ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!

Um mergulho no substancial circuito das águas de São Paulo

Mergulhemos rápido nessa viagem, antes que o vagão tracionado pela locomotiva que está à mercê do imprevisível parta em definitivo para a eternidade, sem que saibamos o que as Estâncias Hidrominerais de São Paulo tem de melhor.



Belas paisagens urbanas e rurais. Ar puro. Hospitalidade. As Estâncias hidrominerais de São Paulo formam o circuito serrano das águas, região para se conhecer, valorizar e preservar; pois, é em biomas como esse, que inicia-se, expande-se, prolifera-se a vida na Terra.

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Pode parecer viagem “careta”, coisa de terceira idade, mas elegantemente, mergulhar com terno e tudo nas estâncias hidrominerais de São Paulo, ou circuito das águas como queira, é um espirituoso banho de leveza sem proporções para a mente, bem estar físico e deleitosa transcendência para a alma. Tanto nas cidades quanto nas cercanias, a benévola e incansável Natureza conspira em favor da pureza da vida.

IMG_1473.JPG Vista panorâmica de parte da cidade de Águas de Lindoia

A maioria das estâncias paulistas estão encravadas em região serrana, sob clima e temperatura aprazíveis; e em cidades onde o agalopado tempo, a muito tempo, bateu em retirada da região. Motivo este, das estâncias serem taxadas de paradeiros para idosos e reduto da terceira idade; contudo, quem é que num momento qualquer não almeja parar no tempo e beber água pura diretamente da fonte? Relembrar velhas e memoráveis relíquias vividas pelos seus antepassados; conhecer os atrativos turísticos em cima de uma charmosa charrete tracionada por cavalos e ser bem tratado pela hospitalidade de pessoas que ainda resguardam o senso do bom humor e humanismo?
Contrário aos grandes centros, os residentes nas cidades-estâncias ainda possuem em seus recônditos, a empatia e o prazer de receber os turistas com um largo sorriso no rosto e palavras, tais como: “sintam-se bem em nossa companhia. Servimos somente para lhes servir”.
São cinco as cidades que formam o circuito das estâncias serranas e naturalmente, cada uma delas com suas particularidades e peculiaridades. Todavia, exceto uma ou outra, a fumaça da chaminé do trenzinho e os pacientes cavalos, estarão ao dispor do turista para um passeio descontraído pelos arredores, quanto a lugares mais distantes; sobretudo, as cercanias e áreas rurais são cobertas por matas nativas, riachos de águas cristalinas, a poeira das estradas de terra e obviamente, relaxantes cachoeiras.
Não esquecendo que um naco de queijo puro, adornado com doce de leite nas bordas da colher, é a prova da iguaria artesanal que os sitiantes comercializam. Portanto, as estâncias unem a descontração e o paradeiro de um banco de praça, às caminhadas em busca do refúgio ruidoso das águas. Na dúvida entre um tipo sossego ou outro, prefira os dois.
estrada.jpg As vicinais são de reconhecido valor paisagístico. Por elas, o turista viaja seguido palmo a palmo pelos mais variados perfumes das cores. Ouve o zunido ininterrupto dos animais: insaciável trabalho dos polinizadores, coletando o néctar das flores.
As rodovias foram recentemente recapeadas, fazendo notar o aparente lustro do negro do asfalto e a perfeição das faixas de rolamento, o que permite, portanto, boas condições de trafegabilidade aos usuários. Ao lado do largo e asfaltado acostamento, compridas alamedas verdes contrastam com o preto do asfalto. Em certos trechos, algumas delas fecham-se em arcos, denotando verdadeiros túneis naturais. De vez em quando, um casarão antigo aparece embelezando o cenário. Embora que a melhor paisagem é aquela armazenada pela memória, inevitavelmente, uma foto é o registro cabal dessas paragens.
IMG_1574.JPGVista panorâmica da cidade de Amparo

O ponto de partida para o mergulho é em Amparo, cidade que fica no sopé da serra e após alguns quilômetros rodados em direção à Serra Negra, um breve desvio de rota levará o turista à Monte Alegre do Sul; cidade minúscula, com uma praça aconchegante no centro, ruas encascalhadas ao redor, janelas bisbilhoteiras, portas escancaradas e povo tagarela nos corredores das casas.

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Portal e vista panorâmica da cidade de Monte Alegre do Sul.
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IMG_1415.JPGPara compensar as poucas atrações turísticas urbanas, a área rural de Socorro é considerada a capital dos esportes radicais para deficientes.

Subindo mais um pouco, antes de alcançar o céu, a próxima atração é a cidade de Socorro que está encravada no platô da serra e dentre todas, é a estância menos influente de atrativos urbanos. Em contrapartida, cidade riquíssima em esportes de aventura; portanto, tanto para determinada faixa-etária, ou outra, ou ambas, o município é recomendado para visitação.
IMG_1517.JPG O próximo rasante será em Lindoia; que por sua vez, é uma estancia intermediária entre as melhores e mais belas.

Contando com uma infraestrutura bem razoável, assim que chega à cidade, o turista dá de cara com a fonte de água hidromineral e suas muitas torneiras abertas; ponto de parada obrigatório para refrescar-se. Trafegando por este roteiro, morre de sede quem quer; porque em qualquer lugar que se vá, uma fonte inesperada apresenta-lhe o líquido, a verdade e a vida. E o melhor, ofertado gratuitamente pela indizível Natureza.

Ânimo leitor, porque o melhor está por vir e subindo mais um pedaço de serra, de aproximadamente 6 km, no topo dela, descortina-se a cidade de Águas de Lindoia, que pode ser considerada a menor das mais carismáticas; porém, a mais notável aos detalhes visuais. A joia de princesa das estâncias. Cidade pequena, mas com ruas largas e arborizadas, praças multicoloridas pelo verde das folhagens, flores das árvores e arbustos; suntuosos hotéis e restaurantes e grandiosa em hospitalidade.
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IMG_1453.JPGLago de Águas de Lindoia. Acima, separando o céu da Terra, está o Cristo redentor.

Sossego, charme e simplicidade chegaram lá e por lá permanecem. Tudo nela é observável e a foto do postal fica por conta da praça central, com o enorme lago de águas claras e calmas no centro. Águas de Lindoia é puro vislumbre para as vistas.

IMG_1552.JPG Vista parcial da cidade de Serra Negra

No regresso, a parada é em Serra Negra, que juntamente Amparo, são consideradas as maiores cidade do circuito das águas. Com suas ruas estreitas, ladeada por altos e imponentes edifícios e trânsito intenso aos finais de semana, o comércio de malhas é a grande atração para os visitantes, que batem perna de porta em porta das lojas, procurando satisfazer as concupiscências dos olhos, da beleza e vaidade. Duas ou mais, são as fontes de águas hidrominerais que enriquecem a pureza e qualidade de vida da cidade.
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O circuito das águas hidrominerais paulista foi criado a partir dos balneários, cuja finalidade é a pratica de esportes e lazer relacionados às águas. Dentre as muitas opções oferecidas, o banho derivativo é bastante procurado pelos idosos; que segundo a Homeopatia, é excelente, eficaz e apresentam melhoras significativas para os problemas reumáticos e respiratórios. Visando fomentar o turismo e incentivar o investimento no comercio local e rede hoteleira, todos eles foram privatizados pelo Estado.

Com os olhos atentos no horizonte e reluzentes sobre a cidade, a imagem do Cristo redentor fincada no topo da mais alta colina, lhe receberá de braços abertos e após agradecer pela visita, lhe desejará um excelente e abençoado mergulho:
- Caro turista, findado o mergulho, boa viagem de volta e breve regresso.
Mudando de ideia e dando o braço a torcer, se as estâncias são cidades para viagem de idosos, que os casais da terceira idade deem as mãos e caminhem descontraidamente pelas ruas e praças, apreciem minuciosamente o trabalho das mãos que transformaram o rústico e inóspito, em belezas quase que naturais e retrocedendo ainda mais no tempo, amem-se fraternalmente em um novo voo nupcial; sobretudo as estâncias hidrominerais de São Paulo possuem o alaranjado de um entardecer no ocaso; o poder da renovação nas fontes de água; os pios ensurdecedores do pássaros canoros; a surdez do coreto; o alarido do badalar dos sinos nas capelas e a hora do ângelus como testemunhas do novo enlace matrimonial desses solteirões/aposentados que levaram a vida trabalhando em prol da estabilidade, segurança e alimentação dos filhos.
Portanto, nada melhor que se sintam jovens para o (re)começo que em muitos casais, jamais houve. Aos filhos e netos: cautela e paciência, porque um dia chegarão lá. Dando como certo, que o futuro é incerto, pode ser. Quem sabe!...nego-me afirmar.
PS.: completam o circuito das estâncias hidrominerais paulistas, a cidade de Águas da Prata, Termas de Ibirá e Águas de Santa Barbará. Dotada de certa relevância no contexto turístico, a primeira fica isolada do circuito; e por estar “longe” da capital, as últimas são pouco procuradas por aqueles que apreciam este tipo de turismo.
Fotos pertencentes ao autor do artigo


Profeta do Arauto

Mendigo, andarilho, irresponsável com pedigree de vacante, cínico com passaporte de intelectual que se encontrou, quando não, caminha dentro de sua essência... e adeus hipocrisia, religião, materialismo, futebol, melindres, carnaval, drogas, álcool etílico, taças de vinho, papo furado em botecos, praia, netos, animais domésticos, montanhas, arrebol, política, trabalho, vaidade, beijo insípido, catecismo, alter ego, adultério, viagens, sexo obrigatório e mecânico, filhos bastardos, medicamentos tarja preta, esquizofrenia, silhueta, filhos oficializados, depressão, aposentadoria, terapia, solidão... Chega: morri para os hedonismos dos normais!.
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