ministério das letras

Visionário às ocultas

Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler.

Falando sobre o álbum Fragile do Yes

Fragile pode ser considerado o melhor trabalho do Yes? Evitando ser injusto com os trabalhos de anos anteriores, foram tantas obras boas tendendo ao excelente do Yes, que fica difícil responder à pergunta; mas que foi o divisor das notas musicais da banda, isto é certeza irrefutável!


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A introdução do artigo pode não ser satisfatória, não agradar aos amantes do rock psicodélico: estilo que marcou muitas bandas do final dos anos de 60 e início da década seguinte, (bastante conhecida pelos brasileiros, quem melhor representa esse estilo é o Pink Floyd) mas que o álbum Fragile é a linha de cumeada entre o antes e a solidez do depois, isto é procedente por vários razões. No entanto, o maior problema das mudanças no estilo das bandas, é que com o passar dos anos elas tendiam ao rock eletrônico; isso quando não mesclavam com o new age, que é a evolução do progressivo: o exemplo é Steve Howe quando deixou o Yes para seguir carreira solo.

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Como as demais bandas de progressivo psicodélico que faziam longas viagens musicais carregadas, quando não de solos instrumentais distorcidos, com vocais e sons onomatopaicos (guinchados e grunhidos de espécies animais). E após transportar o imaginário dos ouvintes para outras galáxias, quase sempre as notas retornavam ao início, como se fosse uma peça de teatro, com a “cortina” fechando e abrindo para os vários atos. Pela variação nas escalas das notas e (o que é forte no progressivo) com a suposta “semelhança com uma peça de teatro”, convencionaram chamar de suite perdition, palavra originária do clássico-erudito; gênero o qual, o rock progressivo assentou as notas e nesse álbum, a banda magistralmente celebra uma melodia clássica de Johannes Brahms.
Final de 1970. A banda liderada pelo vocalista Jon Anderson, visando solidificar ainda mais o repertório e o gênero, convidou o multi-tecladista Rick Wakeman para fazer parte da banda; que com seus braços elásticos e dedos que jamais criavam calos nas pontas, aceitou de bate-pronto desde que contasse um arsenal de teclados e nele incluísse um órgão Hammond, um piano, um RMI 368 Electra-Piano, Mellotron, Moog. Os recursos da banda eram parcos, magro como raquíticos porcos na engorda, todavia, privando-se daquilo que poderia ser descartado momentaneamente, os integrantes uniram força e atenderam o pouco exigente Rick. E se a ideia é unir o útil ao agradável, integra o grupo o artista plástico Roger Dean. Assim a banda se daria ao luxo de criar, desde a arte das capas, até a composição e arranjos das letras, pelo menos foi este o idealizado por todos.
yes_fragile.jpgRoger já imaginava um planeta fadado ao ostracismo, como é previsto pelos conceitos da Geofísica. E a prova foi o tsunami ocorrido numa das ilhas da Indonésia, quando muitos humanos foram tragados pelo redemoinho marítimo. O trágico acidente natural foi tão forte, que rotacionou o eixo da terra, descolando placas tectônicas.
Instrumentos e apoio disponíveis, nuançando a quase certeza que a banda partiria para a produção independente, os quatro integrantes se reúnem na calada da noite em uma garagem qualquer para tratar do assunto, que era esquecer o “The Yes álbum” e planejar como seria próximo trabalho. Para não decepcioná-los, Roger já tinha em mente a imagem da capa principal. Visionário do funesto e do decadente, o artista projetou um planeta se dividindo, com as partes sendo lançadas longe e para sorte de alguns, uma minúscula nave recolhia os sobreviventes. Supõe-se que ele tenha tirado essa ideia do fim do mundo, que como citado na Bíblia, na tentativa de salvar os animais e mais meia dúzia de humanos, Noé projetou uma arca.
Se o money era diminuto e com os cofres vazios, não menos era o tempo para o lançamento do embrionário álbum que não sabiam nem como seria ao certo. Contando com as incertezas, a solução foi dividir as tarefas e cada músico que fizesse a letra e os arranjos de no mínimo, uma faixa. Acertaram na mosca; e ao final de 1971, o álbum estava sendo lançado nas terras da Rainha.
Para isto, cada um pôs a genialidade para funcionar em prol da música; caso de Rick Wakeman que criou uma versão própria para "Cans and Brahms" de Johannes Brahms. Já a letra, acordes e arranjos da faixa "We have heaven" ficou por conta de Jon Anderson; que como líder polivalente que era, participou de muitas outras atividades.
"Five per cent for nothing", "The fish" e "Mood for a day" foram compostas pelo baterista e percussionista Bill Bruford, pelo baixista Chris Squire e por Steve Howe, que tocava guitarras: tanto acústicas, quanto elétrica. Nas demais letras e arranjos das faixas, todos participaram exaustivamente.
O álbum foi tão bem aceito pelos críticos e pelos meios de comunicação ingleses, que esteve em evidência entre os 10 melhores daquele ano. Outra conquista fortuita da banda, deveu-se a faixa “Roundabout", que principia o álbum e também editada numa versão simples e através dela, definitivamente o Yes se tornou conhecida no cenário do rock mundial. Na América, esse trabalho chegou meses depois e a explicação segundo os comentários de bastidores, foi para não romper com o sucesso do álbum anterior; assim aumentariam as chances da banda obter maiores vendagens e lucros. Provavelmente a estratégia foi acertada, porque nunca mais se ouviu falar que o Yes passava por dificuldades financeiras.
No Brasil, na sala de reunião de qualquer casa de cabeludo-reacionário dos anos 70, dificilmente havia uma prateleira que não estampasse essa joia de brilhante do rock progressivo. E é tanto verdade, que por volta dos anos de 1990 de segunda à sexta, das 6 às 7 horas na rádio Eldorado FM ia ao ar o “Sunrise”, produzido e apresentado pela roqueira e radialista Rose de Oliveira; cujo nome do programa e a vinheta de entrada foram inspirados na música "Heart of the Sunrise".
O programa era dividido em 4 blocos com quatro pedradas do rock. Quando alguma viagem era bastante longa, o programa diminuía para três blocos, fechando magistralmente com uma estilingada de progressivo na moleira do ouvinte; ou se a apresentadora estivesse num êxtase insano, mandava pro ar uma over-dose de hard alemão. Em breve escrevo sobre este estilo musical vindo das terras dos irmãos Grimm, que em se tratando de rock, foi insuperável.
Por muitos anos esta foi a trilha sonora tanto da apresentadora, como dos ouvintes, que aliviava os dissabores, o caos e a tensão do programa jornalístico que Rose apresentava logo em seguida ao “Sunrise”; pois a capital paulista já era um fervedouro de gente e estupidez.
Estendendo a questão, a música citada acima faria parte da trilha sonora do filme Buffalo 66. Portanto meus caros, esse álbum Fragile, além de ser um dos pilares do rock progressivo mundial, certamente deu uma guinada de 180 graus na carreira do Yes. E claro: para melhor!


Profeta do Arauto

As lágrimas são sinônimos de esforço, querer, persistência, labor. Já os sorrisos, de realização, conquista, ato consumado. Por eu ser lágrimas miscíveis imersas em sorrisos, junto as palavras nas frases, emendo frases nos períodos, teço períodos nos capítulos para alguma biografia de páginas em branco ler..
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