ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto


Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social

O dilema entre as Sociedades e o usurpado Meio Ambiente

“A lei por sua própria natureza, tem um matiz dramático e John Grisham sempre nos promete uma visão dos bastidores sujos do poder e do mundo jurídico, sem desprezar o bom humor”. Los Angeles Time.



Vai demandar um processo judicial, inicialmente leia, pesquise, informe sobre os pós e contras das leis, as quais regem os princípios e os porquês da ação litigiosa. Não entregue aleatoriamente seus direitos ou deveres para que terceiros exerça poder pelo requerente. Afinal, diante da implacável avidez humana e de como a ganância opulenta das interpretações se sobressaem em relação ao bom senso, dificilmente há processo perdido; mas dinheiro e tempo perdido, é o que mais há.

IMG_4149.JPG“As flores perfumadas são nossas irmãs. O alce, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. As cristas rochosas, o sumo das searas, o calor do potro e do homem, tudo pertence à mesma família”. – cacique Seatle; 1890.

O livro “O Dilema”, escrito por John Grisham, poderia muito bem ser transformado em filme e ser exibido na Sessão da tarde”, tamanho é a pobreza e simplicidade do enredo; no entanto, como até no monte de escória há algo salutar, necessário e útil à aprendizagem da vida, motivo do autor do artigo tomá-lo como exemplo para reportar algo tão evidente aos olhos, porém, em mesma proporção, recheado pelo descaso e conivência, tanto das sociedades quanto dos poderes públicos.
Acreditar somente que não há nada tão ruim, que não possa ficar pior, é destruir totalmente os castelos de ilusão e os moinhos de vento, os quais inundam os humanos de sonhos; porém diante de tantos dilúvios transbordantes, diante de tantos acontecimentos canhestros, como acreditar em outra coisa, a não ser no lema-ápice do pessimismo?
Passados mais de cinco meses da tragédia do rompimento da Barragem de rejeitos de Fundão em Mariana e segundo o divulgado pela imprensa, pouca coisa foi e está sendo feito. Será que a sociedade brasileira não merece maiores esclarecimentos do que estão deixando de fazer pelas famílias atingidas, pela recuperação dos ecossistemas de águas doces e marinhos? A quanto anda a reconstrução das cidades atropeladas, removidas pelos redemoinhos de lama? O silêncio é quase que absoluto e quando divulgam algo que não é concordante com o requerido pela Samarco, empresa detentora da extinta barragem, imediatamente os funcionários do corpo diretivo discursam, dizendo o contrário.
Como sempre, na retórica discursiva daqueles que ocupam cargos de alto escalão, não existe o ruim, não existe a imperfeição, não existe nada que não possa ficar pior. Tudo está bom, perfeito e tende ao excelente. Esse mesmo discurso se aplica aos políticos, jogadores de futebol, certas senhores da mídia, etc. Ocultam a verdade, omitem a realidade, como se estivessem degustando a melhor iguaria do reino; assim garantem os seus nobres cargos.
Por outro lado, a sociedade vai respirando pelos aparelhos da alienação e quando adquire um pouco de lucidez, quando vislumbra algo que vai mal, que precisa ser melhorado e passa a participar do processo de reconstrução, o faz de forma errada. Pois, nenhum ato de cidadania requer barulho exacerbado; fechamento de ruas e avenidas, comprometendo o ir e vir de todos; quebradeira do patrimônio público e particular; batalha campal entre manifestantes. Não, nada disto é necessário; basta, porém que o cidadão seja ativo coletivamente; aja com responsabilidade politicamente, interaja com princípio social. Para isto deve-se acompanhar regularmente a política praticada no país, e se por acaso aqueles que o representa são corruptos, oportunistas, descomprometidos e recebem sem nada produzir, não vote. Ou melhor: vote nulo, vote em branco. Saiba a medida, quanto pesa o voto no exercício da cidadania; no exercício da democracia.
Defenda o seu interesse e dos demais, afinal, ninguém é obrigado a votar nesse ou naquele. Não acredite nas bazófias do político “menos-ruim”; estando no poder, não fará da política sentença matemática. Se tiver que votar, vote por convicção e não pelo saco de arroz; pelo pacote de feijão; pelo litro de leite. Isto sim é democracia; democracia é agir com responsabilidade coletiva. Convicção política e social. No sistema supostamente democrático, pensamento e voto de um, é ato e realização do outro.
Se os clubes, os jogadores, os integrantes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e da Fifa (Federação Internacional Futebol) e envolvidos nos demais esportes querem apenas poder e abarrotar as canastras de dinheiro, não vá ao estádio. Deixe quem quiser que jogue com o estádio vazio. Deixe que façam gols sem aplausos. Em qual Constituição está escrito que alguém é obrigado a ir em estádios de futebol, quadra de vôlei, basquete, handbol, ou outra modalidade de esporte qualquer?
O Neymar Júnior e seu filho não residem no Brasil e mesmo se residissem, ainda assim, certamente não frequentariam as carteiras da escola pública e o SUS (Sistema Único de Saúde). Portanto, nenhum deles se nivela a maioria dos brasileiros; e assim sendo, investir emoção naquilo que em nada se iguala e resulta, é perda de tempo e estupidez doutrinada.
Os preços dos produtos de modo geral estão abusivos: não compre. Deixe que mofe nas prateleiras; ou procure por produtos semelhantes a preços baixos. O trivial todos os dias também faz mal. Por sinal, se for produtos de alimentação, as teorias pregam que nutre melhor, quem varia regularmente os alimentos. Portanto, comece urgente a ser coletivo, a ser prestativo socialmente. Em todo e qualquer caso social, alienação de um, é sinônimo de egoísmo coletivo. Ainda mais, quando se trata de um povo que aprende rápido os maus vícios!

“Não é a Natureza inocente que faz os montes parecerem tristes e aflitos, é homem com a sua mente terrível...”; foi Jack Kerouac que disse esta temível realidade. Entretanto, sendo ele apenas um visionário comum, por que teria dito tal impropério insultuoso aos sábios desta Terra?
Recorrendo à ficção criada por John Grisham no livro “O Dilema”, a gênese da trama se deu quando os EUA foram assaltados por uma crise econômica sem proporções, o que acarretou aos muitos americanos à saída de suas áreas de conforto. E é óbvio que quando a tempestade acontece, cada um que reme o barco conforme a direção dos ventos. No momento, o exemplo mundial é o Brasil.
Motivadas pela crise, demissões assolavam o país. Com a proposta de que assim que as coisas voltassem à normalidade, a nova-iorquina Samantha, recém-formada em direito, é mais uma a ter sua carreira de Advogada comprometida. Trabalhando por necessidade e não por hobby, ao saber da demissão, envia curriculum aos quatro cantos do país; porém, nem um “obrigado” recebe como resposta.
Como tentar e persistir são os únicos investimentos daqueles que, instintivamente, tem metas estabelecidas, Samantha recebe uma proposta de estágio numa ONG (Organização não Governamental) longe de casa, lá nos lados dos Montes Apalaches. Concorrendo com muitos outros candidatos, ela superou-os pela disponibilidade, humildade em reconhecer suas limitações e vontade de prosseguir na carreira. Sem levar em conta a distância da pequena cidade de Brady até Nova Iorque, deixando a família e amigos, para os Montes Apalaches se foi a esperançosa estagiária.
Os primeiros dias de Samantha foram tenebrosos: recepcionava os requerentes; atendia telefone; participava de reuniões; faxinava o escritório; alimentava-se pelas metades. Estava recebendo lições de vida intensas e estafantes. Porém, a pior incerteza era advinda dos processos, os quais a maioria eram contenciosos, coisa que jamais lhe passou pela mente fazer nos anos de faculdade; e sobretudo, o escritório em que trabalhava na capital demandava processos de grandes volumes de páginas; de altas cifras econômicas e dispensava pequenas contendas. Entretanto, um fato lhe chamava atenção, pois as questões litigiosas eram basicamente de trabalhadores, operários braçais contra as mineradoras instaladas na região; as quais, a maioria delas operava irregularmente, sem respeitar a legislação ambiental vigente. Para a recém-chegada e nada conhecedora de tais casos, como proceder para orientar os clientes? Contudo, provavelmente a única resposta plausível naquele momento era mesmo manter-se paciente e perseverante com relação ao que viesse acontecer.

Donovan, sobrinho de Mattie, diretora que contratou Samantha e responsável pela ONG, já era Advogado atuante, não só daquela região, como de outras. Seu pai, um sertanejo bronco que sempre residiu naqueles arrebaldes, através da honestidade das palavras, vendera suas terras para uma das primeiras mineradoras que se instalara nos Apalaches. O tempo passou e a promessa de pagamento se perdeu com ele; fato que revoltou Donovan, levando-o a cursar Direito. Trabalhou certo tempo com a tia, e após tornar-se Ás em causas como pulmão-negro, como chamavam o tipo de câncer que acometia os operários; litígio entre mineradoras e vendedores de terras; uso irregular do solo e outros problemas de cunho ambiental, montou seu escritório. Tornara-se tão conhecedor no assunto, que jamais perdeu uma causa. No entanto, em ninho de víboras quem não se alia ao malfeito e ao dinheiro fácil, corre sério risco de morte, e foi exatamente isto o que aconteceu, quando uma sabotagem inimiga derrubou o avião em que ele viajava. O falecimento de Donovan nessas condições deixara amigos e parentes abatidos e medrosos. Afrontados pelo futuro.

As mineradoras barbarizavam. Faziam o que bem entendiam: contaminavam os lençóis freáticos; não dava a mínima condição de trabalho aos operários, que muitas das vezes se sujeitavam trabalhar sem registro em carteira; quando dispensados, não recebiam o que lhes era devido por lei; usavam deliberadamente a terra; negociavam até última instância os processos perdidos; compravam Advogados.
IMG_0452.JPGParece um estupro contínuo da terra, um novo ataque a cada dia”. – assim John Grisham definiu a contravenção das mineradoras, contra o Meio Ambiente. Também puderas, a Natureza bruta está muito longe dos olhos cegos de todos. Muito longe da alienada sociedade; muito longe da justiça.

As mineradoras movimentavam grandes cifras em dinheiro, motivo de possuírem em seus quadros de funcionários ou de contratados, corpos técnicos contábil/jurídico especializados. E todas as vezes que eram solicitados na montagem do processo de defesa, (o que era raro não acontecer, porque nunca davam nenhum caso como perdido levantavam todas as possíveis brechas na lei; bem como estudavam a fundo as condições psicológicas e físicas do ex-funcionário, para assim, contra-atacar o requerente. Dias antes da audiência, tudo era tratado às escondidas e com o máximo de cuidado, os Advogados propunham para as testemunhas as formas e maneiras que deveriam proceder na audiência. Porém, nem sempre as teses estudadas entre os depoentes ocorriam como planejado; pois, na prática, a teoria é outra.

Após oito meses de aprendizado intensivo e Samantha já pescava o seu próprio alimento; e para sua felicidade, glória e gosto pelo litígio contencioso, ela ganhou um processo em primeira instância pela perda da casa que fora esmagada por uma enorme pedra que escapara inteira da detonação; a façanha lhe rendera, além de uma pequena comemoração tramada às escondidas pelos amigos de ONG, o primeiro honorário de sua carreira.

IMG_0188.JPGValeu você Henfil, pela visão ambiental traduzida em sensibilidade poética!
Apoderando-se da simplicidade, humildade e honestidade, quanta riqueza em barras de ouro, Samantha ganhou!
As coisas são reestabelecidas no país. A economia é retomada e as empresas voltam a contratar. Samantha é chamada para trabalhar em Nova Iorque para ganhar uma excelente quantia salarial. Mattie fica contente pela parceria firmada entre ambas e o ganho dos necessitados que procuraram a ONG nesse período; porém, não conteve o grito de prazer, quando a ex-estagiária propõe para ela um pequeno salário, um salário mínimo, muito menor que o da proposta recebida, para dar continuidade e ser útil no desmanche do cartel sujo dominado pelas mineradoras que estavam infiltradas nos Montes Apalaches. Acordo formalizado pela amizade sincera das palavras dispensam assinaturas; assim fizeram e deram continuidade aos trabalhos. Investindo no reestabelecimento e manutenção do Meio Ambiente, o ganho seria de todos.
IMG_1116.JPGUm fino veio espumante desce em torvelinhos rochabaixo, e é dele que transborda os volumosos e esfuziantes redemoinhos da vida!
Embora não tenha declarado explicitamente em nenhum momento, tacitamente Samantha deve ter dito para seu íntimo que trabalhar apenas pelo impasse, pelo dilema do dinheiro, é contra os princípios racionais de sobrevivência, os quais dependem exclusivamente dos recursos naturais do Meio Ambiente; afinal, sem eles, fica a certeza de falência de todos os seres vivos que habitam o planeta Terra.
Com paciência e tempo, a ganância pela apropriação indevida devorará o pacato e o baderneiro, o negro e o branco, o religioso e o ateu, o pobre e o rico, o rei e o súdito, o atentado e o pacífico, o vivo e o morto; enfim, a humanidade inteira será abocanhada pelo dinheiro. Exatamente por isto que a séculos passados, o Profeta do Arauto formulou a máxima dizendo que o dinheiro é o esterco que aduba o jardim, o pomar, a plantação e ainda consegue iluminar a maligna sapiência articuladora do diabo.

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Profeta do Arauto

Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social .
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