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Visionário às ocultas

Profeta do Arauto


Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social

O país dos “Sombreros”, Praias e Desertos

O México está localizado na América do Norte; divisando ao Norte com os EUA; ao Sul com a Guatemala e Belize e nos extremos laterais com os oceanos Pacífico e Atlântico. Fora esses detalhes que só interessam a quem estuda Geografia, o que mais esse país de grande dimensão territorial oferece aos que desejam conhecê-lo?


IMG_2989.JPGCaminhada para os cumes

Com a extensão aproximada de 1.900.000 km². O clima é variado; com predomínio de secas intensas da região central até o Norte, onde prevalece a aridez dos desertos de Chihuaua e Sonora, os quais avançam para territórios americanos. Devido à variação de altitude, que chega aos mais de 5.500 no pico mais alto, encontram-se baixas temperaturas nas montanhas e altas temperaturas na região de praias.
Se perguntar para qualquer viajante (principalmente os brasileiros) o que ele mais aprecia, ou gostaria de conhecer no México, dispensando maiores pesquisas e de bate-pronto, Cancun será a resposta; pois em todos os pacotes de viagem para o país dos homens de chapéus de aba larga, a praia é o atrativo principal. No entanto, o país oferece muito mais que praias.
Partindo de Cancun, espalhadas por vários estados do Sul, crateras (salões arqueológicos) foram abertas pela Natureza há muitas centenas de anos, originando os Cenotes, nome herdado dos Maias; civilização que embora tenha plantado raízes na cidade arqueológica de Tikal, estado de Flores, Norte da Guatemala, também habitaram àquelas paragens.
Contando com excelente infraestrutura para lazer, os Cenotes são extensas áreas verdes transformadas em balneários, e para chegar-se à superfície da água, os banhistas ou visitantes descem por muitos lances de escadas, que variam conforme a diferença de nível entre a superfície do solo e o nível da água.
IMG_2772.JPGAo longo dos anos, vagarosamente, muito lentamente, a superfície das rochas desfaz-se em pó; que em contato com o merejamento d`água, cristaliza, formando emaranhados cachos pontiagudos de estalactites.
São quatro tipos de Cenotes: parecendo laranja cortada na parte superior, os abertos à superfície; com pequenas gretas luminosas, os parcialmente abertos; os parcialmente subterrâneos e os totalmente subterrâneos. Esses últimos lembram bastante as locas e esconderijos dos personagens em miniatura do Senhor dos Anéis, livro do RR Tolkien; pois, os corredores de aceso ao poços são baixos e estreitos.
IMG_2686.JPGAberto à superfície do solo
Em cada um deles, a Natureza tratou de picotar com o cinzel da sutileza as diferentes formações rochosas. Os trabalhos naturais são marcados pelas inúmeras peculiaridades de formatos geométricos das “locas”; diferentes formações rochosas e o espetáculo inebriante das águas, que variam do verde ao azulado. Conforme o horário do dia e a luminosidade incidente, admiravelmente, as cores aquáticas alteram a paisagem do ambiente para cenários além-imaginação. Difícil reprodução por mãos humanas.
IMG_2588.JPGTotalmente subterrâneo
Entrar numa “Atlântida” dessas para desfrutar de suas belezas, banhar em suas águas, energizar a mente, o corpo e alma por horas incertas, deve ter sido o sentimento dos Maias ao descobri-los. Os salões rochosos são tão belos, necessários aos olhos e frescor para o espírito, que por não conhecê-los, as fantasias de Narciso juntamente com a beleza de Adonis, tornaram-se feias. Pois, às vezes, o belo é impressão dos olhos; subjetividade do que é visto; assombro da mente, óbvio que este ensaio poético/filosófico não se aplica aos Cenotes; afinal, cada um representa uma maravilha perdida no tempo.
Outra parada obrigatória é para visitar o sitio arqueológico Chichén Itzá que está situado no estado de Yucatán e distante aproximadamente 100 km do mar caribenho. Nos idos 1000 d.C., estima-se que a decadência de Tikal abrira espaço para a construção daquele novo centro da cultura Maia. Todavia, diante daquelas robustas fortalezas de pedras, os mistérios da humanidade tornam-se minúsculos e não explicados pelas supostas verdades em anos vindouros. A priori, a ciência nada pode dizer sobre aquilo que ocorrera ainda nos idos embrionários da humanidade. Praticamente intactas, de certo mesmo, apenas que as construções estão lá para ser vistas, admiradas e para os mais achegados às criações humanas, passaporte imaginário para uma era que jamais acontecerá novamente na história.

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As lendas sobre o lugar sagrado são muitas e rezam que a civilização era formada por povos prósperos que trabalhavam arduamente à terra, para posteriormente, comercializarem seus produtos com outros mercadores do Golfo; com isto, a região cresceu economicamente, chegando a ser considerada a mais desenvolvida do país. Trabalhando gregariamente, as obras se espalham pela cidade e em cada ponto, amontoados de pedras sobre pedras denotam o esforço daquele povo para edificar os projetos idealizados.

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O templo de Kukulcán está geometricamente localizado no centro de Chichén Itzá. O monumento possui altura de 30 m, sendo 26 m de base piramidal e os 4 m que perfazem o topo, considerado templo. Cada lado de pirâmide possui uma escadaria com exatos 91 degraus até o nível mais elevado. Multiplicando-se 4 vezes 91, tem-se 364 degraus. Isoladamente, um degrau está na entrada do templo. Os 365 degraus, representam os 365 dias do calendário Maia. Fazendo jus ao soberbo trabalho desses povos, Chichén Itzá é uma das Sete Maravilhas do Mundo.

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Importante salientar que os projetos geométricos e as implantações construtivas da civilização Maia, são totalmente diferentes e únicos em relação aos Astecas, povos que fincaram raízes na região central, (cidade do México) levando a suposição que não havia nenhuma ligação entre eles.

Na região Sul predomina a vegetação arbustiva de porte-médio, cobrindo a rasteira. Devido à alta umidade relativa do ar, o clima é ameno em determinada estação do ano e relativamente frio no inverno. Cercado por corredores montanhosos nas laterais e um “corte transversal” nas imediações da cidade Oaxaca, um platô leva à região central e parte do Norte do país. Na região central, destaca-se a cidade do México, capital do país; a qual será dedicada um artigo completo.
Norte: contando com estados de grandes superfícies e pequenas cidades como capitais, essa é a região de menor densidade demográfica. As escassas oportunidades de sobrevivência fazem daquelas terras de homens sérios e carrancudos, de palavras curtas e grossas; usuários de botas, cujo bico fino chega medir seis centímetros a mais que os dedos e desertos quase que totalmente inóspitos. No entanto, ao longo das retilíneas e planas rodovias, um céu esplendidamente azulado é observado por um sol irradiante e solitário, que viaja quilômetros e quilômetros cercados por morros nas laterais, sem ser molestado por um ínfimo fio de algodão em forma de nuvem.

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Pálidas paisagens; pequenas e baixas elevações escarpadas; baixíssimo índice pluviométrico; aridez quase que absoluta; escassos rasgos de água nos rasos vales; pés de palma, que heroicamente armazenam água para continuar sua teimosia de viver; mineradoras que cavucam as riquezas que ainda restam; caminhões e carretas disputando palmo a palmo o espaço nas isoladas rodovias; vez para outras, fortes ventanias levantando poeira em redemoinhos adoidados que parecendo grandes cones acinzentados, tafuiam-se vorazmente no horizonte ao longe, compõem o cenário. E não obstante, o deserto é sombra insolente que ofusca as vistas daqueles que insistem em conviver com ele. Ademais, talvez seja por isto que em suas “amargas terras”, sobrevivam somente os homens de mentes resignadas e corpos cascudos; pois, o uso de sombreiros nas cabeças é mera identificação com as origens de eras passadas e nada mais.
É naquela região que o narcotráfico escolheu fazer residência. Disparadamente, essa é a pior sombra afrontadora do deserto mexicano. Entretanto, mesmo não estando visível em qualquer praça, em qualquer cidade, em qualquer esquina, os mexicanos estão sempre em alerta e alertando os aliados sobre os perigos que os cercam. Sobretudo, quando o assunto é a defesa dos interesses da maioria, os estranhos de fisionomia, “chapeludos do bem”, são bastante humanos e generosos. E apesar das caras amarradas, de toda amargura, as quais a Natureza lhes proporciona rotineiramente, unirem-se na comunicação do perigo sem alarde e espanto, é o que mais lhes importam na relação humana. Agradeço pela receptividade e hospitalidade, mexicanos!

IMG_3004.JPG"!Que vaya bien y Dios te bendiga, señor!"

P.S: Devido à diversidade de atrativos culturais, artísticos e históricos, dedicarei um ou dois artigos à região central.

Fotos pertencentes ao autor do artigo


Profeta do Arauto

Matemáticos e filósofos equacionam os derradeiros números da vida em troncos de árvores, guardanapos, pratos, papel higiênico, portas e paredes de banheiros, cuja finalidade é fortalecerem-se contra a média que não desvia do padrão de sabedoria e inteligência igualitária social .
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