ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!

O álbum Christmas do Jethro Tull é o realce em notas musicais para o seu natal

Libertária em alto mar / flutua a nau.
Sob sol / Reveses / Temporal.
Soprando a canção Bourée de Bach / Flutua a existência / Flautim a dançar.
Neve / Ovelhas / Guirlandas / Chaminés.
É natal / Frugalidade / Recomeço atemporal.
Ensejo para comemorar.


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Quem é que não conhece um som melódico que chega mansinho e em poucos minutos, suavemente, troa alertando que algo de novo está no ar? Do menos, ao mais erudito das letras, quem é que nunca ouviu uma música que enaltece o final de ano, anunciando o natal? Provavelmente, pode ser que com o passar dos anos, o badalar dos sinos percam os ecos; os sons dos trompetes diminuam o volume; os duos de violinos e violoncelos desafinem; o John Lennon cante “Imagine” com menos intensidade; a cigarra morra num explosão torácica de tanto cantar ...“chegou o natal e o que você fez”...; mas sempre vai haver alguém que pare a realização das tarefas por um segundo para ouvir a harmonia instrumental ou as letras das músicas natalinas, e com elas, enveredar-se no espírito rejuvenescedor do natal. Sobretudo e não obstante, por mais desatentos e surdos que sejam, ao chegar o final de ano, os ouvidos se afinam para este estilo e gênero musical.

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Uma vez que o estilo é peculiar ao leitor, resta ao autor do artigo propor uma diversificação maior nas notas musicais, que talvez lhe sirva de alento e recolhimento sonoro no momento da comemoração natalina com os amigos e familiares. Provavelmente este também tenha sido o pensamento do Ian Anderson e seus amigos de banda, quando reuniram-se para planejar e elaborar as notas musicais do álbum Christmas.
Produzida com total apreço para ser apreciada imoderadamente em qualquer ocasião; esta obra de arte do Jethro Tull - banda eclética oriunda da gélida Escócia que deve ser reconhecida, não só pelos acordes e arranjos que variam desde o blues ao jazz, mas também como prenunciadora do rock clássico/erudito - foi criada especialmente para fazer resplandecer as cores do natal em todos os lares. Certamente Ian Anderson pediu licença ao bruxo, o qual incorpora para realizar a hipnotização da plateia em seus espetáculos e plagiando um dos reis magos, fez descer sobre a banda a placidez das águas; o escasso arrebol alaranjado das manhãs escocesas; a interatividade harmônica entre a flauta, o flautim, o bandolim, o acordeão, o teclado, as guitarras e a bateria.
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Bourée, uma "suíte em Mi Menor para alaúde" de Bach, foi arranjada especialmente para flauta em 1969 pelo Jetho Tull, no álbum "Stand up". A mesma faixa, magistralmente, volta à cena no álbum Christmas. Nuançado pelo estilo celta, a faixa Greensleeves é outra pérola sonora insaciável aos ouvidos. Benevolente, cito mais uma: "God Rest Ye Merry Gentlemen". O resto fica por conta da curiosidade do leitor. Boa gravitação ao redor de si!

Ian Anderson disse formalmente que não é cristão praticante; mas que é um praticante agnóstico. Dito isto, nas letras do álbum Christmas ele deseja boas festas aos cristãos, judeus, ateus, pagãos e igualmente e sem distinção, aos sem religião.

Sendo ele o primeiro a ouvir o álbum de fio a pavio em 2003, Jesus Cristo sentiu-se lisonjeado com a homenagem, abriu um largo sorriso e fechou o olho esquerdo numa piscadela para Deus. Sob os musicais natalinos, uma horda de anjos circundavam-os. Nesse ínterim, o filho do Criador torceu os lábios um sobre o outro no canto da boca e mandou um positivo com o polegar direito erguido para os terráqueos. O que será que ele queria dizer com esse gesto, embora estranho, meigo e simpático?
“O álbum Christmas do Jethro Tull é o realce em notas musicais para o seu natal”.

“Que ao despertar para o recomeço / possamos ver e ouvir / o que era para ser visto e ouvido ontem: o belo nas flores heliotrópios / girassol circulando à procura do sol / nota musical tocada em ré-bemol”.
“O resplandecer do simples, apagando o complexo / lenço branco pedindo paz no escuro taciturno / O trinado dilacerado implorando nexo / gorjeio refinado do rouxinol”.

O autor

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!.
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