ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

Não dai ao esquilo o que é de Ésquilo

Um simples e desprezível fato do cotidiano pode ser motivo de reflexão? Depende da ótica e sensibilidade de cada um, como é o caso da trama envolvendo um inocente, porém admirável esquilo e um ciclista que penteava os cabelos esvoaçados com o pente da brisa matutina através dos pedais.


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Atropelar animais em rodovias é fato comum para a espécie humana, impiedosamente dizimam mesmo, menos para ele e sem estar envolvido com instituições ligadas à defesa de animais, sensibilizou-se e tacitamente parou para reverenciar o erro; pois erro reconhecido talvez seja perdão merecido. Tinha consciência que aquele indefeso ser que também respira, diariamente põe em risco sua vida em busca de alimento para manter o que chama de sobrevivência. Contrário da raça humana, em todas as demais se quiserem, que façam e não esperem que aconteça.

Para quem não sabe é válido que saiba e para quem o conhece, torna-se atrativo para rememorar o filósofo e poeta Grego que embasava suas peças de teatro e escritos nas tragédias decorrentes do cotidiano da sociedade grega. Notável é perceber que naquela época já escrevia sobre as tragédias e inúmeras delas era do homem contra o próprio homem. É de se imaginar que se ele e mais uma gama desses desaforados sociais estivessem por aqui, provavelmente existiria uma redemocratização nos costumes, ideais e hábitos dos povos; porque estamos entregues às mesmices, aos comuns e aos convencionalismos sem a menor previsibilidade: as coisas acontecem conforme manda a vontade de um ou outro.

Dentre as várias obras do cidadão grego citado, destaca-se a frase: “Falseando a verdade, grande parte dos homens prefere antes parecer a ser”; o que traduzindo em miúdos é a tal: “preferem o status de ter à elegante posição de ser”. E muito disto, com a conivência da célula-mater social, se deve ao consumo desmedido o qual os povos enveredaram-se: consomem e não medem as consequências. Emporcalham-se no consumismo e depois descartam as sobras e dejetos na Natureza.

Recém-saída do forno, presenciamos mais uma tragédia lamentável ocorrida no Nepal, onde estima-se que três mil pessoas tenham ido para o beleléu. Sorte do Ésquilo e outros, pois se estivessem por aqui sofreriam pela falta de penas nos tinteiros para descrever tantos desastres: ora naturais, ora provocados pela sub-raça humana. Embora que todos os homens são provenientes dos anéis de ouro forjados nas fornalhas humanas e usados nos dedos para os seus próprios dedos queimar; a tragicidade é que queimam os dedos daqueles que não põem as mãos no fogo. Certamente em seus escritos temáticos, Ésquilo mencionou o trágico e não os envolvidos na trama.
A Natureza não suporta mais tanta estupidez humana e como consequência, a quem diga que corretamente, reage desta forma. Valendo-se da terceira lei de Newton, que diz que para todo corpo lançado com uma força tal em certa direção, haverá uma força oposta agindo sobre esse corpo com a mesma intensidade de força. Para a Natureza, bateu-levou. O que, eximindo-a do egoísmo nato dos humanos, é correto; afinal, em qualquer âmbito e amplitude, a autodepuração faz-se presente. Tomem como exemplo um rio humilhado em certa altura de seu percurso pela imundície dos usuários. Sujeira de toda espécie deslizam sobre as águas, descem despenhadeiros até onde o rio, humildemente, tacitamente, vai trabalhando para se recuperar e livrar-se dos dejetos que lançaram sobre ele.
Contrário das ações humanas que a maioria suja e os garis limpam; os rios por si só fazem isso por eles e como são altruístas em potencial, obviamente para aqueles que usam de suas águas límpidas. Portanto, esse é apenas um simplório exemplo de como a Natureza sente-se obrigada a trabalhar e produzir para ela e para os desmiolados que paulatinamente a usa sem critérios. Ocorre que de quando em quando ela usa de outras estratégias para livrar-se de tamanha insensatez, como o que aconteceu no Nepal.
Inspirado em Ésquilo, o Pedaleiro saiu para mais uma volta ao redor de si mesmo. Tomava o vento frio na cara que já estava soprando em nome da aurora, quando em certa altura veio-lhe uns pensamentos da ingratidão humana com a solidária Natureza. E não é necessário ser ambientalista, Biólogo, Naturalista, apreciador da coqueluche dos tempos modernos que é a tal de Engenharia Ambiental, que não passa de marketing politico e folclore estudantil, porque engenharia é tudo que é transformado em artificialidades pelas mãos do homem; e na Natureza, como disse Lavoisier “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”; logicamente de forma natural e sem os artificialismos químicos. Como o tempo de recuperação e resiliência seria enormemente grande, após os períodos de guerra houve necessidade de se introduzir a Química industrial nos meios naturais, senão a mortandade humana devido à fome seria maior que os números de mortos advindos das guerras. Para os aficionados nos superficialismos, ruim com ela, pior sem ela. Cinquenta anos passados e os resultados estão propagados nos leitos dos hospitais. Os médicos, os laboratórios de remédios e as drogarias agradecem. Isto mesmo: as drogarias estão mais para choros do que risos!
Aquele senhor estava com os pensamentos tomados pelo movimento do teoriza, mas não se cumpre, quando passou nitidamente à sua cabeça um esquilo cruzando a pista e sendo atropelado pelos insensíveis pneus de um carro. E imaginou que o mesmo pudesse ocorrer com ele, o que causaria uma dor aterradora no seu peito. Quanta bestialidade daquele Ésquilo, afinal animais mortos nas rodovias são coisas habituais e corriqueiras. O contrário, que é o enaltecimento à vida animal, seria de se admirar.
Embora perdidas e consumidas pelo tempo, os aforismos populares explicam muitas coisas, caso da frase usada pelos antigos que diz que “Palavras e pensamentos possuem força motriz”; e no seu caso, superou a terceira lei de Newton, porque devido a nobreza, simplicidade e meiguice gestual da espécie, não devolveu a ele com mesma intensidade de força o mal que lhe fora feito.
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De cabeça baixa, mesmo porque é uma lei instintiva do pedal, descendo um trecho de rampa leve, mas que impunha velocidade considerável a "magrela", assim que afugentou os pensamentos da ingratidão do homem para com a Natureza, repentinamente olhou e viu um esquilo saindo da touça de capim e apavorado cruzando a pista. Tomou a decisão imediata de frear, porém não sendo suficiente, uma vez que o esquilinho, cujo rabo parecido espanador cobria-lhe todo o corpo, parou quase debaixo da roda dianteira. O “desprezível” ser de olhos ternos pedindo clemencia e o pedaleiro pedindo que ficasse onde estava, senão seria risco demais. Divagação em vão! Tomado pelo susto, o que levou o seu coração à boca, saiu desesperado coberto pela roda dianteira, deixando o Pedaleiro em desalentado: “Deus criador da Natureza, matei a sua imagem e semelhança! Puxa vida, por que não ouvi minha consciência; que juntamente com minha saúde perfeita, são os maiores bens que me destes”!
Imediatamente parou, enquanto o pequeno e inocente, como criança desprotegida, foi refugiar sua dor atrás do tronco da árvore. Chegou de pé-ante-pé e implorando desculpa, disse para ele que embora soubesse de tudo, tivesse visto tudo, manteve-se cego de imperativos humanos e inteligência. A pequena criatura olhava-lhe com a carinha de poucos amigos e levantava a patinha, que doía infernalmente, para mostrar-lhe o quando foi insensível. A dor era tamanha, que o inofensivo esquilo nem atreveu-se a sair do lugar. Estava estático e assustadiço! Volta e meia, mostrava-lhe a patinha. Ficou retorcida. Ficaram minutos olhando um para o outro tentando o consolo para ambos.

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Se até então o Ésquilo dos pedais pensava sobre as insanidades do homem contra a Natureza, incorporando definitivamente o espírito de Ésquilo, despiu-se da estupidez que o afrontava e seguiu viagem com os pensamentos redobrados. Afinal, aquela estrada nunca existira até que um ser qualquer foi lá e entendeu por bem que aquelas terras deveriam ser cortadas por ela, cuja finalidade é engrandecer e servir de travessia para aquilo que obviamente não havia e passou haver: o comércio e a busca pelo dinheiro. Indubitavelmente isso só ocorreu por interesses de um, de outro ou de todos os pensantes das cercanias. O que é fato normal pensar em tudo, exceto nos épicos nativos que dependem e são os exímios proprietários do espaço. Esses que se enquadrem e se virem n´outros lugares! Para a ganância, o mundo é grande, motivo dela querer abocanhar uma fatia, quanto maior melhor.
Por força maior, sabe se lá de sobrevivência, quando se abre uma estrada, via-de-regra está gerando uma desfragmentação no habitat das espécies que habitam aquele espaço verde e a consequência é a perda de espaço, localização geográfica, luminosidade, silêncio, aparecimento do efeito de borda e o mais nocivo às populações residentes, a quebra da renovação das espécies locais. Sem nenhum ataque de genialidade, pode-se notar que muitas espécies habitam as partes altas das árvores e quase não descem à superfície, caso de certas espécies de macacos; tal “deficiência biológica” indica que essas espécies necessitam do dossel arbóreo continuo para se locomoverem. Outras, não conseguem se guiar nos ambientes limpos; bem como outras, devido aos modelos de hábitos e costumes, se perdem em travessias por mais curtas que sejam. Portanto, fragmentar é abrir clareira para a destruição.
Com os desmatamentos causados pelos pequenos detalhes caracterizados pelo inconsciente coletivo, somado aos interesses, a falta de apreço do povo e o desmazelo do poder publico, as espécies da flora e fauna estão sendo dizimadas, aniquiladas de seu ambiente natural brutalmente pela selvageria do homem glutão; espécie que reina soberana na cadeia alimentar, pois biologicamente é a espécie que nada produz e a todas as espécies pertencentes à cadeia alimentar, consome.
O canalha do homem está no topo, na crista da onda e não há nada que o derrube do poder! Isso aqui, por em outros lugares a Natureza está tomando partido e exigindo dos homens de lá reconhecimento e gratidão. Deus já está saturado com a humanidade; incluindo no bojo o Brasileiro que se apega ao jargão de que Deus é Brasileiro e com isto, hipocritamente vai aprontando as dele. Piscam os olhos, vira e mexe algo acontece, o estado de Santa Catarina é testemunha das alterações naturais locais. Ontem foi Salvador. O rodízio é constante, então não adianta portar-se como foragido, uma hora o afanador será pego.
Mais conformado, menos triste e leve de espírito o Pedaleiro seguiu viagem, mas deveras aquela manhã estava marcada por animais mortos no percurso traçado por ele. Nem pedalou um quilômetro e cruzou com uma cobra falsa coral; aproximadamente dois quilômetros adiante o sangue de uma coruja tingia de vermelho o preto do asfalto; um pouco mais adiante, uma rolinha campeira. E a mortandade não parou por aí: cruzou com dois cães estatelados no canteiro. Mais a frente, outra cobra. Não muito distante um tamanduá e uma raposinha; por fim, fechou os olhos para tanta destruição. Queria de qualquer forma tornar-se um asno e não pensar, como é impossível não pensar e quando isso acontecer, morreu; pensou: “Dai à Natureza o que é da Natureza. Dai ao esquilo o que é do esquilo. Dai ao homem o que é do homem.
E não demorou nada, veio a resposta do além: “Tenha paciência, é questão de tempo. Siga em paz, porque o que fizestes não iniciou com você. Está livre inclusive da chamada lei da cumplicidade”!
O Pedaleiro tentou elogiar-se, mas as palavras traíram as suas vaidades; a voz ficou rouca e embargou de vez; a sua visão foi coberta por um emaranhado de fios que até as aranhas dispensam em suas teias. Enquanto essa espécie usa-os como laço e armadilha, ele fez uso como embuste daquilo que deveria ser o ápice da clareza, serenidade e lucidez. Em virtude destes pequenos e irreversíveis deslizes, concluiu que ele é um ser dotado de erros nada humanos. Desculpou-se com os diferentes; porque não sabia e não conseguia ser um Ésquilo que em defesa dos oprimidos, acusava a sua espécie, dando o real e expressivo valor a um singelo e inocente esquilo!

- Ledo engano Pedaleiro, porque "Quando a pessoa está disposta e preparada, Deus entra em ação."
- É Ésquilo, bem dissestes: “Lúdico ledo engano”. Por que o difícil são as pessoas estarem preparadas e dispostas. A sombra do homem é a mesma em qualquer canto e assina as suas más obras em todo o mundo, em todos os recantos!
Assim que chegou em seus aposentos, refletiu que quem está mesmo que parcialmente em comunhão com a razão, completa-se com a simplicidade da Natureza. Razão e Natureza fundem-se como sendo o único pilar sustentador da existência humana.
- A Natureza é gênio sem dotes de genialidade e os Pedaleiros e Filósofos são visionários atormentados pelas tragédias do sentencioso silêncio imprevisto!
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Fotos pertencentes ao autor do artigo


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