavam a linguagem da música. E exceto o futebol, outros estilos de vida, também!


Nas questões que envolvem conceitos geográficos, superfície territorial, atrativos turísticos e riquezas, o Brasil pode ser considerado o jardim do Éden e a Argentina as lápides do inferno. Na política pública, empatam pela péssima, incompetente e desmoralizada administração praticada em ambos os países. Porém, no quesito cultura, los hermanitos estão anos luz à nossa frente. E esta realidade começa em Córdoba, uma das maiores cidades argentinas, que honradamente recebeu dos espanhóis a primeira Universidade pública da América do Sul.

cartazcrucis.jpgEsse concerto marcou a união entre bandas argentinas e brasileiras. Para evidenciar esta relação amigável e cultural, o concretismo se deu com a faixa "Crucis" produzida especialmente pela banda O Terço para los hermanos do Crucis.
E por serem preservadores de suas raízes e origens, mais pátrios do que os brasileiros, os argentinos ainda guardam os aspectos culturais-universitários (americanismos nem pensar) de outrora: contando com eventos musicais em praças e parques públicos, a cidade de Córdoba e muitas outras fervilham cultura independente e alternativa. Para os argentinos, cabelo e inteligência pertencem ao mesmo cérebro, pois nos quatro cantos do país, cabelo grande é um ritual de originalidade e identificação com o rock. E se portarem de outra maneira, é porque o bailado do “dois pra lá, dois pra cá”, está nas entradas dos teatros, homenageando Carlos Gardel.

crucis1.jpgDetalhe de capa do primeiro álbum da banda de 1974

Meados de 1970. Novamente os dois países dão as mãos na tentativa de fazer perpetuar o silêncio, isso porque, tanto no país vizinho, quanto no Brasil, o assunto reinante era a privação da liberdade de expressão e cassação aos insatisfeitos e rebeldes. No entanto, assim como o líquido muda de estado em razão da agitação molecular no recipiente, um grupo arredio de jovens se juntava às escondidas no subúrbio da capital para escarnecer os ditadores e afinar os instrumentos numa velha canção rock and roll.

crucis.jpgA primeira formação do Crucis, contava com o uruguaio José Luis Fernández no baixo. Aníbal Kerpel nos teclados. Pino Marrone nas guitarras e Gonzalo Farrugia na bateria e percussão. Destes, Gustavo Montesano, além de fazer o vocal, substituiu o baixista José Luis.

Em 1974 a banda lança o álbum “Crucis” e mesmo fazendo algumas turnês pelos países vizinhos, os problemas financeiros ficaram evidentes. Somado a isto, as drogas rolavam à solta, motivo de gerar desavença e instabilidade entre os quatro integrantes da banda: a perda da racionalidade era tanta, que chegavam à agressão mútua.
losdelirios.jpgCapa do segundo álbum: o místico contrastado com o surreal.
Apesar de toda turbulência, a competência de cada um, a satisfação de ouvir os gritos da palavra "Crucis" nos minguados shows e a renovação interior que a música lhes prestava, alentava-os para seguir juntos até 1976, ano de lançamento do derradeiro álbum "Los Delirios Del Mariscal".
O novo lançamento é plenamente aceito pelos fâs, bem como pela crítica argentina; no entanto, não o suficiente para estimular o grupo a seguir em frente juntos, e após o lançamento do álbum, como ocorrera com muitas outras, a banda anunciava a separação definitiva do grupo. Cada um que seguisse o seu caminho, na música ou não. E para não passar incólume aos tantos acontecimentos funestos ligados ao rock, no dia 9 janeiro de 2009, o ex-baterista da banda atentava-se contra a própria vida. Rumores dão conta que o músico passava por forte e intensa depressão emocional no Uruguai, findada na tragicidade.
Pode parecer contrassenso de ideais, heresia conspiradora contra a lealdade futebolística atual, (Neymar e Messi jogam pelo mesmo clube e ganham fortunas jogando um mísero futebol para mercenários aplaudir) mas a música uniu Brasileiros e Argentinos num só elo, dando mostra cabal que a arte e a cultura não possuem os ranços estúpidos, os quais cercavam de falácias e verdades os países; pois contrário ao que se joga atualmente, argentinos e brasileiros eram bolas não miscíveis jogadas em qualquer gramado. Brasil e Argentina no futebol era sangue, suor e lágrimas. E por certo, mais (quase que totalmente) por parte deles.
Abro um leque para informá-los que os uruguaios, além de levantar a taça de campeões do mundo, certa ocasião, fizeram o Rivelino quebrar a bunda nos degraus da escadaria do vestiário do Maracanã. Para não tomar um "cacete" dos gringos, desceu escorregando escadaria abaixo. Hilário vexame, que a mídia faz questão de sumir com os arquivos e fotografias!
Esporte que, tanto os argentinos quanto os brasileiros, sabem e não querem enxergar, não instruí, não forma opinião e obviamente, não melhora o nível intelectual do povo. Pelo contrário: futebol é forte aliado do capital, da ignorância, separação das nações. Sobre futebol, além de explorar a pobreza, a síntese é:
O Padre prega o sermão; fiéis fingem ouvir;
  • Cães ladram; equinos resfolegam;
    • Gravatas se reúnem às furtivas; dinheiro que esvai-se;
      • Maria Fumaça que emperra; maltrapilhos nos trilhos;
        • Madames em shoppings; homens reunidos para mais uma orgia;
          • Na partida disputada, se o seu time:
            • ganhou; ganhou. Empatou; empatou. Perdeu; perdeu;
              • Nos dias da semana, em nada alterou.
                • Parte de tudo isto, é culpa do futebol,
                  • Em qual o povo, seus sofrimentos e dores, alienou.
                    • Fina música para se ouvir: inteligência que ressurge;
                      • Bola que rola: alienação que encaminha os seus, à cova!


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
Saiba como escrever na obvious.
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