ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

As mãos de Ariano e a música do grupo Quinteto Violado

O Quinteto Violado enriqueceu e qualificou sua arte na fonte da sabedoria dos projetos culturais criados pelo escritor Ariano Suassuana. E o resultado só podia ser a melhoria e renovação do que nascera excelente.


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É mister citar que o grupo instrumental Quinteto Violado já tinha vida própria, porém, tornando-o ainda mais um fulgor artístico e realidade vindoura, por volta de 1970, realizando shows pelo estado de Pernambuco, tiveram contato com as mãos impressionistas e ideias objetivistas de Ariano Suassuana, que até então passava maior parte do tempo dedicando-se ao Direito, sua formação de origem acadêmica; mas, por ser profundo apreciador da cultura regional nordestina, não perdia a oportunidade de enriquecer a sua e a cultura de seu povo nas festas e sarais que espocavam pelo Pernambuco e estados vizinhos.
Os ritmos do grupo são oriundos do folclore regional, da M.P.B, do erudito e do universalismo musical herdado de espanhóis e portugueses, nos ritmos ibéricos. Primando apenas pelo fazer música, o grupo de amigos apresentava-se por todo estado; sem, no entanto possuir um nome que os identificasse como grupo ou banda. Acontecimento que se deu em um show no Teatro Jerusalém, quando alguém tomado pela lucidez, chamou-os de “Os Violados”; que serviu de inspiração para ao oficializado “Quinteto Violado” em décadas vindouras.

Os atuais integrantes que representam o grupo estão prestes a apagar as velas das bodas de ouro nesses quase cinquenta de festejos musicados; entretanto, muitos músicos deram a suas contribuições para que o conjunto seja o que é. Ademais, como em tudo que se faça, apenas alguns sábios e lideres deixam as pegadas de sangue escritas nas obras, assinam pela formação inicial do conjunto os músicos: Antônio Alves, voz e baixo acústico. O dedilhado do violão, da viola e voz, Marcelo de Vasconcelos Cavalcante Melo. Na percussão, Fernando Filizola e Luciano Pimentel; e como flautista: Alexandre Johnson dos Anjos. Portanto, uma reduzida banda sinfônica formada por apenas cinco expressivos músicos.

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No primeiro álbum de 1972, que na época era o “bolachão” de vinil resultado do processamento do petróleo, Luís Gonzaga, o mentor do baião e do xote, foi lembrado com a música “Asa Branca”, que segundo o autor da letra e arranjos, foi a melhor versão que ele já ouvira, e certamente, não haveria outra que a igualasse. Esse álbum, denominado “Quinteto Violado em concerto” é tão bom, que não apenas marca a trajetória do grupo aqui no Brasil, como também foi lançado no Japão, com o nome de “Asa Branca”; obviamente o título refere-se ao prestígio e respeito que Gonzagão gozava em terras do “sol nascente”.
Contudo, ainda debutante no universo da música nordestina, o grupo já respirava com os próprios pulmões; e a faixa instrumental "Marcha Nativa dos Índios Quiriris" de autoria dos compositores: Toinho Alves e Marcelo Melo foi trilha sonora quase obrigatória de muitas vinhetas em chamadas de programas, eventos, festas e espetáculos culturais nordestinos. Contando com uma sinfônica de pífanos, em “Lampião: o rei do cangaço”, essa mesma música ditava o ritmo da ação, a qual o protagonista principal encenava no filme.
Naquela década, assim como na seguinte, a música brasileira tinha papel fundamental, tanto na cultura quanto na politização do povo, razão pela qual o conjunto desenvolve projetos com esta roupagem e fazendo jus a proposta do mentor Ariano, com muitos concertos gratuitos e abertos ao público em geral, inicia uma andança pelas universidades do país.
A música “Sete Meninas” era um instrumental de autoria do grupo e através das muitas parcerias em shows, o Dominguinhos deu um novo ritmo a ela na sanfona e posteriormente, o Gilberto Gil criou uma versão letrada. Com isto, a música tornou-se conhecida nas rádios e obrigatória nos shows dos três artistas, assim como nas festas juninas do Nordeste. A priori, não só eles, mas praticamente todos os artistas nordestinos que vestem a camisa de tais ritmos se unem nas festas e trocando experiências no palco, recriam versões para muitas canções, tanto deles, quanto de artistas consagrados do passado.

No final dos anos de 1970, já amadurecidos e tomando novos rumos na carreira, o conjunto se movimentou no sentido de dar continuidade a arte nordestina e passou a participar de oficinas culturais e concertos-aprendizado com alunos da rede publica de ensino do estado. Tal iniciativa altruísta assemelhou-se bastante aos trabalhos culturais realizados por Ariano Suassuana para a preservação da cultura regional. Ainda nessa mesma época, com uma agenda intensa, o grupo comandou o delírio inebriado de uma multidão de pessoas no carnaval de rua de Recife.

A década de 1990 marca uma reformulação geral e ampla no grupo. Alguns integrantes saem e outros passam a fazer parte do conjunto; porém, o “ Quinteto Violado” manteve a mesma filosofia musical/cultural. Na realidade, depois de participar de inúmeros festivais renomados de música, como o MPB Shell em que a concorrência era fortíssima, ter viajado para o exterior muitas vezes, o grupo ficou ainda mais tarimbado e com isto, já era unanimidade musical em terra Brasilis e parte do mundo.
Visando difundir os últimos trabalhos e as atividades didáticas-pedagógicas criadas pelos integrantes, recentemente o grupo esteva na Síria, Iugoslávia, Coreia do Sul, dentre outros países, apresentando-se em oficinas culturais. Semelhante aos concertos realizados no estado de Pernambuco, os músicos interagiram com o público, de modo que o espetáculo tornava-se uma distraída peça de teatro folclórico/musicado.
“Quem homenageia, homenageado será”; e tal expressão foi o motivo do escritor Gilvandro Filho congratular os integrantes do “Quinteto” com o livro: “Bodas de frevo”, que conta parte da história do conjunto; porque da publicação do livro até os dias atuais, muita coisa mudou na rotina de vida do grupo, menos é claro, a qualidade, a solidez e a seriedade com que faz música.
Faz alguns anos que o grupo vem se dedicando a homenagear músicos do passado através de tributo. E dentre os inúmeros já realizados, destacam-se o tributo a Jacob do Bandolim, Geraldo Vandré, Jackson do Pandeiro e no momento, o grupo faz uma homenagem (merecidíssima) ao mais espetacular sanfoneiro e compatriota Dominguinhos.


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As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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