ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim de uma perna pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico



O álbum Christmas do Jethro Tull é o realce em notas musicais para o seu natal

Libertária em alto mar / flutua a nau.
Sob sol / Reveses / Temporal.
Soprando a canção Bourée de Bach / Flutua a existência / Flautim a dançar.
Neve / Ovelhas / Guirlandas / Chaminés.
É natal / Frugalidade / Recomeço atemporal.
Ensejo para comemorar.


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Quem é que não conhece um som melódico que chega mansinho e em poucos minutos, suavemente, troa alertando que algo de novo está no ar? Do menos, ao mais erudito das letras, quem é que nunca ouviu uma música que enaltece o final de ano, anunciando o natal? Provavelmente, pode ser que com o passar dos anos, o badalar dos sinos percam os ecos; os sons dos trompetes diminuam o volume; os duos de violinos e violoncelos desafinem; o John Lennon cante “Imagine” com menos intensidade; a cigarra morra num explosão torácica de tanto cantar ...“chegou o natal e o que você fez”...; mas sempre vai haver alguém que pare a realização das tarefas por um segundo para ouvir a harmonia instrumental ou as letras das músicas natalinas, e com elas, enveredar-se no espírito rejuvenescedor do natal. Sobretudo e não obstante, por mais desatentos e surdos que sejam, ao chegar o final de ano, os ouvidos se afinam para este estilo e gênero musical.

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Uma vez que o estilo é peculiar ao leitor, resta ao autor do artigo propor uma diversificação maior nas notas musicais, que talvez lhe sirva de alento e recolhimento sonoro no momento da comemoração natalina com os amigos e familiares. Provavelmente este também tenha sido o pensamento do Ian Anderson e seus amigos de banda, quando reuniram-se para planejar e elaborar as notas musicais do álbum Christmas.
Produzida com total apreço para ser apreciada imoderadamente em qualquer ocasião; esta obra de arte do Jethro Tull - banda eclética oriunda da gélida Escócia que deve ser reconhecida, não só pelos acordes e arranjos que variam desde o blues ao jazz, mas também como prenunciadora do rock clássico/erudito - foi criada especialmente para fazer resplandecer as cores do natal em todos os lares. Certamente Ian Anderson pediu licença ao bruxo, o qual incorpora para realizar a hipnotização da plateia em seus espetáculos e plagiando um dos reis magos, fez descer sobre a banda a placidez das águas; o escasso arrebol alaranjado das manhãs escocesas; a interatividade harmônica entre a flauta, o flautim, o bandolim, o acordeão, o teclado, as guitarras e a bateria.
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Bourée, uma "suíte em Mi Menor para alaúde" de Bach, foi arranjada especialmente para flauta em 1969 pelo Jetho Tull, no álbum "Stand up". A mesma faixa, magistralmente, volta à cena no álbum Christmas. Nuançado pelo estilo celta, a faixa Greensleeves é outra pérola sonora insaciável aos ouvidos. Benevolente, cito mais uma: "God Rest Ye Merry Gentlemen". O resto fica por conta da curiosidade do leitor. Boa gravitação ao redor de si!

Ian Anderson disse formalmente que não é cristão praticante; mas que é um praticante agnóstico. Dito isto, nas letras do álbum Christmas ele deseja boas festas aos cristãos, judeus, ateus, pagãos e igualmente e sem distinção, aos sem religião.

Sendo ele o primeiro a ouvir o álbum de fio a pavio em 2003, Jesus Cristo sentiu-se lisonjeado com a homenagem, abriu um largo sorriso e fechou o olho esquerdo numa piscadela para Deus. Sob os musicais natalinos, uma horda de anjos circundavam-os. Nesse ínterim, o filho do Criador torceu os lábios um sobre o outro no canto da boca e mandou um positivo com o polegar direito erguido para os terráqueos. O que será que ele queria dizer com esse gesto, embora estranho, meigo e simpático?
“O álbum Christmas do Jethro Tull é o realce em notas musicais para o seu natal”.

“Que ao despertar para o recomeço / possamos ver e ouvir / o que era para ser visto e ouvido ontem: o belo nas flores heliotrópios / girassol circulando à procura do sol / nota musical tocada em ré-bemol”.
“O resplandecer do simples, apagando o complexo / lenço branco pedindo paz no escuro taciturno / O trinado dilacerado implorando nexo / gorjeio refinado do rouxinol”.

O autor

Profeta do Arauto

A inspiração para escrever me vêm sempre que vejo pela claridade de minha razão um querubim de uma perna pulando com duas; e invariavelmente desaparece, quando o querubim se transforma num saci com duas, pulando com uma. Durante o transe da minha imagem translúcida no espelho, sou um néscio metamórfico .
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