ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário

Do meu blá, blá, blá diário, à indissolúvel ação ambiental que não fiz

Praticamente os estadistas do mundo inteiro est(avam)ão reunidos em Paris para a conferência do clima e exceto os de interesse de cada país, ou continente, foram muitos os mega-eventos realizados. Reunião sobre meio ambiente é o que não faltou; e jamais faltará! Resultando em sorte e ganho para quem?


Um das pautas reinantes, talvez a de maior destaque na conferência CoPI 21 de Paris, (país sede da 21ª Conferência do clima em 2015) é a diminuição de lançamento de carbono na atmosfera, o que conforme pesquisado paulatinamente pela ciência, aumenta o efeito estufa e através dele, proporcionalmente, eleva o aquecimento do Planeta. E a previsão é que o aquecimento atinja dois graus Celsius, acima da temperatura média global atual. Em virtude desta tese elementar, o fator desmatamento tornou-se o primeiro item e vilão a ser questionado e debatido nas conferências e simpósios sobre meio ambiente.

IMG_0188.JPGValeu você Henfil, pela visão ambiental traduzida em sensibilidade poética!

Pentearam o anelado da cabeleira das árvores nativas com o pente fino afiado das motosserras. Em mata fechada, movimentou e bocejou, se é da espécie humana, em pouco tempo o intruso deixa as pegadas da destruição. IMG_0452.JPG Além de desmineralizar e retirar os nutrientes, disparadamente é a pior maneira de uso do solo, custo zero e lucratividade dez. E onde plantam eucalipto, não nasce nem gente; em compensação, brotam fortunas. A cada cinco/sete anos o capital sobre o montante de capital, se renova.
Realizada no Rio de Janeiro em 1992, a 2º conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, foi promovida pelo governo, juntamente com o Fórum Global da Sociedade Civil. Verifica-se, pois, que de lá para cá, passaram-se várias conferências, muito se falaram e inúmeras atas foram assinadas; mas pouco tem sido feito de concreto para a realização das propostas discutidas. Na China, com a abertura da economia para o capital externo, repentinamente o país levantou a taça de “número um” em poluição, os níveis de materiais particulados e fuligem no ar são tão assombrosos, que a população dos grandes centros usa máscaras para tentar diminuir a inalação dos gases e poluentes. Estima-se que o nível de poluentes no país esteja 40 (quarenta) vezes acima do recomendado pela OMS. Só isto.
A OMS - Organização Mundial da Saúde - instituição pertencente a ONU, possui membros do Brasil e dos EUA, representando esses países na organização. Contraditoriamente, nos EUA, país onde se respira o segundo pior ar do mundo, os níveis também são alarmantes. No Brasil, nas cidades acima de um milhão de habitantes, devido o turbilhão de automóveis nas ruas, o concreto dos arranha-céus e o comprometimento da impermeabilização generalizada dos espaços urbanos, (o indivíduo possui um pequeno quintal e para conseguir uns trocados a mais, concreta e constrói um barraco para explorar o conterrâneo) sem perspectivas de melhoras, mesmo porque a sociedade é indiferente ao problema que a aflige, a poluição originada pelo dióxido de carbono (CO2) é alarmante. O horizonte da cidade de São Paulo é tão cinzento e mórbido, que os paulistanos já dispensaram os sombrios óculos escuros e aderiram o colírio como estratégia visual.
Adentrando o campo político-ambiental, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, estando ele na Dinamarca com honras de estadista e presidente da década para mais um evento sobre meio ambiente, dizia que as nações deviam e estavam engajadas, imbuídas, comprometidas em melhorar e cooperar para um planeta mais saudável, menos poluído, mais humano, menos sufocado e sufocante; e sobretudo, sustentável. Quem ouvia, imaginava estar diante do Messias, o prometido de volta à Terra, tamanha era sua condição em fazer milagres ecológicos e restauração ambiental em horas. Assim que chegou ao Brasil, por ser final de ano, congratulou os brasileiros com um bom natal e excelente ano novo, e disse que o ano seguinte poderia ser ainda melhor economicamente e soberbo aos olhos do vizinho, se todos comprassem um carro zero. O povo brasileiro aplaudiu e foi às compras, obviamente, seguiram direto para as concessionárias adquirir um automóvel. Novamente a contradição foi o ponto chave deste episódio; pois, a queima de combustíveis fósseis pelos carros é o segundo item mais poluidor, perdendo apenas para os poluentes originados pelos desmatamentos e queimadas.
Uma vez que as labaredas saídas das chaminés do capitalismo não podem parar, a única maneira de combater a poluição e os gases tóxicos lançados diariamente no ar é através do plantio de arbustos, que faz naturalmente o sequestro do carbono, refrigera o espaço local e em grandes escalas, auxilia na renovação do ciclo hidrológico. Portanto, para haver melhoria do ar e a diminuição do aquecimento, que por enquanto é localizado através das ilhas de calor, é imprescindível a manutenção e expansão, pelo menos, das pequenas reservas verdes.
IMG_2602.JPG Se em 1992, cada habitante do planeta tivesse plantado uma árvore, o dossel da mata estaria como mostra a imagem: bem penteado pela Natureza, refeito e por igual. Isoladamente, o ciclo de uma árvore é finito; porém fazendo parte de uma reserva, torna-se indispensável e auxilia na perenidade da mata. Até fenecer, ela contribuiu ativamente em muitos aspectos para a continuidade da floresta, a começar pela camada primária e mais rica em nutrientes do solo, que é a serrapilheira.

Maldita condicional "se" que não se realiza nunca.

Um exemplo arrojado, amplo e esquecido de projeto de reflorestamento, mas que de fato resplandece os olhos daqueles que entram em contato com as belezas dele provenientes, é o Parque Nacional da Tijuca, o primeiro nesses moldes no país. Não obstante e contando com a carência de água na cidade do Rio de Janeiro, devido as matas nativas que perdiam espaço para agricultura e a pecuária sem o adequado manejo por parte dos proprietários, o alto escalão da monarquia forçou a desapropriação das terras, procedendo imediatamente a restauração e reflorestamento dos morros e encostas. Este trabalho memorável de desapropriação e reflorestamento de área degradada, portanto, é da época de Dom Pedro. Aqui neste paraíso de desqualificados, troca-se o ruim pelo pior, sempre. E projetos como o citado, para não causar mal estar, polêmicas sociais e políticas, incineram os rascunhos ainda no momento da execução.

Projeto aquele que obtém-se plantando mudas de árvores primárias e após estas crescerem e gerar parte do sombreado, plantam-se as árvores secundárias de grande porte. Comprovadamente, após 15 anos quando muito, o conjunto arborizado está formado e por consequência, haverá sólida e imutável regeneração de espécies e organismos vivos. Com isto, a vida renasce e a renovação é constante; sobretudo, depois de dar a sua contribuição ao ambiente reflorestado, uma árvore falece deixando para trás, além dos legados, muitas outras derivações de espécies da fauna e flora.

Motivo de Lavoisier dizer que na Natureza nada se cria, tudo se transforma. Quando aprenderemos esta lição primária e natural dos seres vivos? Portanto, a Natureza não espera que façamos grandes coisas por ela; por sinal, não necessita. Quer apenas que a entenda e a respeite, tal como o homem exige de seu semelhante. Para que ela ressurja, solícita de princípios, se arrancaram-lhe as raízes, que as devolva. Será que esses nobres conceitos foram pautados na CoPi 21?

IMG_0689.JPG Se em algum momento de displicência, sensibilidade e desprendimento interior, alguém parar um segundo, somente um segundo, para ouvir o correr das águas, o trinado dos pássaros, o farfalhar das folhas, a leveza da borboleta acariciando a flor, e sentir a brisa fresca refrigerando o seu rosto e esvoaçando os seus cabelos; pois saibam todos, que sou eu expressando as épicas poesias não escritas pelos poetas da Natureza!

Maldita condicional "se" que enche páginas inteiras, escreve livros, edita enciclopédias, mas não se realiza nunca. Esta inutilidade subsidiária de subterfúgios, deveria ser excluída dos dicionários.

O dito popular sugere que: “faça um filho, escreva um livro e plante uma árvore”. Analisando pelo lado racional e naturalmente sustentável, conceber um filho não é nada viável; pois na maioria dos casos, o rebento recém-chegado ao mundo, apesar de comer, beber e dormir regularmente; irá produzir umas ninharias de coisas materiais para si, (quando produz) somente depois da metade do ciclo de vital em diante. Como parecem cristais intocáveis, a parasitagem começa na família e expande-se para a sociedade, atingindo por fim, o capital natural proveniente do meio ambiente.

Faz criança quem não tem consciência de futuro ou não sabe fazer sexo, que são coisas totalmente distintas. Criança faz-se à base do toma lá, dá cá mecânico e obrigatório entre o casal. Já sexo faz-se pelo prazer de amar, e o prenúncio se dá através das más intenções dos olhos, no desprendimento e liberdade das palavras, da irresponsável insensibilidade das mãos e no enrosco demorado e insaciável dos corpos. Contrário de quem faz criança, sexo não exige planejamento, (falso planejamento, pois as prateleiras dos fóruns estão apinhadas de processos de separação, divórcio e pedido de pensão alimentícia) ocasião, lugar, posição. Sexo é comprometimento responsável com o prazer, êxtase e transcendência à dois. Sexo é levitação, amor, poesia e insana virilidade entre um macho e uma fêmea.

Portanto, faça sexo, não faça criança; porque quem irá pagar o valor da irresponsabilidade é o já escasso e comprometido meio ambiente; afinal, os cristais intocáveis e pedintes do kit "Futuramente eu lhe pago com o meu voto" terão que, no mínimo, comer e beber.
Deixar-se levar pelos instintos, cuja finalidade é a procriação e secundariamente, o empobrecimento do planeta somente, é multiplicar ainda mais o bordel burguês dos capitalistas e políticos; porque a cada três, duas são pobres e no futuro, serão usadas pelos senhores do poder. Para o primeiro: como mão de obra escrava para o trabalho. Para o outro: engabeladas pelos mal fadados programas sociais, garantia de votos.

Na questão seguinte, que é escrever um livro, é missão quase, se não, impossível no Brasil. Já o terceiro item, este sim é digno de notas. Louvável! Venerável! Afinal, plantar uma árvore é uma iniciativa altruísta, benevolente, amorosa e caridosa; não somente com o próximo, mas com a geração futura, a qual inclui o seu filho e sobretudo, com o meio ambiente. Se não pensam assim!.. espere em Deus; porque, além de ser o criador dos traidores Adão e Eva, ele é bem mais generoso que a Natureza.

Contudo, se não pensam um sistema humano em comunhão com a Natureza, certamente pensam algo melhor: o blá, blá, blá de cada ocasião. Porque, se cada habitante tivesse plantado uma árvore em 1992, o planeta estaria totalmente reflorestado e os abundantes três hectares do planeta usados atualmente por pessoa, não seriam necessários. A continuar como está, é impossível haver recuperação, reposição por parte da Natureza; pois o uso dos recursos é muito maior, que o poder de resiliência natural promovido pelo meio ambiente. Portanto, meus caros, coloquem os pulmões de sobreaviso; porque os diminutos níveis de oxigênio irão escassear ainda mais e quem agir com parcimônia, verá. Já os atirados e gananciosos...esses serão lançados à fome dos leões no deserto, e se não conseguirem se explicar a tempo, naturalmente, prestarão um excelente serviço, notável boa ação à fauna. Que saibam todos, que na contra mão do pregado pelos (in)sensíveis humanos, fome e miséria são equivalentes em qualquer âmbito eco-biológico!

PS.: desde quando, a partir de quais períodos, a fome e a miséria passaram a comer no mesmo prato com os povos do mundo todo? Para aclarar o meu blá, blá, blá diário, em 1950 a população mundial era de 2,5 bilhões de humanos. Em 2000, o número ultrapassou os 6 bilhões e atualmente, está em quase 7 bilhões e meio. Soma-se à estatística, que a expectativa de vida da população mundial passou de, aproximadamente 65 anos em 1990, para 72 anos em 2015.

Os meus sofismas querem incutir em minha razão que o consumo vai diminuir; que a emissão de gases lançados na atmosfera diminuirá; que o acréscimo de temperatura em 2100 ficará abaixo de 2 graus Celsius. O que acredito piamente, afinal, dos leitores que leram este artigo, nenhum (não entenda como agouro) estará respirando até lá, para rememorizar este meu blá, blá, blá.

Fotos pertencentes ao autor do artigo


Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim corrupto de uma perna, pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma perna. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico e não faço o menor esforço para voltar à realidade dimensional e objetiva nossa, de cada dissabor diário .
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