ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

O perfil de uma lesma canalha, anacrônica e gosmenta sem perfil, resume-se ao: "Ei, esperem por mim! Não entendo o porquê dessa correria atabalhoada, o porquê de tanta competição, se iremos para o mesmo lugar! Embora não aparentem, sapatos camufladores e tênis mimetistas são egoístas e não suportam retardatários na pista. Faz-se saber, portanto, que se for pelo atletismo cotidiano, não compito e nem sou exemplo de atleta"

A rebeldia dos livros move o mundo

No préstito do saber, os livros atropelam o futuro, estão anos-luz à frente do tempo. O que dizer do "Pequeno Príncipe" que passa dias, décadas e mais décadas e lá está ele, rosnando, esbravejando, insinuando à prateleira que é atual e por isto, deve ser leitura obrigatória?


Se ler é enfadonho, perda de tempo e pouco acrescenta à cultura e intelectualidade do “cidadão brasileiro”, continue acreditando puramente na obtenção de diploma; motivo de discursos políticos e avoluma os números dos governos, que os governam.

IMG_0563.JPGOs livros dobram contando histórias, explicando o inexplicável, justificando as evidências, maculando teorias e calculando os números do tempo, que laconicamente se perderam no corrosivo tempo. Os livros mentem, desmentem e são controversos. Os livros possuem o poder do autodidatismo. .
Se o leitor não quer se aventurar e fica inerte, remoendo o medo, porque este é o seu paraíso...não quer aventurar em pensamentos para não queimar os neurônios em reflexão...não quer sentir fortes emoções, pois tem receio de virar anjo, criando asas para vagar a liberdade por lugares inóspitos, escondendo-se debaixo da cama para não ser visto...atente-se, cuidado com eles, pois os livros são bruxos e exorcizam mesmo! Os livros não permitem, desconhecem a condicional "se".

Ler é mergulhar no imaginário do escritor. Navegar do vertedouro à foz das letras; desaguando no imenso manancial de conhecimento. Ler é o suor, é o labor, é o processo crítico que culmina no respeito aos direitos e deveres de cidadania entre cidadãos e poder público.

Paulatinamente alguém diz que quem estuda tem mais oportunidades e maior valor: maior valor no mercado de trabalho; maior valor social; maior valor intelectual. Todavia, estudar não se compara à leitura alternativa e independente; sobretudo porque a leitura não resume apenas aos valores; mas no engrandecimento do saber individual, ao potencial humano, atributos que somente quem os possuem respondem por eles. Ademais, a leitura e o saber não ocupam lugar nas prateleiras da mente, bem como não precisam catalogá-los para futura pesquisa. O saber e a leitura são bibliotecas livres e ambulantes. Enciclopédias operantes.
Ler é se transportar para a fantasia, onde o escritor viajou por mundos imaginários; reinos além-mar, dominados por reis, rainhas e fadas. Neste estilo literário, basta pregar os olhos nas páginas do livro e a mente acompanhará as cenas, traduzindo-as de maneira teatral. A mitologia, a magia e o cenário da trama incidental tornam-se pequenos e a cada frase, a cada parágrafo, a cada capítulo lido, as cortinas do teatro imaginário se abrem, traduzindo a montagem da peça. O leitor passeia por onde a escrita registra a cena.
Através da leitura, o leitor adquire o passaporte para viajar a países muito distantes no mundo, e estando lá, interagir em pé de igualdade com os povos locais sobre os seus hábitos, costumes e origens; que naturalmente são diferentes dos quais o leitor está acostumado. Obtém-se conhecimento sobre as iguarias exóticas; crenças e idiomas que outrora vigora(va)m naqueles paradeiros. Através da magia chamada leitura, o turista transporta-se em máquinas, equipamentos e naves tecnológicas avançadas, as quais representam os países e o desenvolvimento dos mesmos. Portanto, a leitura é uma ferramenta de interação e como tal, melhora a intelectualidade, estimula o raciocínio, aguça a memória e expande em sabedoria o universo humano. Quem lê continuamente, não apenas questiona, filosofa, critica, fundamenta, reflete sobre si e seu meio; mas também torna-se flexível e maleável de ideias. Ler é dizer não, à alienação.
Se queres fugir do estado de inércia de conhecimento, estás cansado do comum, saturado da mesmice, abobado com as mesmas palavras rotineiras; enverede-se, caminhe, vagueie pelas páginas de um livro. Disponha de tempo, convide o dicionário para a aventura, renda-se ao inusitado e esteja de mente aberta as novas experiências e tendências. Em cada livro uma nova surpresa, em cada surpresa um desprendimento interior. Permita que a sua essência se surpreenda com o desprendimento! Deixe o queixo cair, sinta-se boquiaberto com o que lestes! Deleite-se com os êxtases e arroubos que a leitura traz às ocultas.
Entenda as metáforas, reflita sobre as entrelinhas, divirta-se com as parábolas, sorria com as cacofonias, amenize a dor com a poesia, ceie as idiossincrasias, conheça a linguagem da fauna, flora e objetos inanimados com a onomatopeia, aproprie-se das partes revelando o todo com a metonímia, amenize os termos grosseiros com os eufemismos. A linguagem pode ser conotada, mas os atos devem ser, obrigatoriamente, ser denotados. Na leitura, teses e antíteses se misturam. Leia. Leia, porque és uma dissidência das desinências do idioma.
Os livros não são e não apoiam os sectarismos; em contrapartida, amam a liberdade do saber.
Os livros quanto mais mal cheirosos; mais amarelecidos pelo tempo for, inversamente proporcional será o ensandecimento pela leitura. Ler relaxa os músculos, acalma os sentidos e enobrece o espirito. Mas uma observação deve ser levada em consideração: que seja um livro, ou um texto que traga incorporado em seu conteúdo o perfume ameno das palavras. As cores do arrebol crepuscular; a suavidade das pétalas de flores e o sabor do néctar do conhecimento. Ler é sublime!
O marasmo sombrio que paira sobre o universo, foi iniciado com a falta definitiva da leitura de livros, crônicas, contos, artigos, romances; e acima destes, a falta de leitura filosófica, ciência que está perdida nos recônditos dos seres, que para alguns, são humanos e semelhantes.
Ler é a transformação de direitos em deveres; deveres em Homens; Homens em cidadãos; Cidadãos em Cidadania; Cidadania em Democracia, e Democracia em Nação. Nota-se portanto, que existe uma cadeia lógica e para se atingir o produto final, que é um país pleno. Livros, leitor e leitura aliam-se em virtude da cultura; e é o reflexo intelectual de um país: chamado Brasil? Pode-se então considerá-lo uma nação?
IMG_0573.JPGEm cada livro, uma leitura. Em cada leitura, uma magia. Em cada magia, um cidadão que não precisa de quem o governe. Ponto!
A Argentina foi o primeiro país a ter uma universidade pública na América do sul. E como comparação, além das muitas livrarias, o poder público argentino disponibiliza três vezes mais bibliotecas públicas para cada 100 mil habitantes, do que o Brasil. Ciúme e inveja cultural: talvez estes sejam os motivos dos brasileiros falarem tão mal de nuestros amigos y hermanos.
Quem lê não comete pequenos deslizes; sendo que pode causar maremotos, incendiar vulcões. Bom, se nada do que lestes o convenceu, porque és um leitor de correr os olhos no texto, compete na modalidade maratonista, ou salto à distância de capítulos na leitura pormenorizada, aceite de grado, pacientemente os mandos e desmandos, daqueles que estão no comando. Pois, eles estudaram meia dúzia de palavras para governarem os que estudaram o abecedário, apenas.
Abusando da redundância, Monteiro Lobato disse que "uma nação se constrói com homens e livros"; no entanto, não faz muito tempo, um certo presidente indecente contrapôs o sábio, dizendo: "não gosto de ler"; por extensão, disse: "detesto ler, odeios leitores e para o meu delírio, deveriam incendiar todas as bibliotecas do mundo; para contra-atacar esse senhor só mesmo recorrendo a rebeldia do livros e através dela, formular a aliteração, que é: Um fraco rei que faz fraca a forte gente.
Enquanto os números, os quais são capítulos de dela, governam; a rebeldia dos livros move o mundo, e deveria incinerar um infeliz, tal qual o ex-presidente que disse a pérola citada. Ademais, os escândalos de corrupção envolvendo o tal "ignorante" (esta deve ser a qualificação para os difamadores da leitura) bate à porta do brasileiro todos os dias.
Fotos pertencentes ao autor do artigo


Profeta do Arauto

O perfil de uma lesma canalha, anacrônica e gosmenta sem perfil, resume-se ao: "Ei, esperem por mim! Não entendo o porquê dessa correria atabalhoada, o porquê de tanta competição, se iremos para o mesmo lugar! Embora não aparentem, sapatos camufladores e tênis mimetistas são egoístas e não suportam retardatários na pista. Faz-se saber, portanto, que se for pelo atletismo cotidiano, não compito e nem sou exemplo de atleta".
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious //Profeta do Arauto
Site Meter