ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

“O pacificador do mundo”

Qual a semelhança entre o “Pacificador do mundo”, cunhado pelo Phd Daniel Goleman em seu livro “Inteligência Emocional”, best seller da Psicologia aplicada, com o respeito; o qual deveria mediar a relação entre as pessoas? Como qualificar o brasileiro nesses dois quesitos?

barro.jpgO homem copia tudo, imita tudo, cria tudo, bisbilhota tudo, vê tudo, menos o que deveria ser visto e imitado; motivo de permanecer sofrendo com a cegueira social/cotidiana.
Dia escaldante em Nova York. Calor descomunal. O ônibus perambulava pelas ruas, circundadas pelos arranha-céus, como serpente que ziguezagueia por debaixo das folhagens. Ao longe, o observador tem a nítida impressão que aquela montoeira de concreto está tombando sobre as vias apinhadas de carros; que raivosos, descontam a fúria na buzina. Quanta monotonia naquele quilométrico túnel de concreto!
Portas rangem. Não demoraria muito e a algazarra dos comerciantes para angariar o cliente à base do grito seria o ritual matinal. O fervedouro de gente e carros assemelham-se a “gansos esganiçados”. Divisados pela hora do almoço, à tarde novas tentações de sobreviver ao caos estariam disponíveis a quem se dispusesse a vivenciá-las. Para transitar por aquela região, somente tendo nervos de aço. E sob alta temperatura, as pessoas tornavam-se ainda mais agitadas. Intolerantes e por vezes, agressivas.
O ônibus seguia o caminho, cujo percurso fora traçado desde muito tempo. Para aqui, para acolá; sobe alguém num ponto, desce outro, n´outro. Exceto um passageiro, tal qual espião, os transeuntes revezavam o entra e sai no coletivo. O senhor espião que permanecia sentado num dos primeiros bancos, quase ao lado do motorista, chamava-se Daniel Goleman; e sua aparente letargia tinha significado: estudar o comportamento humano naquelas imediações e ambientes; que podiam ser considerados um dos piores e mais caóticos redutos da principal e mais populosa megacidade do país e do mundo. Sobretudo, impossível é escrever uma tese, sem antes pesquisar experimentalmente, in-loco, os pormenores do espaço físico, os quais darão consistência prática às teorias do autor.
Ao adentrar o ônibus guiado por um senhor negro, rosto salpicado pelos vincos do tempo, olhar aguçado e simpático por excelência, o passageiro era recebido com um: “bom dia, como está neste dia conturbado em Nova York? Sente-se e tenha um boa viagem em nossa companhia. Qualquer problema, não se acanhe em pedir auxilio, estou aqui para isto. Boa sorte”. E era tomado por um largo e solene sorriso de canto a canto do rosto.
O passageiro, por mais carrancudo, por mais desesperançoso, por mais dominado pela fúria que estivesse, ouvia aquilo e mesmo que por um segundo, refletia a cordialidade, a cortesia daquele senhor e automaticamente, retribuía aos seus apelos com um “muito obrigado”. Não obstante, seu semblante mudava e de seus lábios, sorrisos despretensiosos saudavam os demais, alegrando o ambiente, irradiando a paz, de modo que ao descer, impossível era não estar de bem consigo. Viajando naquele ônibus, que rotineiramente cruzava aquele percurso conturbado, as boas novas ressurgiam a cada viagem, a cada hora, a cada dia. Quem o tomasse uma única vez ao acaso, tomaria todos os dias; porque soubera através dos laços de afetividade que, gentileza quebra com a ira e proporciona o lema: "gentileza: “é dando que se recebe”.
mahatma-gandhi (2).jpgEm vez de creditarem ao Direito à lei máxima que prenuncia que "A lei emana do povo e para o povo"; deveriam substituí-la para a fantasia social de que "O respeito emana do povo e para o povo". Seria muito mais eficaz coletivamente.

O psicólogo observava atentamente o movimento interno e fazia as anotações. Em cada anotação, uma feição era dissecada pelas suas dúvidas; por fim, notando que não havia mais o que pesquisar e escrever, devido a repetição de fatos e gestos, aproximou-se do motorista e o definiu em uma só frase: “o senhor pode não saber, mas nesta manhã viajei no ônibus conduzido por um pacificador do mundo”. Naquele instante, não houve uma só alma que não saiu das catacumbas e ficou de pé para aplaudir o generoso "Pacificador do mundo".
king1.jpg Os elementos da prosperidade na Relação Humana deveriam unir-se na paz, amor, doação e respeito, sempre! Mas, não...
Aqui, em Terra de todas as cores de pele e formatos de olhos, cuja população já ultrapassa os 200 milhões de habitantes, quantos possuem o mérito de “pacificador do mundo”; pelos bons serviços prestados ao seu semelhante, quantos podem ser chamados de cidadãos plenos; no escambo de respirar o cotidiano, como demonstram gentileza, solidariedade e presteza mútua? Por que criam tantas leis, parágrafos, incisos, medidas provisórias, códigos para manter as boas normas de conduta, em vez de educar para o respeito mútuo nas relações?
Simples, porque ainda somos selvagens, broncos, insensatos; e quando falta algo benevolente à relação interpessoal, no mínimo deve-se impor cidadania, através de leis. O nosso império das leis é infinitamente superior ao ato de solidariedade; aos sorrisos; aos salutares bom dia, boa tarde e obrigados. Leis até para não ser cumprida; até para ser mal educado; para tudo, menos para impor respeito.
Em qualquer sistema de transporte coletivo, nas proximidades das portas, os primeiros bancos são “reservados” para idosos, gestantes e pessoas deficientes; mas por mera distração, adolescentes gozando de boa saúde física, sentam, apoderam-se, tafuiam o fone no ouvido, encostam a cabeça no vidro e quando não roncam, viajam. Enquanto não houver pessoas necessitadas do assento, sem problema; e quando há? Oferecem o lugar sem que haja pressão, ou revolta de alguém? Raramente. Há casos em que os pais ficam de pé, para os filhos sentarem nesses bancos. Este mesmo exemplo, que às vezes começa em casa, se aplica às filas de bancos e comércios em geral.
Pais que educam seus filhos em pomposos moldes viciosos, certamente desconhecem o singelo Paulo Freire e o seu "Educai as crianças e não será preciso reprimir o adulto".
Para que serve um cartaz, com um cigarro cortado transversalmente por uma faixa preta, e embaixo, a inscrição com os dados da lei que proíbe fumar naquela área ou estabelecimento? Obviamente para “gerar ou manter” a relação saudável entre os usuários que usam o mesmo espaço. Pois, lançar o resíduo de um, na cara do outro, é no mínimo, falta de educação.
Absurdamente, existem leis para ambos os casos. Tais leis foram criadas porque em algum momento da relação entre os participantes, faltou bom senso, faltou respeito; e são elas, as leis, respeitadas, cumpridas, fiscalizadas? Jamais. Pois, para isto teria que dispor de um fiscal para cada cidadão e se assim fosse, quem fiscalizaria o agente fiscal: Deus? O que fazem então, é alterá-la para leis mais “severas”, como justificam quem as escrevem.
king.jpgNa megalópole alucinada: buzinas ensurdecedoras / A gritaria, a fúria, a raiva e a ira / Sentimentos que desencadeiam no inconsciente coletivo, o acendimento da pira.
No trânsito, foi essa a justificativa, para as muitas alterações na lei do bafômetro e redução de velocidade na cidade de São Paulo para 50 km/h. Pasmem o tédio que é trafegar domingo pela manhã com as pistas livres e a velocidade máxima de 50 km/h na marginal Tietê, que antes era 90 km/h! Mas se quiser correr menos riscos de morte; preservar a vida neste trânsito animalesmo; uma vez que aceleram sem limites e precedentes, somente criando esses subterfúgios; porque senso de respeito, educação, harmonia, solidariedade e empatia um pelo outro, passam longe das mentes, dos atos e rodovias.

cao.jpg"Proibido...pisar na grama". Leis não educam, não moralizam e não sinalizam o respeito; ao contrário: produzem corruptos e corruptores em grande escala.

Imagine leitor, o dia em que eu gentilmente pedir sua perna para urinar; fazer o eufêmico xixi! Por favor, não se assuste, porque dia-a-dia estamos construindo e nos permitindo construir um povo, um país, uma nação. E caso você não se enquadre nas boas maneiras de conduta impostas pelo sistema social vigente, recorra aos políticos para a criação de leis que inibam esse vício; que facilmente tornam-se justificados pelo inconsciente coletivo do: “Esperar o quê, o exemplo vem lá de cima”.
Como participante ativo do sistema, (outra justificativa que virou mania) tenho que aprender com os exemplos para não ficar somente refém deles.
Outra pérola social que lançam impensadamente para tentar justificar aquilo que deveria ser lei primeira, é o famigerado “Os tempos mudaram”. Oras, os tempos, as temperaturas, os climas, as crises econômicas, a troca de casais, os endereços de moradia; os amigos; a casa das lambisgoias, os animais domésticos de sua casa, e tudo mais, podem ser alterados, mudados a todo instante, quantas vezes for preciso, menos o respeito no trato, na relação homem versus homem.

Impossível haver cidadania e democracia, se não há respeito mútuo entre os usuários do mesmo sistema. Para que haja uma reviravolta nos conceitos relacionais, a solução menos-ruim (jargão consagrado pelo uso popular) é redemocratizar a democracia. No entanto, como democracia imposta por leis, não se deixa redemocratizar; o “num sei de nada desse pobrema camaradas de luta”, máxima desrespeitosa pregada pelo ex-presidente Lula em seus oito anos de (con) gestão permanecerá imperando e fazendo escola.

Embora seja possível ser respeitoso com o próximo sem que se saiba ler, escrever, contar e título superior; admitamos que nem sempre é possível prescindirmos de tais domínios. Atribuamos a essa forma de conhecimento, por mais graduado que seja, o lugar que lhe é devido, nada além. Afinal, indiferente ao título e posição social, fazer o impossível para pacificar o mundo, é dever de todos, ato de respeito à cidadania e evita a cegueira de se perguntar: “Em qual catacumba deste cemitério, chamado Brasil, sepultaram o respeito”? Porque “os pacificadores do mundo” é uma minoria tendendo à zero que não há por aqui; e se há, por favor, ilumine o farol de minha cegueira.

Nenhuma herança, nenhum legado, nenhuma pepita de ouro é tão valiosa quanto o respeito! Quem se dispõe a renovar-se intimamente, respeitar o próximo que é respeitar-se, retomar esse adjetivo biforme que está perdido nos escombros enfumaçados do tempo? Uma hora qualquer você pode ser (se não estiver sendo. O que significa a corrupção, o tráfico, a prostituição, a hipocrisia, o adultério, os esquemas, o levar vantagem, o...?) vítima dele.

As fotos do cão e do pássaro pertencem ao autor do artigo.


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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